Travessia Teresópolis – Petrópolis

Travessia em um dia

Ideias de mesa de bar são sempre boas! E foi assim que eu, Ary, Vander e Rafa Bastos decidimos fazer a travessia em 1 dia.

Em 2016, já tinha feito ela da forma mais tradicional, que é de Petrópolis a Teresópolis, com a Isadora e o André. Fizemos o percurso em 9h de forma bem tranquila, saindo às 15h do parque. Para ler o relato, clique aqui.

Travessia Petrô-Terê em 2016. Isa, André e Sassa

Mas, dessa vez, o percurso demoraria um pouco mais hehehe.

Início Terê-Petrô. Rafa Bastos, Rafa Faria, Ary, Vander e eu.

começando a brincadeira

Claro que não saímos cedo com o Ary no grupo Hahaha. Começamos a travessia às 9h26. É perrengue que a gente quer né, só pode ser, porque não existe começar essa travessia as 9h, tá? Kkkk Bom, já sabia que chegaríamos à noite.

A travessia é linda!

A travessia é incrível em qualquer sentido. A única diferença é que fazendo Teresópolis – Petrópolis as montanhas ficam nas suas costas, enquanto fazer o contrário, você vê as montanhas de frente.

Até a placa pro Sino, subimos legal, fomos num ritmo bom, nas minhas contas, em 10h terminaríamos. #sqn

Clássica, foto na placa!

Bom, acontece que fui dessa vez com um grupo maior e não podemos esperar que todos tenham o mesmo ritmo, então a gente acabava andando rápido, mas fazendo inúmeras paradas para esperar.

Chegando no cavalinho, ninguém teve dificuldade pra descer, foi tranquilo. Me apavorei em 2016 para subir por ele, mas olhando ele agora, até que achei tranquilo, acho q hoje em dia, subo numa boa. Atenção: para pessoas menos experientes, convém levar corda!

Agarra no cavalinho e vai! Dessa vez, descendo.

Pegamos um congestionamento no elevador. Uma observação: Gente, por favor, desça o elevador ou suba o elevador do jeito que é pra ser feito que fica mais fácil. Pode dar medo, mas juro que eh mais fácil e rápido. Não tente ir de bumbum, segurando bastão na mão, afinal foram colocados grampos ali pra vocêc descer/subir igual uma escada, porque assim é mais seguro e mais fácil.

Esse não é o elevador da Travessia. Só ilustrando: descer/subir como uma escada.

Congestionamento no elevador!

o dia acaba e a noite chega

Enfim, quando estávamos quase chegando no Açú, vimos um pôr do sol muito maravilhoso, e isso vale muito a pena! Sabíamos que dali em diante era lanterna, casaco e mta descida. Também, teve lua maravilhosa, iluminando nosso caminho!

Nada como um pôr do sol!

Nascer da lua!

Bom, a descida foi interminável, pra variar. Íngrime com areia, no escuro. Joelhos sofreram. Pra quem já tem algum problema nessa articulação, recomendo fazer Petrópolis-Teresópolis. A descida do Açú judia muito. Pra falar a verdade as duas descidas, são intermináveis, de qualquer lado. Mas, terminando por Teresópolis a descida é menos íngrime.

Finalizamos em 12h! Chegamos 1h da manhã em casa.

Descendo o Açu no escuro!

Na semana, descobrimos que um francês estava perdido na travessia. Ele entrou em contato com o bombeiro na sexta, sábado estávamos lá fazendo a travessia, foi resgatado depois de quase uma semana. Deu até um aperto no peito em saber que estava ali fazendo uma travessia e alguém bem perto passando perrengue, de repente ele conseguia ver a gente de longe, com nossas lanternas, fiquei pensando nisso a semana toda. Mas, ainda bem q deu tudo certo e ele foi resgatado com vida. Parabéns a todos os envolvidos no resgate!

Informações e dicas:

http://www.icmbio.gov.br/parnaserradosorgaos/

– Para fazer a travessia em 1 dia, tem que comprar o ingresso para parte alta somente. Em mais dias, consultar valores dos abrigos. Se você não é gringo, o valor é Desconto Brasil.

– São aprox. 30kms de sobe e desce. Tenha certeza que seu grupo tem condições de fazer em 1 dia. Não é fácil e não é para iniciantes, na dúvida faça com tranquilidade, em mais dias.

–  O parque abre 7h, mas você  pode entras às 6h, se já tiver comprado pela internet. Sugiro fazer isso.

– Vá com alguém que conheça ou com guia. Sim, é possível se perder, como aconteceu com o francês, e como acontece todo ano. Também acho que o parque deveria ser melhor sinalizado, mas enquanto isso não acontece, por favor, não seja imprudente.

– Faz frio à noite, o tempo muda muito rápido na montanha, você nunca sabe o que pode acontecer. Leve tudo pra sua segurança. Sugestão: kit de primeiros socorros, cobertor de emergência, luvas, headband, anorak (impermeável), corta-vento. Fora itens como água e comida.

– Tem água em todos os abrigos, duas garrafinhas de 600ml são suficientes.

– Contratamos o Denilson para o resgate. Ele pegou nosso carro em Teresópolis e levou pra portaria de Petrópolis. É de confiança, conhecido por todos. 24 99971-7285

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1

Do Guiné à Dona Raquel

No post anterior conto como foi nossa decisão sobre o roteiro do Vale do Pati e o passeio incrível à Cachoeira do Buracão, sim ela é mesmo imperdível!

Clique aqui – Cachoeira do Buracão

Continuando..

No dia 16/11 acordamos cedo, tomamos café da manhã em Mucugê já com nosso querido guia José Antônio. Zé deixou tudo preparado com uma moradora para que ela fizesse o café bem cedo, porque na nossa pousada não tinha. Comendo ali, quase esquecemos que tínhamos que ir, estava tão bom o café da manhã. A parte da comida eram momentos especiais pra gente! Kkkk

O Zé entregou nosso kit lanche (muita comida) com um suco congelado feito por ele pra gente colocar na mochila. Pegamos a Van que ele reservou e partimos sentido Vila do Guiné. Nosso roteiro era de Guiné a Andaraí por dentro do Vale, totalizando 4 dia e 3 noites.

Partiu Vale do Pati

Eu (Sassa), Isa, Bárbara, Deinha e Emerson adotamos já de início um bom ritmo, a trilha já começa subindo. Pedimos o maior roteiro possível pra 4 dias, então no primeiro dia andamos 22kms.

Felicidade por estar ali!

Passamos por descampados, por zonas alagadas (tinha chovido antes), por rios, por todo tipo de vegetação, seguimos pelos Gerais do Rio Preto. Fiz algum esforço para não molhar os pés em todo o percurso, tem uma infinidade de relatos de pessoas que se deram mal já no primeiro dia por causa de bolhas, machucados nos pés.

E chegamos no Mirante do Pati. Dali era possível ver nosso roteiro dentro do Vale, nossos próximos dias estavam ali bem diante dos nossos olhos. Ansiedade tomava conta! Tiramos muitas fotos, aproveitamos bem o visual.

Mirante do Pati

Continuamos seguindo pelos Gerais do Rio Preto chegando ao Cachoeirão por cima.

Da esq. pra dir.: Isa, Sassa, Deinha, Emerson e Ba! Zé, tirando a foto!

Primeiro mirante do Cachoeirão era impressionante, apesar de não ter tantas quedas como em época de cheia, estar à beira do abismo é tenso e ao mesmo tempo maravilhoso, pela paisagem que ele proporciona. Foi uma sensação única, de querer ficar ali deitada à beira do abismo olhando, olhando, olhando, quase uma hipnose. Como se não bastasse toda aquela vista, vimos um arco íris, formando uma cena única.

