Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas

Tudo que você precisa saber

Quando pensamos em viajar pra fazer o Vale do Pati na Chapada da Diamantina, surgiram muitas dúvidas de como fazer, onde ficar, logística, ônibus, guias, cidades. Muita coisa pra pesquisar e decidir , não é fácil.

Mas, de cara, já sabíamos que queríamos fazer esse trekking, uma das muitas atrações e passeios pra se fazer na Chapada. Como gostamos de trekking e estamos acostumadas, fizemos essa opção. Tudo que conseguiríamos encaixar antes ou depois do Vale do Pati, seria lucro pros poucos dias que tínhamos. 4 dias eram o total que conseguíamos para esse passeio.

O grupo: Zé, Deinha, Emerson, Sá, Barbara e Isa.

Entramos em contato com alguns guias, todos por indicação. Alguns muito atenciosos, por sinal. A maioria deles saia da cidade de Lençóis, que é a cidade mais turística, mais cheia, mais cara e mais fácil de chegar de ônibus. De qualquer jeito quando você fecha o guia, está incluso o transporte até o início da trilha e resgate no fim, podendo ficar em qualquer cidade, dependendo da onde está o guia ou empresa escolhida.

Tinha apenas um guia que saía de Mucugê, o Zé. Zé tinha guiado o grupo da minha irmã em 2015, não faltavam elogios à ele. Ele demorou pra me passar o preço para 5 pessoas, mas no fim achamos que valia a pena ir com ele. O único problema: chegar em Mucugê. Com as passagens já compradas, não era possível chegar de ônibus até Mucugê, porque tinha apenas 1 horário de ida  (Empresa Cidade do Sol). Então, resolvemos alugar um carro, já que valia muito a pena, mesmo o carro parado 4 dias. Mesmo se desse de ônibus, teríamos alugado um carro, porque conseguimos incluir a Cachoeira do Buracão, no nosso dia, só porque estávamos de carro, fora que a passagem de ônibus de todo mundo custaria quase o mesmo preço do aluguel.  Pronto, decidido!

Zé, nosso guia no Vale!

roteiro

Tínhamos 6 dias no total. 1 dia pra chegar e 1 dia pra ir embora e 4 de passeio. A Chapada é bem longe de Salvador (aproximadamente 8-9 horas de ônibus, se der tudo certo e 6h-7h de carro), vai depender da cidade que você vai ficar.

Se você decidir essa viagem bem antes, procure por passagens de avião direto pra Lençóis. No nosso caso, as passagens estavam muito caras.

DIA 14/11 – 23H, CHEGADA EM SALVADOR

Alugamos um carro no aeroporto e dormimos na cidade.

DIA 15/11 – 1º DIA DE CHAPADA -> CACHOEIRA DO BURACÃO E MUCUGÊ

Saída de Salvador em direção à Ibicoara (7 horas dirigindo ) para fazer a Cachoeira do Buracão. Iniciamos já eram 14h a trilha e terminamos ela no escuro. Na maioria dos blogs diz pra se fazer o Buracão no fim da viagem, porque ela é muito impressionante e isso ofuscaria os outros passeios. Eu fiz o Buracão no primeiro dia de Chapada, realmente uma das coisas mais impressionantes que já ví, mas isso de forma alguma tirou o brilho do Vale do Pati, não se preocupe com isso. Terminando o Buracão fomos pra Mucugê, pois iniciaríamos o trekking do Vale do Pati, no dia seguinte bem cedo. SIM, A CACHOEIRA DO BURACÃO É PASSEIO OBRIGATÓRIO, É MARAVILHOSO!

Cachoeira do Buracão, por cima!

O que levar para cachoeira do buracão

Mochila pequena de 10l – nos trocamos no banheiro do parque (roupa de banho), onde o carro fica estacionado, levamos toalha, água e celular pra tirar foto. Tem um ponto que você deixa tudo e só vai de roupa de banho, a Isa levou a GoPro amarrada no punho e fez vídeos iradíssimos.

DIA 16/11 – 2º DIA DE CHAPADA -> DIA 1, NO VALE DO PATI

Trilha iniciando em Guiné, pela Serra do Esbarrancado, subindo pelo Morro do Beco, segue pelos Gerais do Rio Preto até o Mirante do Pati (visão ampla dos seus próximos dias), continua pelos Gerais em direção à vista de cima do Cachoeirão em dois mirantes. Segue em direção à casa da Dna. Raquel para pernoite.

