Cachoeira Santa Bárbara, Chapada dos Veadeiros – Dia 3

Um dia antes fizemos dois passeios: Cachoeira do Segredo e Mirante da Janela (clique aqui). O River, nosso guia, deixou bem claro que deveríamos nos encontrar às 5h da manhã, sem atrasos, para chegar na Cachoeira Santa Bárbara a tempo de conseguir senha. Motivo: são 300 pessoas a entrada máxima permitida, uma corrida contra o tempo no feriado.

Essa Cachoeira é uma das mais procuradas pela sua cor azul cristalina, ela se localiza na cidade de Cavalcante na comunidade quilombola  Kalunga, que  fica a 90kms de São Jorge ou a 122kms de Alto Paraíso. A comunidade administra toda a visitação da Cachoeira.

cachoeira santa bárbara vista do drone

Essa lotação vem de pouco tempo, portanto se você for em outros blogs com relatos anteriores a 2017 vai ver que era tranquilo entrar na cachoeira sem se preocupar tento com o horário.

A esperA

Bom, como o nosso guia foi enfático em relação a isso, dessa vez não nos atrasamos como nos outros dias. Chegamos lá e já tinha uma fila imensa, pegamos a senha 148, em questão de 30 ou 40 minutos as senhas acabaram. Na fila, muita discussão, muitos guias levando grupos que não conseguiram entrar, muito grupo bravo com o guia, gente brigando porque guias seguram vagas dos clientes que ainda não chegaram, ou seja, um fusuê, mas conseguimos!! Enquanto o River ficou na fila, fomos tomar café da manhã ali na comunidade que o River já tinha feito a reserva.

Aí quando você acha que está tudo maravilhoso, que vamos logo entrar na Cachoeira….pura ilusão! Você vai pra outro lugar, estaciona o carro e fica na fila pra entrar na estrada que vai pra cachoeira. Não sei exatamente quantos grupos são permitidos ao mesmo temo dentro da Santa Bárbara, só sei que só entrava um grupo quando saía o outro. Cada grupo pode ficar durante 1 hora, no máximo, lá dentro. Nossa vez chegou às 11h. Cansativo, tem que ser muito bonita mesmo!!

eNFIM, cACHOEIRA sANTA bÁRBARA

Entramos com o carro alugado, um Spin, deu tudo certo, porque o River conhecia cada buraco e cada poça de lama, sabia exatamente por onde passar. Mas, se você tiver dúvidas se seu carro vai passar na buraqueira e na lama ou não quiser colocar seu carro nessa situação é só contratar o pau de arara que os quilombolas oferecem.

Entramos e pegamos a estrada bem ruim, estacionamos e andamos por a pé por uns 2 kms num trilha bem tranquila.

pessoas na trilha pessoas na trilhaChegando lá uma maravilha, a Cachoeira realmente é muito bonita, com uma cor impressionante. E o mais legal, no horário que entramos o sol estava bem lá em cima, o que deixa a cachoeira muito mais azul e cristalina. Esperamos muito, mas foi recompensador.Aproveitamos muito, porque só tínhamos uma hora. Então, passamos todo o tempo na água. Foi uma delícia. Valeu a pena! Mas, não sei se eu iria de novo, é um lugar obrigatório de se visitar, mas não sei se ficaria nessa fila novamente.Mais em baixo pode-se entrar nessa queda menor, mas em feriado, fica fechada pra preservação!Almoçamos na comunidade, o almoço estava uma delícia, muito farta, muita coisa boa. Com direito à rede, excelente!!na rede

dicas e informações

-Chegar, no máximo, às 6h para ficar na fila da senha. Com a crescente procura, da próxima iria até mais cedo. Começaram a distribuir as senhas às 7h e entramos às 11h.

-R$ 20,00 a entrada da Cachoeira Santa Bárbara e R$ 10,00 para outras Cachoeiras. Uma das integrantes do grupo que já tinha ido, falou que não valia muito a pena ir nas outras, a não ser que você não consiga entrar pra Santa Bárbara.

-Local: Cavalcante, comunidade quilombola Kalunga: quilombokalunga.org.br

-Obrigatório a contratação de um guia. O nosso era de São Jorge, mas você pode contratar um guia local. O ideal é combinar tudo antes se você for num feriado.

-Café da manhã à vontade: R$ 10,00

-Almoço à vontade: R$ 30,00

– Se quiser contratar o pau de arara, sai por R$20,00

-Abasteça o carro antes, não tem posto de gasolina lá.

Cachoeira dos Couros, Chapada dos Veadeiros – Dia 1
Cachoeira do Segredo e Mirante da Janela, Chapada dos Veadeiros – Dia 2

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1

Do Guiné à Dona Raquel

No post anterior conto como foi nossa decisão sobre o roteiro do Vale do Pati e o passeio incrível à Cachoeira do Buracão, sim ela é mesmo imperdível!

Clique aqui – Cachoeira do Buracão

Continuando..

No dia 16/11 acordamos cedo, tomamos café da manhã em Mucugê já com nosso querido guia José Antônio. Zé deixou tudo preparado com uma moradora para que ela fizesse o café bem cedo, porque na nossa pousada não tinha. Comendo ali, quase esquecemos que tínhamos que ir, estava tão bom o café da manhã. A parte da comida eram momentos especiais pra gente! Kkkk

O Zé entregou nosso kit lanche (muita comida) com um suco congelado feito por ele pra gente colocar na mochila. Pegamos a Van que ele reservou e partimos sentido Vila do Guiné. Nosso roteiro era de Guiné a Andaraí por dentro do Vale, totalizando 4 dia e 3 noites.