Cachoeirão por cima.

Com direito à arco-íris.

Próximo mirante do Cachoeirão é onde as pessoas corajosas tiram fotos bem na pontinha da pedra, eu sinceramente, acho desnecessário. Haahha.

Aliás, o Zé era extremamente cauteloso e respeitoso com a natureza. Ele fica um pouco tenso nos momentos dos abismos, porque as pessoas às vezes são mto ansiosas e vão com mta sede ao pote, querendo tirar fotos malucas, colocando suas vidas em risco. Ele era muito calmo, nos passava calma, porque afinal, o que mais importa ali é o que podemos sentir diante da paisagem impressionante, e não a foto! Sua atenção era enorme, pedia pra gente ficar em silêncio (tarefa difícil) pra que ouvíssemos os sons. Enfim, a viagem começava a tomar forma, ali senti que ela seria especial e não teria chance de não ser.

Cachoeirão por cima de outro anglo.

Momento mais esperado do primeiro dia, aliás em todos os dias, o momento mais esperado era o da comida! Hah Hora de abrir o kit lanche, que felicidade. Babem, o kit lanche tinha frutas (banana, goiaba,manga) , uns 4 sanduíches, chocolate, barra de cereal, biscoito salgado, broa de milho, ovo cozido, Jose tira da mala dele, azeite, sal, temperos, estou esquecendo de mais coisas aí, era muita comida, uma delicinha. A Isa, vegetariana, também tinha seu kit montado especialmente pra ela.

Nessa hora Zé percebeu que a gente comia de verdade e que ninguém ali se preocupava muito em chegar tarde no destino, ninguém tinha muita pressa. Andávamos rápido, mas quando parava, a gente parava de verdade. Isso foi comum durante toda a viagem. Até pra ver as mulas passarem a gente parou!

Esperando as mulas passarem.

Anda, anda, anda, anda, parece que vai chegar, mas anda mais e mais. Nessa hora percebi que algo estranho acontecia no meu pé: sabe aquelas linhas digitais? Elas davam indícios de estarem muito profundas, e meu medo era que elas rachassem, formando uma fissura. Mas, estávamos quase lá, quando pisei numa pedra mais pontuda e senti que fez uma abertura nessa linha digital.

Pronto, era eu me dando mal já no primeiro dia, pensei! Mas, ali chegando na Dna. Raquel, disse pra mim mesma que aquilo não me venceria, que ia cuidar direito do pé e que se fosse pra fazer a trilha com o pé todo estrupiado, eu ia fazer, não ia usar o e-mule (piada interna), quis dizer não ia sair do Vale do Pati de mula.

Chegamos, entramos no nosso quarto, Deinha e Emerson ficaram em quarto de casal e tomamos aquele banho gelado.

Casa da Dna. Raquel

A casa da Dna. Raquel é grande, tem quartos na parte de cima e de baixo, mesmo assim estava cheio quando chegamos, tem uma mini vendinha junto com o bar, dois mirantes, três banheiros em baixo e em cima. Infelizmente, não conhecemos a Dna. Raquel que mora hoje em dia na cidade, e vai somente visitar, conhecemos os filhos que tomam conta.

Aquela hora mais esperada chegava..eee hora boa, o jantar. A mesa do lado cantava Mantras, a gente comendo igual uns desesperados, Zé contando histórias. Conheci um outro guia que tinha ido também pro Vale com a minha irmã, anos atrás, o Henrique, batemos muito papo com ele, mais uma pessoa ali que se tornava especial em menos de 4 horas de convívio. Comemos mais um pouco e mais e tomamos café e mais café e hora de dormir. Café da manhã seria servido às 7h, amém!

Próximo post, vamos falar do segundo dia no Pati: Morro do Castelo, Cachoeira do Funil e a incrível noite na Dna Raquel com direito à cachaça, fogueira e forró!

Até mais!

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 3
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 4
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina