Tudo sobre a Travessia da Serra Fina

Vamos lá que esse post vai ser grande, vou tentar ser bem objetiva. Pra entender, fui no feriado de Páscoa (Abril) e fiz a travessia com mais 9 pessoas, todas montanhistas e experientes, em 3 dias (sex a dom), saímos do Rio de Janeiro até Itamonte.

Travessia da Serra Fina:

32km, 2810m de altimetria acumulada, altitude máxima: 2738m (Pedra da Mina). Faça na temporada de montanha (out/inv) que a chance de chuva é menor.

Sugiro ler o relato de todos os dias para mais informações:

Travessia da Serra Fina – 3 dias – Dia 1

Travessia da Serra Fina – 3 dias – Dia 2

Travessia da Serra Fina – 3 dias – Dia 3

Quantos dias?

A decisão vai depender do condicionamento físico da galera e do quanto você quer curtir os dias na montanha. O mais importante é: a Travessia da Serra Fina é para pessoas experientes em montanha. Fazer trilhas por aí de vez em quando não é ser experiente, pessoal!!

Peguei essa foto do blog: Raffa no Caminho! Ela é ótima pra entender a logística.

1 Dia

Sofrimento e algo desnecessário se você não é atleta, se você não pretende correr um prova de montanha. Pra pessoas muito experientes, que entendem dos riscos envolvidos, não levando uma barraca e saco de dormir pra passar a noite. Não faça sem um guia, não existe possibilidade de se perder tentando fazer em 1 dia e ser pego desprevenido, morrer de hipotermia. Faça pelo menos 1 vez a travessia em mais dias para você ter noção se conseguiria ou não. Muita gente imprudente fazendo isso!! Aqui no blog tem o relato da nossa ATLETA Isadora, clique aqui pra ler.

2 Dias

Para grupos menores, que já tenham muita experiência em montanha, que caminham rápido, que aguentam o stress físico e psicológico e que não tem a intenção de curtir muito acampamento, ou não tem dias suficientes para isso. Aqui no blog tem o relato de uma tentativa em 2 dias e desistência pelo Paiolinho. NÃO É FÁCIL! Clica aqui para ler!

Toca do Lobo ao Vale do Ruah. Do Vale do Ruah à rodovia.

3 Dias

Nossa opção!

Leandro sugeriu em 3, eu sugeri em 2. E ele estava certo e foi perfeito! Já que vamos levar coisa pra acampar de qualquer jeito,  fazemos em 3 que fica mais tranquilo, não tão cansativo e da pra curtir o acampamento.

Da Toca do Lobo à Base da Pedra da Mina, da Base da Pedra da Mina à Base do Pico dos Três Estados e da Base do Pico dos Três Estados à rodovia, esse foi nosso percurso.

4 Dias

Pra quem já tem experiência, mas gosta de ir devagarzinho, curtindo bem cada lugar, parando. Ou pra quem não tem costume de fazer trilha andando muito rápido.

Da Toca do Lobo ao Capim Amarelo, do Capim Amarelo à Pedra da Mina, da Pedra da Mina à Base do Pico Três Estados e Pico Três Estados ao fim.

Serra Fina

O que levar?

Pensando em 3 dias, que foi o que fizemos!

Tudo que não puder molhar, colocar em sacos estanques, ziplocs e sacos de lixos. Religiosamente, faça sua mala todos os dias, protegendo tudo, o tempo na montanha muda muito rápido e sua viagem pode acabar se não tiver roupa seca.

Tudo ensacado!

– Mochila de ataque com capa de chuva. O mais leve possível, confia, não leve peso excedente. Normalmente de 40l a 70l. Eu consegui enfiar tudo numa de 40l e fui com 11k.

Barraca: tenha certeza que sua barraca resiste ao vento e frio. Não queira ficar tomando pingo gelado na cara no meio da noite de -4ºC. Levei uma de três lugares e dividi com a Fla e Stephanie. Cada uma levou uma parte da barraca. Em feriados a chance de tudo estar cheio é alta, esteja preparado pra procurar local pra dormir depois de ter andado o dia todo.

Saco de dormir: Levei um de 5ºC confortável. Primeiro dia, um pouco de frio dormindo com todas as minhas roupas, porque fez -4ºC lá fora. Teve gente que levou de 10 graus e passou muito frio, em Abril. No inverno mesmo, nem pensar!!

gelo

Tudo congelado de manhã cedo no acampamento!

– Isolante térmico: levei o de EVA mesmo, porque era mais leve e ocupava menos espaço dentre as outras opções que eu tinha. Coloque ele na vertical, na horizontal ele agarra nas árvores, isso te custa desempenho e energia.

serra fina

Na horizontal…

mochila ataque

e depois …Na vertical!

– Roupas: 3 mangas longas e 1 calça (mato muito fechado, capim que corta). 1 conjunto de térmica pra dormir. Casaco fofinho e muito quente, fleece, headband, roupa íntima, 3 tops, 1 corta vento, 1 anorak, 3 meias + 1 muito quente pra dormir, 1 tênis ou bota de trilha, 1 chinelo/crocs, luvas quentes, gorro opcional (meu casaco tinha touca), boné/chapéu/viseira.

* eu levei anorak. As meninas levaram uma capa Poncho que inclusive cobria a mochila. Achei uma ótima opção tbem, porque protegeria mais a mochila em caso de chuva forte.

– Bastões de caminhada – Todas as pessoas do meu grupo levaram, menos eu. Ajuda muito! Eu nunca usei, não tenho costume, confio nas minhas pernas e preferi não aprender a usar eles logo na Serra Fina, hehehe.

– Utensílios pra cozinhar: panelinha, fogareiro com gás, talheres, copo. Isso tudo dá pra dividir com as pessoas que vão com você pra trilha.

panela camping

Utensílios do Leandro.