Cachoeirão- Impressioante cachoeira de 270m com várias quedas d’água (se tiver em época de chuvas). A 4ª mais alta do Brasil.

Total: 22kms

Mirante do Pati

Mirante do Cachoeirão

DIA 17/11 – 3º DIA DE CHAPADA -> DIA 2, NO VALE DO PATI

Da Dna. Raquel fomos para o Morro do Castelo pela Serra da Lapinha, numa subida bem íngreme de 3kms, onde entramos em 1 gruta e apreciamos 2 mirantes. Desce pelo mesmo caminho e segue para a Cachoeira dos Funis passando pela Cachoeira do Lagedo. Voltamos para a casa da Dna. Raquel para pernoite.

Total: 13kms

Morro do Castelo

Gruta do Morro do Castelo

Cachoeira dos Funis

DIA 18/11 – 4º DIA DE CHAPADA -> DIA 3, NO VALE DO PATI

Saindo da Dna. Raquel já com saudades, seguimos a travessia margeando o Rio Pati até o Poço da Árvore para aproveitar, dar um mergulho e relaxar. Seguimos para casa do Seu Eduardo. Nosso roteiro inicial desse dia, era só isso. Porém,  como andávamos muito bem e não estávamos cansados, nosso guia adicionou o Cachoeirão por baixo, após deixarmos as coisas no Seu Eduardo. Foi um bônus incrível.

Total: 16kms

Poço da Árvore ou Poção

Cachoeirão por baixo

DIA 19/11 – 5º DIA DE CHAPADA -> DIA 4, NO VALE DO PATI

Último dia de trekking, dia de despedida do Vale. Dia difícil, a vontade era ficar. Saímos emocionados da casa do Seu Eduardo. Pegamos a Ladeira do Império, uma subidona calçada por pedras, andamos bastante no sol. Nesse trecho costuma esquentar muito, pois já estamos mais próximos da cidade de Andaraí onde o clima é mais quente em relação ao Vale.

Total: 15kms

Ladeira do Império

Chegando em Andaraí

Fim! Cidade de Andaraí

Após chegar em Andaraí, nossa van ainda nos levou até o Poço Azul que fica na cidade de Nova Redenção. Chegamos bem em cima da hora pra fechar.

Poço Azul, fomos muito tarde, já não tinha raios de luz

Total 4 dias no Pati: aproximadamente 66kms.

DIA 20/11 – Volta pra casa

O QUE LEVAR para o vale do pati

Tamanho da mochila: No nosso grupo tinha mochila de 15l a 60l. Ou seja, teve gente que foi minimalista, teve gente que exagerou. Rola uma pegada minimalista se você tiver afim disso mesmo, lavar roupa ou usar suja, levar tudo do menor possível. Mas, não rola exagerar. Não faça isso, o peso pode te custar um melhor desempenho, uma caminhada mais tranquila. Ou fazer diferença caso fique doente, como aconteceu com a Isa, são muitos kms de caminhada. Dica: não se ilude em pegar uma mochila de 60l e dizer que vai levar vazia, pega logo uma bem menor e se vira (30 a 40 litros).

Nossas mochilas

Tênis ou Bota para trilha – Não compre um tênis novo e vá para o Vale, isso pode custar seu passeio inteiro, tendo que sair do Vale de mula, com os pés cheios de bolhas. Também, não vá com o tênis mais velho. Vá com tênis ou bota apropriada para trilha (solado com gripe), que esteja amaciado. Esse é o problema mais comum dos caminhantes, cuidar dos pés é de extrema importância. 1 tênis e 1 chinelo/papete (levei chinelo pra ocupar menos espaço).

Roupa leve ou esportiva – Levei roupa esportiva porque elas ficam bem pequenas, não ocupam tanto espaço e secam rápido. Aliás, as meias. Procure levar meias sem algodão, quanto mais algodão mais difícil de secar, tanto na caminhada, como de um dia pro outro.

