Ultramaratona dos Perdidos – Agora foi!

Quem nos acompanha por aqui, sabe que a frustração do ano passado foi a Ultramaratona dos Perdidos ter sido cancelada. Frustração no sentido de: poxa treinamos tanto pra morrer na praia (temos total consciência que a natureza é previsível e que isso pode acontecer).

E este ano fomos nós novamente, para tentar concluir e ver realmente qual é que era dessa prova que põe medo em muita gente.

Eu havia me inscrito nesta prova ano passado, mas com os acontecimentos do ano, e um incômodo no joelho direito pós Patagônia Run, fizeram com que eu solicitasse a troca da inscrição pela prova de 25km. Quando fui retirar o kit na sexta feira, para minha surpresa minha inscrição não havia sido trocada (tive até uma indisposição com a moça que estava na retirada de kit, pois ela não fez menor questão de ajudar – ao meu ver foi a única falha da organização, pois de resto estava impecável). Depois de muito tentar, conseguimos contato com o organizador e ele permitiu que eu fizesse a troca no dia seguinte. Porém quando soube que poderia trocar, eu já havia tomado outra decisão… aquelas decisões malucas que a gente toma sabe… aquela clássica: Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.

Resolvi então largar para a prova de 45km e ir até onde desse. Eu sabia que daria pra desistir até o km 26 onde ainda teria como voltar de carro. Se não desse para continuar eu voltaria ali.

Perdi a hora e meus alunos me ligaram no quarto…. será que era algum sinal pra ficar? Hahaha me arrumei em 10 min e pouco antes das 4 da manhã estávamos seguindo em direção à Tijucas do Sul, onde seria a largada da prova. E a aventura começou ali… fomos em 7 pessoas em uma Ecosport…

Chegamos na fazenda 5 da manhã e dessa vez com outra estrutura, muito bem organizada. Guardamos nossas coisas e logo alinhamos pra largada.

A largada foi dada as 6h em ponto. Seguimos, Barbara e eu para mais uma prova juntas. E o percurso já começava na pancadaria. Uma subida de 6km até o cume do Morro dos Perdidos, com uma altimetria de aproximadamente 700mts. Difícil? Quase nada, mas o nascer do sol lá no topo valeu todo o esforço.

Depois desse primeiro pico entramos em uma trilha linda, nos campos de altitude e logo iniciamos uma descida confortável.

No km 11 iniciamos a segunda subida em meio a um bambuzal e muito barro. Sem duvidas os trecho mais chato da prova. Depois disso entramos em uma descida bem técnica até o ponto de corte no km 22.

Chegamos no corte com 4h10min, com uma hora e meia de gordura para o corte. Tomamos Red Bull, sopa, abastecemos nossas mochilas e 15min depois seguimos. Iniciamos a terceira subida da prova até o km 26. E que senhora subida!

Neste ponto era hora de tomar minha decisão, parar por ali ou seguir para completar uma distância que eu não estava apropriadamente treinada. Eu estava me sentindo muito bem, sem nenhuma dor, e não tinha motivos que me fizessem desistir. Optei por seguir junto com a Barbara e com o Paulo que se juntou a nós no ponto de corte.

Foi nesse ponto que a brincadeira começou a ficar séria. Iniciamos a principal, mais temida e última subida insana da prova. O Morro do Araçatuba com seus 1600mts de altitude. Do km 26, até o 34 subiríamos 900+. E é nessa subida que o filho chora e a mãe não vê. Muitos charcos, onde afundávamos até o joelho. Extremamente difícil. Finalmente chegamos ao cume do Araçatuba com 7h35min de prova…

Mas ainda faltavam mais 12km de descida. E nem vem falar que na descida todo santo ajuda, que é mentira. Hahahah
Na descida do Araçatuba até santo chora.
Quando iniciamos a descida, fiz uma projeção que chegaríamos em 9h30/9h45…

Mas eu não esperava que ela seria tão dura. Demoramos quase 3 horas pra completar os últimos 10km…
E finalmente fechamos a prova em 10h35 minutos. Restando apenas 25′ para o corte final de 11h totais. (Obs: ainda não consegui saber se eram 11h ou 11h30 o corte final, pois no número de peito estava escrito 11h30, mas quando deu 11h o locutor da prova anunciou que estava encerrada a prova dos 45km).

Eu nem acredito que consegui terminar bem essa loucura. Confesso que depois do km 35 eu fiquei me questionando porque fiz isso. Bateu aquela canseira de quem não treinou o suficiente.

Parabéns pela prova

Gostaria de agradecer imensamente à Barbara e ao Paulo que foram muito parceiros. Seguimos juntos a prova toda é isso foi fundamental. Diversão mesmo no perrengue.

Parabéns a todos meus alunos que concluíram a prova de montanha mais difícil do Brasil.

Diego Ferrari, Diego Faria, Marcão, Paulo, Barbara, Renier, Nani, Bernardo, Gui… vocês mandaram muito bem! Parabéns!

E um parabéns merecidamente especial ao Diego Ferrari que ficou em 6º lugar, apenas 2′ atrás do 5º colocado (sendo que os 5 primeiros eram atletas de elite). Mas garantiu o 1º lugar na categoria. Que feito!!

Parabéns pra Nani que levou o 2º lugar na categoria nos 13km. Mandou bem demais!

E eu e a Barbara levamos o primeiro e segundo lugar na categoria. Largamos juntas e chegamos juntas então nos definimos campeãs hahaha
Valeu parceira, não sei o que será correr o Montblanc sem você. ?

Para finalizar… essa prova não é para qualquer um! O nível de dificuldade exige muito treino e experiência. Exige muita cabeça. Se inscrevam com consciência que vocês enfrentarão a prova mais difícil do Brasil. Parabéns TRC, é uma prova que merece respeito.

E no final fomos brindados com esse por do sol incrível. E ainda me perguntam porque eu gosto tanto das montanhas…

#televopratrilha

http://trcbrasil.com/etapa/ultra-trail-perdidos/

2 comentários sobre “Ultramaratona dos Perdidos – Agora foi!

  1. Nani disse:

    Que post! Que prova dura Meldels do céu! Obrigada por todas as orientações coach! Sem vc ter me passado essas experiências de trilha eu não teria terminado essa prova não!

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