Cachoeira do Segredo e Mirante da Janela, Chapada dos Veadeiros – Dia 2

Nosso segundo dia de Trekking pela Chapada dos Veadeiros foi o mais intenso.

Isadora e Sassa começando o 2º dia de Trekking

cachoeira do segredo

Acordamos cedinho e fomos direto para a Cachoeira do Segredo. Se você está indo com a intenção de conhecer muitos lugares e não pegar as trilhas muito lotadas recomendamos que você saia bem cedo. E nisso o nosso guia acertou em todas. De Alto Paraíso até São Jorge são 38km, e de São até a entrada para a Cachoeira são 13km. A placa indicando a entrada fica à esquerda.

Pegada de Jaguatirica

Mina d’água no meio da trilha

A entrada para a trilha custa 25,00. Chegamos na entrada às 8h, pagamos e seguimos de carro por mais 1km (se vc estiver com um carro 4×4 da pra seguir até um pouco mais adiante – passa por vários riozinhos, mas se o carro for baixo não é aconselhável passar).

A partir daí são 4km de trilha bem tranquila, passando por rios de água cristalina e um visual incrível.

E quando a gente chega na Cachoeira: UAU! Que lugar!! A Cachoeira do Segredo possui 115 metros de altura e é possível nadar até em baixo da queda. A água é bem gelada, mas no cantinho direito da queda cai uma água quentinha, onde é possível se sentar e curtir muito esse lugar especial. Mas só nade até lá se estiver com o condicionamento em dia, a correnteza da Cachoeira dificulta um pouco a chegada, mas super tranquilo pra quem está fisicamente ativo. A água é muito gelada pois nessa época do ano não bate sol. Entre setembro e março o sol ilumina e deixa a Cachoeira do Segredo mais linda ainda.

Quando chegamos na Cachoeira tinham apenas duas pessoas. Quando estávamos indo embora, praticamente lotou. Então se você quer curtir o lugar com mais tranquilidade saia cedo.

Ache a Isa na foto

Saímos da trilha por volta das 12h e fomos almoçar na Vila de São Jorge. Lugar super fofo e bem menor que Alto Paraíso, mas que tem um charme especial.

mirante da janela

Almoçamos e seguimos para a trilha que dava acesso ao Mirante da Janela. É bem fácil de chegar saindo de São Jorge, aproximadamente 1km, até a entrada. O ingresso para a trilha custa 15,00. Optamos por fazer ela à tarde pois queríamos curtir o por do sol lá do topo, e de quebra ver a lua que estaria cheia bem naquele dia.

A trilha do Mirante da Janela ao meu ver foi a mais difícil de todas que fizemos na chapada. Tem bastante subida e descida em terreno bem técnico. São 3km para ir, mais 3km para voltar. Para quem já está acostumado com trilhas é bem tranquilo. Para quem está sedentário nessa terá uma dificuldade maior.

O sobe e desce da trilha!

Quando chega no topo, lá no Mirante da Janela, você tem um dos visuais mais lindos e incríveis da Chapada dos Veadeiros. À direita, avistamos os Saltos do Rio Preto, que ficam dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e à esquerda você é presenteado com um por do sol maravilhoso.

Ficamos lá bastante tempo, curtindo o por do sol, tirando mil fotos e esperando a bela Lua cheia. Mas o tempo ficou um pouco nublado e não conseguimos vê-la nascer. Mas no caminho de volta fomos recompensados com ela linda e gigante iluminando nossa trilha. Quando a trilha ficou mais aberta, desligamos nossas lanternas e seguimos até o fim somente com à luz da lua. Simplesmente incrível!!

Time!

A lua iluminando nosso trekking noturno

Nesta trilha também tem a Cachoeira do Abismo, mas como já estava em tempo de seca, ela estava quase sem água.

Se eu puder te dar uma dica é: quando for à Chapada dos Veadeiros coloque esses dois passeios como prioridade. São realmente únicos.

Sassa e a foto clássica do Mirante

veja também:

Dia 1 – Catarata dos Couros
Dia 3 – Cachoeira Santa Bárbara
Dia 4 – Vale da Lua e Loquinhas

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1

Do Guiné à Dona Raquel

No post anterior conto como foi nossa decisão sobre o roteiro do Vale do Pati e o passeio incrível à Cachoeira do Buracão, sim ela é mesmo imperdível!

Clique aqui – Cachoeira do Buracão

Continuando..

No dia 16/11 acordamos cedo, tomamos café da manhã em Mucugê já com nosso querido guia José Antônio. Zé deixou tudo preparado com uma moradora para que ela fizesse o café bem cedo, porque na nossa pousada não tinha. Comendo ali, quase esquecemos que tínhamos que ir, estava tão bom o café da manhã. A parte da comida eram momentos especiais pra gente! Kkkk

O Zé entregou nosso kit lanche (muita comida) com um suco congelado feito por ele pra gente colocar na mochila. Pegamos a Van que ele reservou e partimos sentido Vila do Guiné. Nosso roteiro era de Guiné a Andaraí por dentro do Vale, totalizando 4 dia e 3 noites.

Partiu Vale do Pati

Eu (Sassa), Isa, Bárbara, Deinha e Emerson adotamos já de início um bom ritmo, a trilha já começa subindo. Pedimos o maior roteiro possível pra 4 dias, então no primeiro dia andamos 22kms.

Felicidade por estar ali!

Passamos por descampados, por zonas alagadas (tinha chovido antes), por rios, por todo tipo de vegetação, seguimos pelos Gerais do Rio Preto. Fiz algum esforço para não molhar os pés em todo o percurso, tem uma infinidade de relatos de pessoas que se deram mal já no primeiro dia por causa de bolhas, machucados nos pés.

E chegamos no Mirante do Pati. Dali era possível ver nosso roteiro dentro do Vale, nossos próximos dias estavam ali bem diante dos nossos olhos. Ansiedade tomava conta! Tiramos muitas fotos, aproveitamos bem o visual.

Mirante do Pati

Continuamos seguindo pelos Gerais do Rio Preto chegando ao Cachoeirão por cima.

Da esq. pra dir.: Isa, Sassa, Deinha, Emerson e Ba! Zé, tirando a foto!

Primeiro mirante do Cachoeirão era impressionante, apesar de não ter tantas quedas como em época de cheia, estar à beira do abismo é tenso e ao mesmo tempo maravilhoso, pela paisagem que ele proporciona. Foi uma sensação única, de querer ficar ali deitada à beira do abismo olhando, olhando, olhando, quase uma hipnose. Como se não bastasse toda aquela vista, vimos um arco íris, formando uma cena única.

Cachoeirão por cima.

Com direito à arco-íris.

Próximo mirante do Cachoeirão é onde as pessoas corajosas tiram fotos bem na pontinha da pedra, eu sinceramente, acho desnecessário. Haahha.

Aliás, o Zé era extremamente cauteloso e respeitoso com a natureza. Ele fica um pouco tenso nos momentos dos abismos, porque as pessoas às vezes são mto ansiosas e vão com mta sede ao pote, querendo tirar fotos malucas, colocando suas vidas em risco. Ele era muito calmo, nos passava calma, porque afinal, o que mais importa ali é o que podemos sentir diante da paisagem impressionante, e não a foto! Sua atenção era enorme, pedia pra gente ficar em silêncio (tarefa difícil) pra que ouvíssemos os sons. Enfim, a viagem começava a tomar forma, ali senti que ela seria especial e não teria chance de não ser.

Cachoeirão por cima de outro anglo.

Momento mais esperado do primeiro dia, aliás em todos os dias, o momento mais esperado era o da comida! Hah Hora de abrir o kit lanche, que felicidade. Babem, o kit lanche tinha frutas (banana, goiaba,manga) , uns 4 sanduíches, chocolate, barra de cereal, biscoito salgado, broa de milho, ovo cozido, Jose tira da mala dele, azeite, sal, temperos, estou esquecendo de mais coisas aí, era muita comida, uma delicinha. A Isa, vegetariana, também tinha seu kit montado especialmente pra ela.

Nessa hora Zé percebeu que a gente comia de verdade e que ninguém ali se preocupava muito em chegar tarde no destino, ninguém tinha muita pressa. Andávamos rápido, mas quando parava, a gente parava de verdade. Isso foi comum durante toda a viagem. Até pra ver as mulas passarem a gente parou!

Esperando as mulas passarem.

Anda, anda, anda, anda, parece que vai chegar, mas anda mais e mais. Nessa hora percebi que algo estranho acontecia no meu pé: sabe aquelas linhas digitais? Elas davam indícios de estarem muito profundas, e meu medo era que elas rachassem, formando uma fissura. Mas, estávamos quase lá, quando pisei numa pedra mais pontuda e senti que fez uma abertura nessa linha digital.

Pronto, era eu me dando mal já no primeiro dia, pensei! Mas, ali chegando na Dna. Raquel, disse pra mim mesma que aquilo não me venceria, que ia cuidar direito do pé e que se fosse pra fazer a trilha com o pé todo estrupiado, eu ia fazer, não ia usar o e-mule (piada interna), quis dizer não ia sair do Vale do Pati de mula.

Chegamos, entramos no nosso quarto, Deinha e Emerson ficaram em quarto de casal e tomamos aquele banho gelado.

Casa da Dna. Raquel

A casa da Dna. Raquel é grande, tem quartos na parte de cima e de baixo, mesmo assim estava cheio quando chegamos, tem uma mini vendinha junto com o bar, dois mirantes, três banheiros em baixo e em cima. Infelizmente, não conhecemos a Dna. Raquel que mora hoje em dia na cidade, e vai somente visitar, conhecemos os filhos que tomam conta.

Aquela hora mais esperada chegava..eee hora boa, o jantar. A mesa do lado cantava Mantras, a gente comendo igual uns desesperados, Zé contando histórias. Conheci um outro guia que tinha ido também pro Vale com a minha irmã, anos atrás, o Henrique, batemos muito papo com ele, mais uma pessoa ali que se tornava especial em menos de 4 horas de convívio. Comemos mais um pouco e mais e tomamos café e mais café e hora de dormir. Café da manhã seria servido às 7h, amém!

Próximo post, vamos falar do segundo dia no Pati: Morro do Castelo, Cachoeira do Funil e a incrível noite na Dna Raquel com direito à cachaça, fogueira e forró!

Até mais!

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