– Comida: procure opções no mercado de rápido preparo ou semi pronto, divida com os amigos. Tem também as comidas liofilizadas, que são caras, pesam pouco e não são muito gostosas, dizem! Nunca comi. Só cozinhamos no jantar. Dividi tudo em saquinhos por dia pra facilitar minha vida.

comida camping

Comidinhas

– Higiene e cuidados pessoais: Lenços umedecidos! Sim, vai tomar banho disso e limpar o bumbum também todos os dias. Leve seu lixo embora pra casa! Obrigada. Levei um sabonete que não usei, desodorante, protetor solar, escova de cabelo, protetor labial (muito importante), alcool em gel. Tudo do menor possível!!

Primeiros Socorros: Levei o básico – gaze, pinça, atadura, antisséptico, bandaids, esparadrapo. Também levo remédios pra dor e alergia.

– Lanterna: De cabeça é melhor pra poder cozinhar, se trocar…

– Água e Clorin: Pontos: no início da trilha, na base da Mina, no Vale do Ruah e só. Se programe direito. Eu levei um camelback de 2 litros e mais uma garrafa de 600ml, foi suficiente, mas podia ter passado perrengue no último dia. Levar garrafa, levar camelback ou levar garrafinhas? Vai da sua estratégia em economizar espaço ou do que já está acostumado a usar. Clorin é muito importante, muita gente na montanha na temporada!

-Câmera: Levei celular só pra tirar foto mesmo, porque não tem sinal lá. Go pro também levei. Teve gente que se arrependeu de não ter lavado a máquina mesmo.

Com guia ou sem guia?

Eu defendo sempre ir com guia. Primeiro porque muita gente vive disso, segundo porque errar o caminho nesse lugar não é uma opção, terceiro porque é possível errar o caminho facilmente em vários momentos, quarto porque guia local contando histórias não tem preço.

No nosso caso, tínhamos guias do clube de Montanhismo de Niterói e três pessoas com GPS. Mesmo assim ainda dava aquelas erradinhas. Se você não quer contratar guia, eu diria pra você ir com pelo menos 2 GPS, sendo 1 de backup.Mesmo assim há risco de se perder se não tiver atento.

Muito importante: Vá com a mente pronta para as adversidades, saiba que se chover vai ser muito muito difícil, perigoso e frio, além de não ser divertido. Se programe para não faltar água. Esteja sempre pronto para ajudar, para buscar ajuda, se informe sobre o caminho se quiser desistir.

serra fina

Lindo!

Logística

Chegamos sexta à noite no Picus Hostel, algumas pessoas levaram uma quentinha pra jantar, outras pediram o jantar no Hostel. Os carros ficaram estacionados lá.

O próprio hostel tem contatos de vans para levar para o início da trilha e fazer o resgate. No sábado saímos às 3h na van para o início da trilha que fica a 60kms do Picus.

No final, conseguimos carona pra alguns até o hostel. Quem chegou no hostel, pegou o carro e foi buscar a galera restante. Almoçamos às 14h e tomamos banho no Picus. INDICO ESSE LUGAR DE OLHOS FECHADOS, Tata e Felipe são incríveis.

Hostel Picus – (35) 9114-2525

hostel picus

Hostel Picus

Tem mais alguma coisa a acrescentar, comentar? Deixa uma mensagem aí pra gente!

Travessia da Serra Fina – 3 dias

Dia 3 – Da Base da Pico dos Três Estados ao fim

Saiba como foi o Dia 1, clicando aqui!
Saiba como foi o Dia 2, clicando aqui!

Depois de uma noite um pouco melhor acampando no bambuzal na base do Pico dos Três Estados, com a temperatura de 6 graus e não 0, acordamos até que bem.

Foi mais fácil colocar a roupa, tomar café, fazer a mochila e levantar acampamento. O que não foi fácil, foi controlar o tempo todo a água.

Saímos às 6h e partimos pra subir o Pico dos Três Estados, capinzal continuou ainda por muito tempo, era uma subida íngrime com muita lama!

montanhago pro serra finaserra finaserra fina

montanhistas

Pico dos Três Estados

Chegamos no cume, tiramos fotos e partimos. Dali pra frente era em maior parte só descida, rumo ao fim, rumo à estrada.

Pico dos Três estados

Pico do Três Estados

Menina montanha

Pico dos Três Estados

Galera montanha

Pico dos Três Estados

Encontramos uns “sherpas” da Serra Fina, com malas gigantescas, junto com dogs lindos. Merecem nosso respeito, carregam muito peso e andam absurdamente rápido.

“Sherpa” da Serra Fina

“Sherpa” da Serra Fina

montanhas

Leandro disparou na frente, queria chegar logo pra ver se pegava uma carona na van de clientes que estavam na nossa frente. Pegando a carona até o hostel, ele pegava o carro estacionado no hostel e daria carona pra galera do nosso grupo que viria atrás.

serra fina

A descida

Leandro disparou, Marcelo disparou e Blanco disparou. Quer saber? Também vou disparar, porque tudo na vida que eu precisava, era dar uma acelerada, relembrar os velhos tempos de corrida e me sentir mais livre. Foi o que fiz, parti junto com o Leandro, e em certo ponto fomos nós 4 juntos descendo.

velhinho montanha

A descida dos 3 Estados é bem técnica e íngrime, não consigo nem imaginar como seria aquilo na chuva. Momento ótimo pra treinar e ver se os joelhos estão bons mesmo.

Enfim, desce muito né, vai descendo, alguns morros pra passar, mas essencialmente só descida. Sempre controlando a água que não podia acabar.

Chegamos no último ponto de água, no Sítio do Pierre. A sensação de poder beber água a goladas é maravilhosa, bebi tudo que não pude beber em 2 dias! Maravilhoso.

go pro estrada

E a descida continua, tipo interminável. Novamente, não chegava nunca!

Cão

Nosso companheiro na maior parte da descida

final travessia

Fim!

Mas, terminamos! Terminamos juntos eu, Leandro, Marcelo e Blanco. No final, 2 kms antes da Estrada tinha uma casinha onde vendia refri e coisinhas pra comer e mandamos uma Coca pra dentro. Pra falar a verdade, até deu uma tristezinha que a gente não ia ficar mais um dia!!

Serra Fina

Chegada onde tomamos a Coca

Serra Fina

Alguém cansado?

No fim, esse moço que vendeu a Coca ia sair de carro e acabou dando carona pra galera até o hostel, Flávia e Marcos já tinham chegado e Rafa veio logo depois. O Felipe do Hostel Picus também veio ajudar e levou outra parte da galera, incluindo eu. Blanco chegando no hostel pegou o carro, voltou e buscou Stephanie, Vander e Antônio.

Tomamos o tão esperado banho, após três dias sem ele e comemos aquela comida maravilhosa que Tata preparou pra gente! Aliás, Tata e Felipe são muito queridos. Eu não vejo ir pra lá e não ficar no Hostel deles. Muito obrigada!

Hostel Picus

Hostel Picus. Tata e Felipe muitooo obrigada!

Agradecer toda a galera! Foi incrível fazer a travessia com vocês!!! Agradecer minhas companheiras de barraca, Stephanie e Flavia, companheiras também de compras na decathlon, vishhhh… Agradecer muito o Leandro e Marcelo que estavam guiando a gente e tomaram a frente nas decisões sobre o percurso, acampamento e logística na trilha. O Antônio que também estava com GPS, ligado em tudo pra ninguém se perder, Velhinho que também já conhecia o percurso e estava sempre por perto! Valeu pela companhia galera!

homem montanhahostel picus

Travessia da Serra Fina – 3 dias

Dia 2 – Da Base da Pedra da Mina à Base do Pico Três Estados

Veja aqui como foi o primeiro dia.

Veja aqui como foi o terceiro dia.

Acordamos com o Leandro chamando a gente na barraca, chegada a hora de subir a Pedra da Mina. Tivemos uma noite gelada e difícil, fez muito muito frio. A cara estava super inchada, foi muito difícil levantar. A minha vontade era de não acampar mais, nunca mais. Tudo congelado!

Gelo Serra fina

Leandro presida e guia segurando o pedaço de gelo

Mas, não tem pra onde correr. Vai querida! Coloca a roupa gelada e o tênis congelado, vai lavar a louça do dia anterior no rio congelante, pega água pra trilha, desmonta o acampamento, arruma a mala daquele jeito tosco porque tem sair rápido e boa!

Foto e vamos! Bora subir a quarta ou quinta montanha mais alta do Brasil, a Pedra da Mina. Até que subimos rápido e logo estávamos no cume. Muito legal estar ali!!

Acampamento Rio Vermelho

Foto antes de subir a Pedra da Mina

Meninas Serra fina

Fomos de conjuntinho na cor da blusa e na cara inchada!

pessoas serra finamenina serra fina

Pedra da Mina

Do cume foi possível ver bem tudo que caminhamos e tudo o que ainda estaria por vir! Magnifico!

Pedra da mina

Cume da Pedra da Mina

Pedra da mina

Cume da Pedra da Mina

Descendo a Pedra da Mina, chegamos no Vale do Ruah. Já sabíamos que o ambiente ali estaria encharcado. Leandro e Marcelo ficaram de cima olhando os outros grupos atravessarem o vale, estudando qual ali seria o caminho menos pior.

Vale do Ruah

Vale do Ruah

Vale do Ruah

Diria que essa parte não é cansativa, mas é chata. O capim maior que você, não dava pra ver direito o chão, várias topadas nas touceiras, chão lamento e encharcado. Sintetizando o Vale do Ruah: capim no olho, mãos cortadas, chutes em touceiras, escorregão, pé afundando na lama. Quando não era um, era outro. Chato, de perder a paciência! No fim, já estava pisando em qualquer lugar, tirando o capim da minha frente como se fosse um bicho, e seguindo rápido pra sair daquilo logo.

Capim amarelo

Capim chato e cara inchada

Vale do Ruah

Vale do Ruah

É no Vale do Ruah que tem o último ponto de água de toda a travessia, no Rio Verde. É nesse momento que você abastece tudo, tem que ter água pra finalizar a trilha, pra cozinhar, escovar os dentes, pra qualquer coisa que precise no acampamento e pra fazer a trilha do terceiro dia.

Rio verde

Rio Verde

Rio Verde, último ponto de água.

Anda, anda, anda, capim no olho, sobe, desce, sobe, desce, lama, anda em cima da crista, cume do Cupim do boi e descemos pro bambuzal procurar lugar pra acampar.

Acampamento

Bambuzal, uma pena não ter foto do nosso acampamento

E pra nossa alegria às 14h já estávamos lá, erguendo as barracas, tomando o nosso banho de lenço umedecido, colocando roupinha quente e radiantes por poder aproveitar mais o acampamento com os amigos.

Não posso esquecer que estávamos controlando cada gota de água durante todo o percurso. Não dava pra dar golada, tínhamos que ter água pro último dia. Parece que dá até mais cede quando você não pode beber.

Cozinhamos cedo, Leandro fez um café maravilhoso e passamos horas no escuro batendo papo, falando do dia, dando risada. Não fazia tanto frio como na noite anterior. Então, curtimos mto! Pronto, apaga meu pensando anterior de nunca mais querer acampar na vida. Foi uma delícia acampar nesse dia.

Umas 20h30 fomos dormir pro nosso próximo e último dia na Serra Fina. Dormimos melhor, apesar de uma raiz ficar pegando na minha cara durante a noite, também tinha um pequeno declive e ficamos escorregando dentro da barraca, hahaa. Aquela maravilha! Mesmo assim, à noite foi melhor.

Continua….