Partiu Vale do Pati

Eu (Sassa), Isa, Bárbara, Deinha e Emerson adotamos já de início um bom ritmo, a trilha já começa subindo. Pedimos o maior roteiro possível pra 4 dias, então no primeiro dia andamos 22kms.

Felicidade por estar ali!

Passamos por descampados, por zonas alagadas (tinha chovido antes), por rios, por todo tipo de vegetação, seguimos pelos Gerais do Rio Preto. Fiz algum esforço para não molhar os pés em todo o percurso, tem uma infinidade de relatos de pessoas que se deram mal já no primeiro dia por causa de bolhas, machucados nos pés.

E chegamos no Mirante do Pati. Dali era possível ver nosso roteiro dentro do Vale, nossos próximos dias estavam ali bem diante dos nossos olhos. Ansiedade tomava conta! Tiramos muitas fotos, aproveitamos bem o visual.

Mirante do Pati

Continuamos seguindo pelos Gerais do Rio Preto chegando ao Cachoeirão por cima.

Da esq. pra dir.: Isa, Sassa, Deinha, Emerson e Ba! Zé, tirando a foto!

Primeiro mirante do Cachoeirão era impressionante, apesar de não ter tantas quedas como em época de cheia, estar à beira do abismo é tenso e ao mesmo tempo maravilhoso, pela paisagem que ele proporciona. Foi uma sensação única, de querer ficar ali deitada à beira do abismo olhando, olhando, olhando, quase uma hipnose. Como se não bastasse toda aquela vista, vimos um arco íris, formando uma cena única.

Cachoeirão por cima.

Com direito à arco-íris.

Próximo mirante do Cachoeirão é onde as pessoas corajosas tiram fotos bem na pontinha da pedra, eu sinceramente, acho desnecessário. Haahha.

Aliás, o Zé era extremamente cauteloso e respeitoso com a natureza. Ele fica um pouco tenso nos momentos dos abismos, porque as pessoas às vezes são mto ansiosas e vão com mta sede ao pote, querendo tirar fotos malucas, colocando suas vidas em risco. Ele era muito calmo, nos passava calma, porque afinal, o que mais importa ali é o que podemos sentir diante da paisagem impressionante, e não a foto! Sua atenção era enorme, pedia pra gente ficar em silêncio (tarefa difícil) pra que ouvíssemos os sons. Enfim, a viagem começava a tomar forma, ali senti que ela seria especial e não teria chance de não ser.

Cachoeirão por cima de outro anglo.

Momento mais esperado do primeiro dia, aliás em todos os dias, o momento mais esperado era o da comida! Hah Hora de abrir o kit lanche, que felicidade. Babem, o kit lanche tinha frutas (banana, goiaba,manga) , uns 4 sanduíches, chocolate, barra de cereal, biscoito salgado, broa de milho, ovo cozido, Jose tira da mala dele, azeite, sal, temperos, estou esquecendo de mais coisas aí, era muita comida, uma delicinha. A Isa, vegetariana, também tinha seu kit montado especialmente pra ela.

Nessa hora Zé percebeu que a gente comia de verdade e que ninguém ali se preocupava muito em chegar tarde no destino, ninguém tinha muita pressa. Andávamos rápido, mas quando parava, a gente parava de verdade. Isso foi comum durante toda a viagem. Até pra ver as mulas passarem a gente parou!

Esperando as mulas passarem.

Anda, anda, anda, anda, parece que vai chegar, mas anda mais e mais. Nessa hora percebi que algo estranho acontecia no meu pé: sabe aquelas linhas digitais? Elas davam indícios de estarem muito profundas, e meu medo era que elas rachassem, formando uma fissura. Mas, estávamos quase lá, quando pisei numa pedra mais pontuda e senti que fez uma abertura nessa linha digital.

Pronto, era eu me dando mal já no primeiro dia, pensei! Mas, ali chegando na Dna. Raquel, disse pra mim mesma que aquilo não me venceria, que ia cuidar direito do pé e que se fosse pra fazer a trilha com o pé todo estrupiado, eu ia fazer, não ia usar o e-mule (piada interna), quis dizer não ia sair do Vale do Pati de mula.

Chegamos, entramos no nosso quarto, Deinha e Emerson ficaram em quarto de casal e tomamos aquele banho gelado.

Casa da Dna. Raquel

A casa da Dna. Raquel é grande, tem quartos na parte de cima e de baixo, mesmo assim estava cheio quando chegamos, tem uma mini vendinha junto com o bar, dois mirantes, três banheiros em baixo e em cima. Infelizmente, não conhecemos a Dna. Raquel que mora hoje em dia na cidade, e vai somente visitar, conhecemos os filhos que tomam conta.

Aquela hora mais esperada chegava..eee hora boa, o jantar. A mesa do lado cantava Mantras, a gente comendo igual uns desesperados, Zé contando histórias. Conheci um outro guia que tinha ido também pro Vale com a minha irmã, anos atrás, o Henrique, batemos muito papo com ele, mais uma pessoa ali que se tornava especial em menos de 4 horas de convívio. Comemos mais um pouco e mais e tomamos café e mais café e hora de dormir. Café da manhã seria servido às 7h, amém!

Próximo post, vamos falar do segundo dia no Pati: Morro do Castelo, Cachoeira do Funil e a incrível noite na Dna Raquel com direito à cachaça, fogueira e forró!

Até mais!

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
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Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina