Transmantiqueira Day 2 – Travessia Serra Fina

Continuando a nossa saga pela Mantiqueira…

Treino para o UTMB – CCC

Após fazer a Travessia Marins-Itaguaré no sábado (link aqui), domingo foi o dia de fazer a desafiadora Travessia da Serra Fina em apenas um dia. Para quem não conhece, essa travessia é considerada a mais difícil do Brasil, com 32kms de distância e acumulando 2810mts de desnível positivo, saindo da toca do Lobo em Passa Quatro e chegando em Itamonte, na rodovia próximo ao Hostel Picus. O terreno é extremamente técnico, com subidas em cordas, descidas íngremes e muito capim amarelo na altura da cabeça. Então pega a caneca de café, coloca pra tocar a playlist do filme Into to the Wild e senta que lá vem história.

começa a brincadeira

Acordamos às 3h da madrugada e 3h30 da manhã o café estava na mesa. Marissol nós te amamos!! Saímos de Itanhandu rumo à Passa Quatro às 4h30 da manhã e 5h30 já estávamos na Toca do Lobo. Começamos a subida ainda estava escuro, e mais uma vez vimos o sol nascer na Serra Fina: espetáculo!

O caminho é incrível, e já devo ter subido no Capim Amarelo umas dez vezes, e eu nunca me canso do visual incrível do quartzito.

Chegamos ao cume do Capim Amarelo com 2h30 de travessia. Céu limpo, sem nenhuma nuvem no céu!! Nunca tinha visto o Capim Amarelo tão aberto. O vento estava judiando, então comemos bem rápido e seguimos a travessia rumo à Pedra da Mina.

DO CAPIM AMARELO À pEDRA DA MINA

Do Capim Amarelo até a Pedra da Mina é uma bela pernada, sobe e desce vale, e em várias partes é possível se perder. Como estávamos com guia, foi muito tranquilo. Paramos para “almoçar” antes de atacar o cume da Pedra da Mina. Recuperar as energias pq a subida ali judia muito! Chegamos no cume da Pedra da Mina, o 4º ponto mais alto do Brasil em 7h. Fiquei bem feliz com o nosso tempo, pois da última vez levei 8h até lá…

Quando chegamos lá, encontramos o casal mais querido do perrengue: Se Ela Corre eu Corro – Gabriel e Cris! É sempre muito bom encontrar com esses queridos!! Eles fizeram um bate e volta de SP até Passa Quatro, subiram e desceram via Paiolinho… Se tivéssemos combinado não daria tão certo esse encontro.

DA PEDRA DA MINA ATÉ O PICO DOS TRÊS ESTADOS

Ficamos pouco tempo por ali, e seguimos, pois ainda tinha muito chão. Descemos a Pedra da Mina sentido Vale do Ruah. Dali em diante era caminho desconhecido para mim. O Vale do Ruah, é tipo um brejo, só que com Capim Amarelo passando da cabeça durante uns dois kms. Um labirinto de Capim atolando os pés na lama: maravilhoso!!

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Passando o Ruah, começamos a subida rumo ao Pico dos Três Estados. Recebe esse nome devido ao fato de ser o ponto de divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O caminho até lá é com bastante sobe e desce em cristas e com um visual incrível. Paramos para comer no bambuzal, um pouco antes de atacar o cume. Mais um ponto que é bem fácil de se perder. Fiquem sempre atentos.

Iniciamos a subida do Três Estados já batia 17h, e começava mais um espetáculo da natureza. Nunca tinha visto um por do sol tão maravilhoso. Foi mágico. À esquerda o por do sol, à direita a luz refletia no Pico das Agulhas Negras e Prateleiras. Só agradecer por estar viva, com saúde e poder desfrutar de momentos tão incríveis.

DO PICO DOS TRÊS ESTADOS AO FINAL DA TRAVESSIA

Curtimos um pouco o pôr do sol e seguimos rumo ao Alto dos Ivos, o último pico da travessia, pois dali pra frente seria mais difícil pois o cansaço já batia, e com a noite tudo se torna mais difícil. Chegamos no Alto dos Ivos já eram umas 19h e pausa rápida para comer pois quase congelamos. Céu estrelado, sem nenhuma nuvem no céu. Outro espetáculo. Apagamos as lanternas e por alguns instantes ficamos em silêncio no absoluto breu, apenas vendo a magnitude do céu. Uau! Nunca vi nada parecido, pena que a câmera do celular não consegue captar as estrelas.

Iniciamos a descida com o frio já judiando. Sensação de que não acabaria nunca. Víamos as luzes da cidade ao longe, e quanto mais a gente descia, mais longe elas ficavam. Eu já estava no piloto automático. Pés doendo, fome de comida, e um pequeno mau humor batendo. Respirei fundo e tentei não pensar.