Travessia da Serra Fina – 3 dias

Serra fina

Dia 1 – Da Toca do Lobo à Cachoeira do Rio Vermelho

Tudo começou com o Vander, a culpa é dele de termos ido pra Serra Fina. Ele deu a ideia, sugeriu a data, correu atrás da logística e tudo mais. Vindo dele não podíamos esperar menos que um time de no mínimo 10 pessoas, já que ele é famoso por ser o agregador da turma e organizador das “excursões do Vander”.

Bora iniciar a temporada de montanha na Serra Fina, gosto assim, pé na porta! Equipe formada, um timão de montanhistas, 10 pessoas incríveis: eu, Vander, Blanco, Flávia, Rafael, Marcos Velhinho, Stephanie, Antônio,
Leandro, Marcelo, esses três últimos se disponibilizaram a nos guiar e estavam com os GPSs e todos nós fazemos parte do Clube Niteroiense de Montanhismo.

Pessoas serra fina
Essa foto é do segundo dia, mas nela da pra ver melhor todo mundo.

Saímos do Rio às 14h, quinta-feira, 18/04/2019 em direção ao Hostel Picus. Chegando lá já à noite, jantamos e nos organizamos pra sair às 3h da matina para chegar na Toca do Lobo (início da Travessia). São aproximadamente 60 kms de distância do hostel até o início da trilha e contratamos uma van para nos levar. Hostel Picus nos ofereceu o café da manhã às 2h30, Tata e Felipe são incríveis.

Toca do Lobo
Início na Toca do Lobo

Início da trilha

Todos prontos, iniciamos a trilha às 5h e acamparíamos na Cachoeira Rio Vermelho, base da Pedra da Mina, onde também encontraríamos água. O primeiro dia foi o mais difícil, foram aqueles 14 km bem suados, se me dissessem que tinha o dobro, eu acreditaria.

Depois de uns 45 min de caminhada tem o primeiro ponto de água. Não peguei, pois já estava com água na mochila pra todo o primeiro dia. Não queria também pegar água em baixo, a montanha estava cheia no feriado e muita gente já lá em cima, usando o rio pra muitas coisas…enfim…Fui com 1,2 litros. Foi suficiente, porém, se tivesse passado por qualquer perrengue, faltaria.

Serra Fina
lua

Capim Amarelo

O primeiro dia da Travessia da Serra Fina praticamente é só subida, sobe, sobe muito, sobe sobe sobe, passa montanha, passa outra, passa mais uma, anda na crista e chegamos no cume do Capim Amarelo (2491m), com 1100m de altimetria acumulada em 6kms. Esse cume é maravilhoso, temos uma visão incrível de cima, um visual deslumbrante.

Cume Capim Amarelo
Cume do Capim Amarelo
Cume do Capim Amarelo
Caderninho do Cume do Capim Amarelo

Acredite, muito sobe e desce, muito morro se passou e nada de chegar na Cachoeira Vermelha. Lembro que tínhamos que passar por 3 corcovas e depois era só descida até a Cachoeira, chegando na última corcova, avistamos a Cachoeira de cima e ela ainda estava muito, mas muito longe. Os que estavam mais atrás já estavam sem água, a minha deu no limite. Acelerei, mesmo muito cansada, pra chegar logo, porque a ideia era pegar água e ainda levar pros amigos que estavam sem, fazia muito sol.

meninas montanha

Chegando exausta, demoramos pra decidir onde iriamos acampar e quase ficamos sem lugar, a montanha estava cheia, fomos em direção ao Rio pegar água, Blanco estava com a mesma ideia, então nos juntamos, pegamos a mochila e fomos levar água pros que ainda estavam na trilha. Andamos no máximo 100m e eles já estavam chegando, foi um alívio. Primeiro porque todos estavam bem mesmo sem água e porque não tive que andar muito mais do que já tinha andado.

menina montanha

O acampamento

Batia já 17h e precisávamos acelerar pra montar o acampamento, cozinhar, tomar banho de lenço umedecido, colocar roupa quente, pegar água pro próximo dia e deixar tudo organizado. Fizemos tudo isso o mais rápido possível, às 19h ninguém mais aguentava o frio e o cansaço e fomos todos pra barraca. Eu dividi uma barraca com a Flavia e Stephanie.

Acampamento no Rio Vermelho

Fez muito frio, isso porque ainda nem chegou o inverno. Levei um saco de dormir de conforto 5ºC, coloquei blusa e calça térmica, fleece, treco pro pescoço, meia muito quente e mais uma normal e passei um certo frio, foi uma noite ruim, dormimos mal. Fez muito frio, abaixo de 0ºC, com certeza.

Acordamos cedo, porque corríamos o risco de ficar sem acampamento no segundo dia, por causa da quantidade de gente na montanha. Lá fora, tudo congelado, tênis com gelo, vai lavar no rio a panela do dia anterior na água congelante, pqp, só perrengue. Vai querida, bota a roupinha gelada e vai, sem pensar muito.

gelo
Tudo congelado

Continua….

UTMB 2018 – CCC – 101km

Relato da prova

Depois de um mês da prova, finalmente conseguir vir aqui contar pra vocês um pouco sobre como foram os meus primeiros 101kms da vida e suas duras 26h.

Ano passado eu já havia participado do UTMB, mas fui na distância de 56km. Eu já estava há muitos anos correndo distâncias entre 42km e 60km e estava sentindo vontade e motivação para dar um passo a mais. E então, a vida começou a caminhar para que tudo isso desse certo. Passei a ter apoio da Columbia Brasil, e pude ir para o UTMB, representando a marca, juntamente com a Nini (outra alteta Brasileira), e vários outros atletas de diversos países fazendo parte do time Columbia Montrail. Muito orgulho em fazer parte deste time.

Pré-prova

A experiência junto à Columbia em Chamonix foi incrível. Teve cocktail com a organização da prova, sessão de fotos na montanha e todo um suporte e atenção na semana da prova.