Sugestão: 5 pares de meia, 2 camisetas de manga longa (protege do sol) e 2 de manga curta (uma delas usava pra dormir e usei ela no último dia de trekking), 1 shorts, 1 calça, 1 top e 1 biquini (usei a parte de cima como top também), e roupa íntima.

Remédios e itens pessoais – Cuidado com os exageros. Não levei cartela inteira de nenhum remédio. Diminua tudo que puder, coisas pequenas juntas, também ocupam espaço. Quanto menor levar, melhor. O básico: pra dor/febre, anti alergico, curativos. O guia não pode medicar, você tem que levar isso. Levei uma pomada B-Pantol, caso tivesse algum problema na pele, foi super eficiente pra rachadura aberta no meu pé. Opte por produtos naturais e biodegradáveis (shampoo, sabonete, pasta de dente etc) importante porque a água vai pra terra direto e leve tudo pequeno. A Deinha nossa amiga minimalista, levou um sabão de coco pra lavar tudo e pasta de dente em pó. Nas cidades da Chapada é possível encontrar esse tipo de cosmético.

Toalha – daquelas fininhas de secagem rápida. Eu comprei a minha na decathlon. Nas casas dos nativos tinha toalha, usei a minha só para cachoeiras.

Repelente/Protetor solar/Chapéu/Boné – Muito sol, se proteja. Deixe o protetor sempre em bolso acessível. Não tivemos problemas com mosquitos no Vale, só em Mucugê.

Garrafa de água/Cantil/Reservatório de água – Na minha mochila tinha saída paro o cano de reservatório de água. Levei um reservatório de 2 litros e foi suficiente. É legal levar uma garrafa de água para usar nos dias que você não sai com a mochila grande. Se não for levar reservatório, leve duas garrafas de 600ml, sempre vai ter água pelo caminho.

Celular/Câmera – Celular só serve pra tirar foto mesmo, não pega em nenhum lugar, nas cidades mesmo o 3G é bem difícil. Na casa dos nativos tem energia solar pra carregar, porém ela pode acabar. A Isa levou uma câmera bem legal, mas foi aquele peso extra, mas temos hoje fotos lindas.

Mochila pequena extra – Fizemos dois passeios no Vale que voltamos pro mesmo lugar. Pra nao ter que levar uma mochila pequena de ataque, dentro da grande (custa espaço), levei duas mochilinhas dobráveis que comprei na decathlon. Elas ficam minúsculas. Uma de 10l e uma de 20l, elas foram suficiente para nós.

Mochila de 10l

Mochila de 20l

Lanterna – De preferência de cabeça com pilha extra. No Morro do Castelo tem uma gruta que precisa de lanterna e pra fazer as coisas à noite. Coloque a lanterna na mochila em todos os passeios, pois tiveram muitas trilhas que terminamos à noite, passei um certo sufoco por preguiça de pegar da mochila grande.

Capa de chuva/Anorak e Corta Vento – Leve um casaco tipo anorak (impermeável), além de proteger da chuva, vai te proteger do friozinho que faz à noite. Sim, faz frio, mesmo no verão, acredite. Aí você não precisa levar um agasalho a mais para as noites. Capa de chuva também para a mochila. Além disso, levei vários sacos tipo ziploc para colocar minhas roupas caso chovesse forte. Não queria de jeito nenhum, roupas molhadas. Um casaco corta vento, caso esteja muito vento, mas não esteja chovendo nem frio.

Esse é o básico. Levei uns mini mosquetões pra pendurar coisas na mochila: roupas pra secar, chapéu quando não queria usar, toalha molhada depois da cachoeira..etc.

guiamento

Cachoeira do Buracão (Não faz parte do Vale do Pati) – Só guias locais estão autorizados a entrar no parque, não é possível entrar sem guia. Contratei o Noábio da Extreme South. Ele foi fantástico, ele é bem aventureiro e vai deixar seu passeio bem mais legal.

Extreme South em Ibicoara- (77) 9151 6431

Com nosso guia, Noábio

Vale do Pati – José  Antônio, ou Zé. Eu poderia aqui passar linhas agradecendo a essa pessoa. Ele fez toda a diferença no nosso passeio. Não pense duas vezes, contrate um guia, principalmente se você está com os dias contados. Além disso, um guia local enriquecesse sua experiência, o Zé, em especial, foi essencial pra tudo ter se tornado tão especial.

