Travessia Marins – Itaguaré – A tentativa

Este último fim de semana, nosso objetivo único era fazer a Travessia Marins – Itaguaré. Sabíamos da alta dificuldade desta travessia, o quanto ela é desafiadora e imprevisível. Tínhamos plena consciência disto. Só não contávamos com uma forte chuva…

Antes de sair

Sexta, 20/01, alugamos uma Doblò, pois estávamos em 6 pessoas e não queríamos ir com nossos carros, pois a estrada judia, assim fomos todos juntos. É claro que ai a diversão já estava garantida. Convidamos os nossos amigos e alunos, Jimi, Danilo, Marcelo e Paulo, que toparam nos ajudar nessa difícil travessia.

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Saímos de SP às 21h, o que foi um pouco tarde, mas pelo menos assim evitamos aquele trânsito caótico das sextas. Chegamos na Pousada do Maeda, quase 2h da madrugada. Nossa intenção era iniciar a trilha às 6h, ou seja, tivemos um pouco mais de duas horas de sono (o que eu não aconselho rsrs). Às 5h estávamos de pé, tomando café, e partindo para o acampamento base do Marins, a 8kms dali. Seu Maeda, nos levou de carro até lá.

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No acampamento base nos encontramos com o Fabrício, amigo do Jimi, que iria fazer a travessia junto com a gente. O Fabrício é bem experiente em montanha, e nos ajudou muito. Adentramos a trilha por volta de 6h30, o tempo estava bem fechado, mas não chovia. A trilha começava por um estradão, então fomos em um trote leve nos trechos mais planos. Mas preferimos nos poupar nesse começo, pois ainda teria muito chão, então nas subidas preferimos manter um trekking forte.

Logo chegamos no Morro do Careca, onde já temos uma vista incrível. Quando saímos dali, erramos um pouco o caminho. O certo seria seguir a direita e fomos pela esquerda. Só nos demos conta que estávamos errados pois o Fabrício, que havia se distanciado um pouco da gente, não chegava ali onde estávamos. Foi então que voltamos e percebemos o erro. Até neste trecho, mais precisamente nos primeiros 3km, eu (Isadora) não estava me sentindo muito bem, a sensação era de pressão baixa. No café da manhã não comi o que estava acostumada e acredito que possa ter sido isso que me fez passar mal. Comi uma barra de proteína e depois disso voltei a me sentir bem.

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Morro do Careca

A partir daí a subida ficou bem mais íngreme, e o ritmo diminuiu bastante. É uma progressão bem lenta, pois era praticamente uma escalaminhada. A dificuldade era alta, e em vários momentos técnicas de escalada eram de grande valia. Já estava bem difícil com o terreno seco. Então começou a chover. Começou com uma chuva leve, mas que logo se tornou torrencial. E o terreno começou a ficar bem mais escorregadio. Com a chuva, o frio começou a apertar, pois ficamos com as calças e shorts bem molhados. A Sa, não estava de Anorak, estava apenas com um corta-vento um pouco mais grosso. Ela, então, começou a sentir muito frio. Neste momento começamos a ficar com medo que ela entrasse em hipotermia. Eu tinha um corta-vento extra comigo, então ela tirou o molhado e colocou o meu.

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Continuamos subindo, e chegamos na base do cume, ondo o Pico do Marins e do Marinzinho se revelam. Neste momento a chuva apertou mais ainda. Foi então que tivemos que tomar a difícil decisão, continuar ou retornar. Como a progressão era muito lenta, não conseguíamos nos manter aquecidos. Estávamos todos com muito frio, mas a Sa estava congelando. Analisamos todas as possibilidades, e tomamos a decisão mais segura. Retornar. Poderíamos arriscar continuar subindo, mas e se o tempo piorasse, muito provavelmente não conseguiríamos fazer a travessia completa e com segurança e ainda por cima não apreciar nenhuma paisagem. Tomamos a melhor decisão. Claro que ficamos tristes, e com aquela sensação engasgada de não conseguir, mas em se tratando de alta montanha, a força da natureza deve ser respeitada. E a nossa segurança e saúde deve ficar sempre em primeiro lugar.

Chuva, muita chuva!

Descemos, e voltamos para a pousada correndo. Totalizamos 20kms com 1000 mts +.

Descendo

Descendo

A montanha sempre estará lá. Não somos do tipo de desistir fácil, e com toda certeza voltaremos. Adquirimos experiências valiosas. E nos divertimos muito.

Pousada do Maeda

Quem já esteve no Marins, provavelmente já ouviu falar do Sr. Maeda. Um japonês gente boa demais que nos recebeu gentilmente em sua pousada. Uma pousada simples que acomoda 30 pessoas. Sr. Maeda tem muita história pra contar. Muitas mesmo. E foi ele quem abriu a Travessia em 1993. Uma lenda viva. Nos serviu um belo almoço e no jantar um Yakisoba divino, tudo feito pela sua querida esposa. Um muito obrigada ao Sr. Maeda por essa experiência incrível. E obrigada ao Gambá por ter nos indicado. =]

Obs. A pousada tem uma estrutura boa, é simples, o café da manhã é básico. Portanto, se gosta de comer outras coisas além de pão de forma, queijo, manteiga, mel, café e leite, recomendamos levar sua comida. A caminhada é difícil e é necessário se alimentar do jeito que está acostumado. A experiência de conhecer o Sr. Maeda é essencial, recomendamos a pousada.

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Yakissoba na Pousada

Agradecimentos especiais: Jimi, Danilo, Paulo, Marcelo e Fabrício, sem vocês essa aventura não seria possível. Obrigada por serem tão parceiros. Vocês são demais!

INFORMAÇÕES ÚTEIS

  • Telefone da Pousada do Maeda: (35) 99949 8803
  • Pousada do Maeda: R$ 65,00 a diária por pessoa. Duas diárias com café da manhã incluso: R$ 130,00;
  • Alimentação: Almoço + Jantar (2 refeições) na Pousada:  R$ 60,00 para cada um;
  • Transporte até o acampamento base: R$ 40,00 cada pessoa no carro do Maeda;
  • Carro e combustível (saindo de SP): R$ 600,00 aproximadamente – R$ 100,00 por pessoa
  • Alimentação na estrada: R$ 50,00 aproximadamente para cade um.
  • Custo total: 380,00 cada
  • O que levar: Confira o post exclusivo – clique aqui

Em breve voltaremos!! E claro, te levamos pra trilha! =]

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