Eu estava bem ansiosa. Correr 101km é coisa séria, não dá pra brincar. Exige experiência, muito treino e mente forte. Eu não tinha ideia de como meu corpo iria reagir à privação de sono. Como seria passar a noite correndo? Esse era o meu maior medo… Engole o choro, respira fundo e acredita… e vai, só vai!!

Fizemos tudo certinho nos dias anteriores à prova. Comemos em casa, comidas leves, nada que já não estivéssemos acostumadas, para evitar qualquer problema. Carbup na veia. Segui todas as recomendações da minha nutricionista Lívia Hasegawa, e deu tudo muito certo na parte nutricional.

E finalmente chegou o grande dia. Foram 8 meses intensos de treinamento visando um único propósito: cruzar a linha de chegada. Claro que eu tinha alguns objetivos de tempo, mas eu sabia que muita coisa podia acontecer em 101km. Mas a minha meta principal e condizente com o meu desempenho, era fechar em 22h.

Tinha a meta sonhadora que era fazer em sub 20 (podia até ser 19h59 😂). E o pior cenário seria fazer em 24h… todas as previsões foram por água abaixo.

A prova

Acordamos às 5am e tomamos um belo café da manhã. Às 6h40 encontramos a Deinha e a Manu e fomos para a fila do ônibus que nos levaria até Courmayeur, na Itália, para a largada que seria as 9h (que depois descobri que seria as 9h30, porque eles dividiram as largadas em ondas para diminuir os congestionamentos em determinados pontos das trilhas).

Coração batendo a mil. Eu estava emocionada, com um mix de felicidade e um medinho do que estava por vir. E as 9h30 em ponto largamos para o maior desafio da minha vida.

O lado Italiano do Mont Blanc é maravilhoso. Dava vontade de parar e contemplar. Mas não dava, e já começamos em uma bela subida. Bela, dura e travada. Em vários pontos da trilha formaram-se filas, o que tornou o início da prova um pouco mais lento. Eu estava me sentindo muito bem, energia lá em cima e sem nenhuma dor.

Eu amo descidas, após a primeira subida, desci super bem, correndo firme e confortável. A temperatura neste momento estava perfeita, nem calor e nem frio. Finalizando a primeira descida, começamos a segunda e mais dura subida da prova. Subimos até 2600mts em uma subida bem dura até o Col du Gran Ferret. E ali no meio daquela subida o tempo começou a virar. Chuva e frio. Muita chuva e muito frio. As luvas começaram a ficar branquinhas de geada.

Não dava pra enxergar muito longe, estava tudo branco de neblina. E parecia que o cume não chegava nunca. Cheguei ao cume com quase 7h de prova, e tudo ainda dentro do programado. Depois desse cume, veio uma longa descida de 20km. Descida bem técnica mas totalmente “corrível”. Finalizei a descida, com 9h50, e 51km, felizona que estava tudo correndo dentro do programado.

Logo começou a escurecer e era ali que moravam meus medos. Por volta do km 60 meio joelho esquerdo começou a doer. Entre Champex-Lac e Trient (21km entre eles), tenho até hoje a impressão que entrei em um buraco negro. Demorei 5h10 para fazer esse trecho. A dor no joelho fez com que eu me arrastasse tanto na subida como na descida. Nesse momento comecei a pensar em desistir em Trient. Para mim não fazia sentido continuar com dor.

Quando finalmente cheguei em Trient, comi, sentei e pensei: vou desistir! Não vou correr o risco de me lesionar. Não faz sentido. Já estava com a cabeça feita, quando chega Manu. Ela me perguntou: “que cara é essa Isa?” E então eu respondi: vou desistir, estou com dor no joelho, estou me arrastando!! Ela gentilmente respondeu: “não vai desistir de jeito nenhum, vamos juntas!! Não vou deixar você desistir aqui, foi aqui que desisti no ano passado, você consegue!!”

Foi o estímulo que eu precisava para não desistir ali. Muito grata a Manu por ter me dado a mão e me convencido a seguir. E pra completar o time, logo chegou a Deinha, com seu bom humor maravilhoso e seguimos juntas madrugada a dentro.

E já não bastava o joelho castigando, o sono começou a pesar. Muito sono!! Em vários momentos eu cochilei andando e acordava tropeçando. Alguns momentos a Manu percebia e conversava comigo, mas estava cada vez mais difícil me manter acordada.

Quando amanheceu, por volta do km 90, acabei me distanciando da Manu, e nessa altura a Deinha tmb já estava na frente. Estáva no início da última subida em direção ao La Flegere. Resolvi encostar e tirar um cochilo. Não estava mais aguentando de sono. Devo ter dormido uns 5min, quando uma brasileira, a Simone, me acordou e me deu uma cafeína que salvou o meu final de prova. Consegui me manter acordada e consegui dar um último gás na subida. Cheguei no Flegere com 24h30 de prova. Eu tinha duas horas para terminar e ser finisher. E eram só 8km para fechar. Mas o joelho não deixa correr com dignidade essa ultima descida, e cheguei a temer que não desce tempo de chegar em 26h30. Fiz o que pude nessa ultima descida.

E finalmente, depois de 26h13, cruzei a tão sonhada linha de chegada. Passou um milhão de coisas pela cabeça. Que jornada incrível!! Foi difícil demais, mas foi surreal conseguir concluir tamanho desafio. Chorei muito! Agradeci! Estava entregue!!

UTMB 2018 – 101km 6000mts D+: 26h13 ✅

Agradecimentos

Agradeço muito, de coração todas as pessoas que de alguma maneira torceram por mim. Recebi muitas mensagens lindas, que encheram meu coração de alegria. Muito obrigada mesmo.

Agradecimento especial a todo o time Columbia que não mediu esforços na realização desse sonho e a Milk Comunicação que sempre acreditou e confiou.

Um muito obrigada à Fisionoesporte e toda equipe de fisioterapeutas que cuidaram de mim durante todo esse ano e me deixaram sem nenhuma dor.

À minha nutricionista Lívia Hasegawa, que cuidou da minha dieta e elaborou um excelente plano para toda a prova.

Aos meus alunos que compreenderam minha ausência nessas duas semanas e sempre torcem tanto por mim.

Em 2019, voltaremos, sim ou com certeza?

TDS? 😈

Acompanhe os Brasileiros no UTMB

Isadora, nossa inspiração!

Nossa blogueira guerreira Isadora largou hoje no CCC do Ultra Trail Du Mont Blanc (UTMB) em Chamonix, essa prova que é um sonho para qualquer corredor de montanha. Vamos torcer muito para que ela tenha uma ótima prova e acompanhar ela e todos os outros brasileiros.

ADIANTANDO, BIB NUMER DA ISADORA É: 5010

Entra no site e digita o número: https://utmbmontblanc.com/en/live/

Saiba o BIB number de cada um, acompanhe e torça muito.

utmb – 170kms com +10.000mt de desnível acumulado

Largada foi hoje, temos brasileiros de peso na prova!!

60 Fernanda MACIEL

The North Face Red Bull

304 Manuela VILASECA

BUFF PRO TEAM

471 Chico SANTOS

GO TO TRAIL/IBS

555 Rosalia GUARISCHI

706 Francisco PORTO

GO ON OUTDOOR / HAY PUMA

797 Alic VIANA

FLOOW

920 Rodrigo JOAO

IAZA TRAIL RUNNING TEAM

1149 Simone AUSTIN

1220 Ivani BIELAK

Salomon Brasil / Tribo do Esporte

1556 Karine PARUSSOLO

UPFIT TRAIL

1660 Sergei DA SILVA

1916 Amarildo GAZZOLA BARREIROS

TOLDOLON

2280 Orlando YAMANAKA

UPFIT

2471 Marco RIBEIRO

2800 Nadjala JOAO

IAZA TRAIL RUNNING TEAM

CCC – 101kms com +6100mt de desnível acumulado

Prova que nossa querida atleta Isadora Martins está correndo!! BIB NUMBER: 5010

ccc

3058 Ernani SOUZA

CLUBE RECREATIVO DOM PEDRO II

3096 Jose Mirailton PEREIRA LIMA

GRUPO NIXON FERNANDES

3172 Cesar PICININ

GO ON OUTDOOR

3306 Ninive OLIVEIRA

COLUMBIA BRASIL

3333 Cyntia TERRA

3355 Fernando NAZÁRIO

SALOMON BRASIL/MIDWAYLABS/DENTIL/SCIENCERUNCLUB

3414 Hernane ALVES

Peace and Love

3599 Leonice Maria CECCONELLO

COLUMBIA BRASIL

3645 Sabrina SCHIRMER

RAIZ TRAIL/UPFITRAIL

3708 Andrea CARLONI

3752 Manuela RIOS DE LIMA ROCHA

Iaza Trail R Team

4060 Simone VIANA

RAIA SUL

4105 Jorge COENTRO

4217 Daniel RAMOS DE OLIVEIRA JUNIOR

V8 ASSESSORIA

4354 Marcos Paulo VIEIRA FERREIRA

5010 Isadora MARTINS PEREIRA

COLUMBIA

5348 Ana Matilde FAUAT

5361 Luan Cristian PEREIRA BRAGA

5397 Nelsi STRELOW

PACEFIT

5531 Marcos MIRANDA

CIA DOS CAVALOS

5669 Alcides RIBEIRO

VAMOSNESSA

5673 Fabio TAVARES

SELVA

5677 Edgar CARDOZO DE LIMA

CASA DA ARVORE

5692 Jose CORISSA NETO

BUFALO/ESQUILO

5739 Andrea MONTEIRO VIDAL FERREIRA

GO ON OUTDOOR / HAY PUMAS

5747 Amilton Fernando BARBOSA MOLETA

CAMELBAK OUTDOOR SPORTS

5753 Roger DE ABREU CARDOSO

5787 Ashbel DE STUTZ E ALMEIDA

PARABÉNS A TODOS OS PARTICIPANTES QUE JÁ FINALIZARAM SUAS PROVAS!!

O TE LEVO PRA TRILHA ENVIA MUITA ENERGIA POSITIVA A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE PARA NOSSOS ATLETAS BRASILEIROS.

ISADORA, ESTAMOS COM VOCÊ, TE ACOMPANHANDO! APROVEITAAAAAA!

Travessia Teresópolis – Petrópolis

Travessia em um dia

Ideias de mesa de bar são sempre boas! E foi assim que eu, Ary, Vander e Rafa Bastos decidimos fazer a travessia em 1 dia.

Em 2016, já tinha feito ela da forma mais tradicional, que é de Petrópolis a Teresópolis, com a Isadora e o André. Fizemos o percurso em 9h de forma bem tranquila, saindo às 15h do parque. Para ler o relato, clique aqui.

Travessia Petrô-Terê em 2016. Isa, André e Sassa

Mas, dessa vez, o percurso demoraria um pouco mais hehehe.

Início Terê-Petrô. Rafa Bastos, Rafa Faria, Ary, Vander e eu.

começando a brincadeira

Claro que não saímos cedo com o Ary no grupo Hahaha. Começamos a travessia às 9h26. É perrengue que a gente quer né, só pode ser, porque não existe começar essa travessia as 9h, tá? Kkkk Bom, já sabia que chegaríamos à noite.

A travessia é linda!

A travessia é incrível em qualquer sentido. A única diferença é que fazendo Teresópolis – Petrópolis as montanhas ficam nas suas costas, enquanto fazer o contrário, você vê as montanhas de frente.