Já batia 15 horas de travessia e já não tínhamos mais pernas para correr nem na descida. Finalmente chegamos ao hotel do Pierre, um hotel desativado (antes o resgate podia ir até ali). Faltavam só mais 2km para chegar até a rodovia. E finalmente depois de 16h chegamos!! Gabriel nos esperava com cerveja. Completamos o 2º dia!! Cansativo mas extremamente recompensador!! Voltamos para o hostel, comemos e fomos dormir sem saber se iríamos ou não para o terceiro dia…

Resumo

Travessia Serra Fina

Saída: Toca do Lobo – Passa Quatro

Chegada: Itamonte

Distância: 32km

Tempo: 16h26min

Desnível Positivo: 2795mts

Desnível Negativo: 2795mts

Altitude Máxima: 2738mts (Pedra da Mina)

Serra Fina – Passa Quatro – MG

Se você me perguntar qual a montanha mais linda que eu fui, certamente a Serra Fina estará entre as três primeiras. Localizada em plena Serra da Mantiqueira, no município de Passa Quatro, MG, ela encanta pela beleza e pela imponência. Pequena, pacata e com todos os encantos de uma típica cidade mineira (tem até um trem que corta a cidade e dá para fazer passeios), Passa Quatro fica à 242km de São Paulo.

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Fim de semana seguinte ao carnaval, nada melhor para “começar” o ano do que um super treino na Serra Fina. Fomos em um grupo de 12 pessoas, e nos hospedamos no Refúgio Serra Fina (no final explico sobre este hotel INCRÍVEL).

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Nosso grupo era bem homogêneo no quesito condicionamento físico. Então nos dividimos em dois grupos, os meninos que foram guiados pelo Jimi, que já conhecia bem  o local, e as meninas que foram guiadas por mim (Isadora) e pelo Paulo, que roubei do grupo dos meninos para me dar um apoio.

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A Serra Fina pode ser explorada de duas formas:

Travessia da Serra Fina: Saindo do Refúgio, você atinge o Capim Amarelo e a Pedra da Mina, retornando pelo Paiolinho. Dessa forma é preciso que alguém faça o resgate na descida do Paiolinho.

OU

Capim Amarelo (bate e volta): Saindo do Refúgio, atinge o Capim Amarelo e volta pelo mesmo caminho.

Fizemos apenas o Capim Amarelo. Este percurso tem 12km, com 1200mts + de ganho de altimetria, fizemos em aproximadamente 6h00, mas fizemos muitas paradas para fotos. Saímos do Refúgio às 5h, e como ainda era horário de verão, ficamos um bom tempo no escuro. O sol nasceu por volta das 6h30, e foi o nascer do sol mais espetacular que já vi na minha vida.

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A medida que o sol nascia e “batia” na crista, fazia um contraste de cores indescritível. E diga-se de passagem, correr na crista da Serra Fina é uma experiência única, faz você perceber o quanto somos pequenos perto da grandiosidade da natureza. Quando atingimos o topo do Capim Amarelo, com  seus 2491mts de altitude, a visibilidade não era muito boa, pois as nuvens cobriram bastante, mas a sensação de estar acima das nuvens é gratificante. Lá no topo tem um livro de assinaturas para deixar marcada sua passagem por lá. Na volta, paramos na Toca do Lobo, uma pequena cachoeira de águas geladas, que revigorou pós o esforço.

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A Serra Fina é incrível e extremamente desafiadora, porém tem um nível de dificuldade elevado. Não recomendo pessoas que não tenham um mínimo de condicionamento encarar. Recomendo que quem quiser fazer este trekking, faça uma preparação física antes, pois mesmo alguns alunos que já estão acostumados com corrida de montanha, sentiram bastante dificuldade.

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O Refúgio Serra Fina (isso não é jabá)

Se hospedar no Refúgio é uma experiência à parte. Localizado aproximadamente 30 minutos de Passa Quatro (uma estrada de difícil acesso, não recomendada para carros 1.0 rsrs). Fica na “boca”da trilha para a Serra Fina. Lá você tem duas opções de hospedagem. Suítes ou Alojamentos. As suítes custam 275,00 a diária para duas pessoas (aos fins de semana, reserva mínima de dois dias). E os alojamentos 110,00 a diária. Ambos tem acomodações excelentes.

No fim de semana que fomos, estava apenas nosso grupo e mais um casal, então eles deram um up grade na nossa acomodação (do alojamento para as suítes sem custo adicional). O café da manhã está incluso na diária e eles oferecem almoço e jantar, por 38,00 por pessoa. Praticamente um banquete, onde você come à vontade, uma comida deliciosa e MINEIRA. Nos atenderam muito bem, sempre solícitos. E quando saímos para trilha nos forneceram rádios para caso precisássemos nos comunicar em caso de alguma urgência. Recomendo de olhos fechados.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

  • Para mais informações: www.refúgioserrafina.com.br
  • Hospedagem no Refúgio Serra Fina: R$ 110,00
  • Combustível: R$ 50,00 para cada (fomos em 4 em um carro)
  • Alimentação: +/- R$ 100,00
  • Total: R$ 260,00

E fiquem ligados que nosso próximo destino já está definido para Maio… Quem vem?