O Zé fazia nosso lanche da forma que eu nunca na vida imaginei ter, uma pessoa muito calma, com uma vibe incrível, prestava atenção em tudo, ia na frente olhando tudo que podia dar errado, ele foi essencial, se tornou um amigo pra gente. Curtiu tanto quanto a gente, fez o passeio de coração aberto assim como a gente. Contrataria ele todas as vezes que eu fosse pra lá. Ele tem uma pizzaria em Mucugê, chama Capim Rosa Chá, uma pizza Chapati assada na pedra.

Zé – (75) 8241 5856

Cuidado ao contratar empresas, elas querem vender. E às vezes o roteiro que você compra não está adequado ao seu nível de condicionamento, trazendo problemas dentro da trilha, onde resgate é muito muito complicado. Tenha certeza que o roteiro escolhido está adequado.

Ao contratar o Zé no valor que ele passou estava incluso: Guiamento, traslado até o início da trilha, traslado do fim da trilha ao Poço Azul e de lá pra Mucugê, pernoites na casa dos nativos, café da manhã e jantar na casa dos nativos e lanche na trilha (super lanche).

dicas

– Não vai fazer o Vale do Pati? Sugiro ir para a cidade do Capão, onde você consegue fazer vários passeios a pé, além da cidade ser pouco turística.

-Eu alugaria carro se fosse novamente. Alugamos no aeroporto de Salvador. Só em Lencóis tem como alugar carro e é carérrimo.  Um passeio de Lençóis ou Capão para a Cachoeira do Buração custa em torno de R$ 500,00 se tiver em duas pessoas por ex. Se tiver em mais pessoas o preço abaixa. Como estávamos com carro, pagamos um valor muito pequeno pra esse passeio (R$50,00) fora a nossa mobilidade de ir e chegar mais rápido, podendo aproveitar mais. No geral, se todas nós pagássemos passagens de ônibus, passeios sem carro, gastaríamos a mesma coisa.

-Em Mucugê, alugamos um espaço com quarto, sala e cozinha. Chama: O Pouso Condomínio (booking ou airbnb). Foi excelente, muito limpo e equipado. Não tem café da manhã, mas tomamos fora sem problemas e bem barato, também.

-Economize na mochila, leve o essencial. Coisas supérfluas deixe em casa. Ficamos sem lavar o cabelo três dias, mesmo levando shampoo e foi tudo bem.

-Água gelada, banho gelado.

-É possível carregar os celulares na casa dos nativos, se não tiver muita gente. Porque a energia pode acabar.

-Não vá em feriados prolongados como fim de ano, carnaval. É muita gente na casa dos nativos, os nativos vão estar super ocupados com tanta gente e talvez  você não consiga bater um papo legal com eles, fora a confusão de gente querendo tomar banho, comer. O feriado do dia 15 de novembro foi perfeito, pois não é um feriado nacional.

-Na casa dos nativos tinha lençol, coberta, toalhas.

Nosso quarto na Dna. Raquel. Claro, bem bagunçado!

Bar do João, filho da Dna. Raquel. Tivemos uma noite incrível no Bar da Alegria

Café da manhã delicioso no Seu Eduardo

-Não passamos fome em nenhum momento. Não leve comida. Todas as refeições muito fartas.

Lanche que o Zé preparava todas as tardes. Sensacional!

-Avisar se for vegetariano ou vegano. O Zé fez o kit especialmente pra Isa.

-Vá de coração aberto, curta a experiência, esqueça futilidades, converse com os nativos, entenda a história da região, ouça histórias, mesmo cansado, faça um esforço para aproveitar o momento que você tem com eles.

-Pra quem passar pela casa do Seu Eduardo, deixe sua contribuição para a caixinha do Helicóptero. Seu Eduardo vai amar visitar sua terra já que ele teve que se mudar pra cidade e não consegue visitar andando, nem de mula devido à sua idade.

-Leve todo seu lixo de volta na mochila. Os nativos retiram o lixo através das mulas, que levam tudo pra cidade. Ou seja, se todo mundo deixar o seu lixo, imagina.

-E o mais importante, divirta-se! Que seja tão especial quanto à nossa foi!

Casa do Seu Eduardo, nossa eterna gratidão.

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 3
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 4
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

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