Até a placa pro Sino, subimos legal, fomos num ritmo bom, nas minhas contas, em 10h terminaríamos. #sqn

Clássica, foto na placa!

Bom, acontece que fui dessa vez com um grupo maior e não podemos esperar que todos tenham o mesmo ritmo, então a gente acabava andando rápido, mas fazendo inúmeras paradas para esperar.

Chegando no cavalinho, ninguém teve dificuldade pra descer, foi tranquilo. Me apavorei em 2016 para subir por ele, mas olhando ele agora, até que achei tranquilo, acho q hoje em dia, subo numa boa. Atenção: para pessoas menos experientes, convém levar corda!

Agarra no cavalinho e vai! Dessa vez, descendo.

Pegamos um congestionamento no elevador. Uma observação: Gente, por favor, desça o elevador ou suba o elevador do jeito que é pra ser feito que fica mais fácil. Pode dar medo, mas juro que eh mais fácil e rápido. Não tente ir de bumbum, segurando bastão na mão, afinal foram colocados grampos ali pra vocêc descer/subir igual uma escada, porque assim é mais seguro e mais fácil.

Esse não é o elevador da Travessia. Só ilustrando: descer/subir como uma escada.

Congestionamento no elevador!

o dia acaba e a noite chega

Enfim, quando estávamos quase chegando no Açú, vimos um pôr do sol muito maravilhoso, e isso vale muito a pena! Sabíamos que dali em diante era lanterna, casaco e mta descida. Também, teve lua maravilhosa, iluminando nosso caminho!

Nada como um pôr do sol!

Nascer da lua!

Bom, a descida foi interminável, pra variar. Íngrime com areia, no escuro. Joelhos sofreram. Pra quem já tem algum problema nessa articulação, recomendo fazer Petrópolis-Teresópolis. A descida do Açú judia muito. Pra falar a verdade as duas descidas, são intermináveis, de qualquer lado. Mas, terminando por Teresópolis a descida é menos íngrime.

Finalizamos em 12h! Chegamos 1h da manhã em casa.

Descendo o Açu no escuro!

Na semana, descobrimos que um francês estava perdido na travessia. Ele entrou em contato com o bombeiro na sexta, sábado estávamos lá fazendo a travessia, foi resgatado depois de quase uma semana. Deu até um aperto no peito em saber que estava ali fazendo uma travessia e alguém bem perto passando perrengue, de repente ele conseguia ver a gente de longe, com nossas lanternas, fiquei pensando nisso a semana toda. Mas, ainda bem q deu tudo certo e ele foi resgatado com vida. Parabéns a todos os envolvidos no resgate!

Informações e dicas:

http://www.icmbio.gov.br/parnaserradosorgaos/

– Para fazer a travessia em 1 dia, tem que comprar o ingresso para parte alta somente. Em mais dias, consultar valores dos abrigos. Se você não é gringo, o valor é Desconto Brasil.

– São aprox. 30kms de sobe e desce. Tenha certeza que seu grupo tem condições de fazer em 1 dia. Não é fácil e não é para iniciantes, na dúvida faça com tranquilidade, em mais dias.

–  O parque abre 7h, mas você  pode entras às 6h, se já tiver comprado pela internet. Sugiro fazer isso.

– Vá com alguém que conheça ou com guia. Sim, é possível se perder, como aconteceu com o francês, e como acontece todo ano. Também acho que o parque deveria ser melhor sinalizado, mas enquanto isso não acontece, por favor, não seja imprudente.

– Faz frio à noite, o tempo muda muito rápido na montanha, você nunca sabe o que pode acontecer. Leve tudo pra sua segurança. Sugestão: kit de primeiros socorros, cobertor de emergência, luvas, headband, anorak (impermeável), corta-vento. Fora itens como água e comida.

– Tem água em todos os abrigos, duas garrafinhas de 600ml são suficientes.

– Contratamos o Denilson para o resgate. Ele pegou nosso carro em Teresópolis e levou pra portaria de Petrópolis. É de confiança, conhecido por todos. 24 99971-7285

Já pensou em escalar?

Vou contar aqui como foi fazer o Curso Básico de Escalada do Clube Niteroiense de Montanhismo, vou dar minhas impressões, sensações e mostrar todo o processo.

Quero começar dizendo: A escalada me deu um novo sentido para a vida, me leva pra uma direção que nunca imaginei quando morava em SP. Morando lá, nunca pensei em ser escaladora, definitivamente isso é um marco, muda minha perspectiva de vida, de viver. Sim, isso é muito especial.

Teve até drone. Foto do Vander

Quando me mudei pra Niterói-Rj, não sabia nada de nada dessa cidade. Pesquisei muito na internet pra conhecer o que tinha por aqui, como paulistana que sou, fui pesquisar logo restaurantes perto de casa, ahahahah, e depois outras coisas: faculdades, opções de atividades físicas (funcional na praia, surf, trilhas), montanhas, praias..enfim…queria fazer o que as pessoas daqui fazem, queria viver a vida daqui. Em SP minha vida já eram as trilhas, as corridas em montanhas, por muito tempo trabalhei com isso e nessa linha queria seguir por aqui.

Quando, de repente, me deparo com o site do Clube de Montanhismo Niteroiense, clicando lá em cursos, descobri o Curso Básico de Escalada, olhinhos brilharam. Me lembrei da passagem do cavalinho na Travessia Petro-Tere, em como sofri, definitivamente não queria que aquilo acontecesse novamente.

Massssss…não estavam com turmas abertas. Mandei mensagem e fui em um encontro do clube no Parque Estadual da Serra da Tiririca. Lá conheci o Leandro e o Leo (irmãos), esse último, foi responsável por me levar por boa parte das trilhas que conheço hoje no Rio, eternamente grata. Passei o ano de 2017 todo fazendo trilhas, sempre esperando pelo curso, até que finalmente, em 2018 as inscrições abriram e eu logo me inscrevi. O clube nesse meio tempo, também, ganhou uma sede no bairro de Santa Rosa, onde aconteceram as aulas teóricas.

Sede do clube

O curso

As aulas abrangem os seguintes tópicos: Ética na montanha; Primeiros socorros; Animais peçonhentos; Nós; Segurança; Top Rope; Técnicas de Ascensão; Rapel; Escalada livre; Escalada em artificial; Escalada em chaminé entre outros.

As aulas teóricas são sempre difíceis né, tudo que você quer é ir logo escalar, mas estar no ambiente do clube é sempre muito legal. É onde pudemos nos conhecer, trocar ideias, tirar dúvidas, confraternizar, resenhar sobre o que aconteceu na aula prática e treinar na parede.

Aua teórica na sede do clube

Recebemos um kit básico de escalada com: bauldrier (cadeirinha), 3 fitas de tamanhos diferentes, 1 freio ATC, 3 mosquetões, 3 cordeletes, 1 par de sapatilhas e capacete.

E foi assim:

Aula 01 (teórica) – Montanhismo
Aula 02 (teórica) – Materiais

Quase fiquei maluca só de ler na apostila a quantidade de mosquetões que existem, a variedade de tudo, o monte de equipamentos que precisamos. Naquele momento, só sabia que aqueles equipamentos existiam, como e quando usá-los era uma outra história, que esqueci passados alguns minutos da aula. É muito difícil entender pra que serve tudo aquilo quando você, de fato, não usa e não sabe nada do processo de escalar.

Aula 03 (prática) – Top Rope / Nós

Aeeeeeeeeeeeeeee. Primeira aula prática! Foram montados 3 top ropes no Bananal. Top Rope? Poderia pegar algo pronto, mas vou tentar explicar com as minhas palavras… Você pode fazer um top rope quando é possível chegar em cima da pedra que você vai escalar. Lá em cima é feito o procedimento pra passar a corda pelo ponto fixo. Uma ponta da corda fica presa no escalador, enquanto ela passa pelo sistema fixo lá de cima da pedra, e uma pessoa em baixo faz sua segurança, formando um V invertido.

Ary ensinando como se faz

Essa aula foi demais, foi lá nosso primeiro contato com os equipos, com a aderência, em confiar nas sapatilhas e nos amigos que também estavam aprendendo. E pra gente, foi super desafiador todas as 3 vias, foi uma aula incrível, foi uma ótima ideia, porque não precisamos ficar esperando nossa vez, tinha corda livre a todo momento.

No fim, aprendemos uns 5 nós.

Top Rope

Aula 04 (prática) – Ascensão / Nós

Essa aula foi na pracinha de Itacoatiara, lá tem umas pedras bem maneiras pra treinar. Foram montadas as cordas, a aula foi aprender a fazer uma ascenção principalmente com o nó Prussik usando os cordeletes.

Mas, se você está escalando, porque vai aprender a subir sem ser então escalando? Ahhhhh porque tanta coisa pode acontecer…é melhor ter uma segunda opção.

Ascensão usando nó Prussik

Isso é uma coisa que aprendi, mas sinceramente, preciso treinar mais, porque você fica um tempo sem fazer e acaba esquecendo. E são coisas que no momento de muita emoção, você tem que saber fazer.

Aprendemos mais nós, agora é treinar!

Aprendizes

Aula 05 (teórica) – Téc. Escalada

Aula com Alan Marra, agora sim, tudo começou a fazer mais sentido. Após as primeiras aulas práticas, tudo já começa a clarear. Agora entendo bem o básico: Na via então sobe o guia  na frente, que fica mais exposto e sujeito a quedas maiores, costurando os grampos e a pessoa fica em baixo dando segurança. O guia faz a parada, e é a vez do que está em baixo (participante) subir,o guia dá segurança de cima. Tudo tudo tudo seguindo procedimentos de segurança que aprendemos.

Mais nós, treino treino treino.

Aula 06 (prática) – Rapel / Nós

Sinceramente, é a parte que eu mais temo. Você escala uma via que não tem trilha pra descer, então vai ter que descer no rapel. Quando você chega no último grampo é chegada a hora de montar o seu próprio rapel. Momentos de tensão….tira mosquetão daqui, coloca ali, monta backup (prussik), coloca freio, solta mosquetão do grampo, ou seja, muita atenção pra não fazer nada errado, soltar onde não tem que soltar, prender onde tem que prender, pra mim, tenso!

Sério, não tem nada mais assustador do que confiar no seu procedimento sendo um aprendiz. Pedia insistentemente pros guias conferirem, mais de uma vez o meu. É preciso saber fazer isso corretamente, com muita atenção, se não…é pah…cai lá em baixo e pode ser que você não tenha outra chance de acertar isso.

Rapel, faz direito garota

Eu sou medrosa mesmo, não de altura, mas tenho muito medo de cair, de morrer. Ou seja, montar o precedimento de rapel depois de estar cansada da escalada, não é tão simples, confiar naquilo que você acabou de fazer, requer muita confiança. Essa é a etapa que ainda me sinto mais insegura. Essa aula foi também no Bananal.

Treinamos os nós.

Aula 07 (prática) – Chaminé e artificial / Nós

Aula super legal! Tem vias que você precisa passar por chaminés, outras vias necessitam de equipamentos (o artificial) pra se vencer algum lance, ou passar pra outro ponto da via. Nessa aula aprendemos a técnica de escalar em chaminé e a usar o estribo (escadinha).

Chaminé

Aula 08 (Teórica) Animais Peçonhentos – Palestra

Saí da aula querendo fazer trilhas de armadura…meeedo. Palestra muito legal.

Aula 09 (Teórica) Prova de Nós

Passei na prova…uhu. Treinei mesmo, de verdade.

Aula 10  (Prática) – Via sem Rapel

Sem rapel, maravilha. Primeira via da vida: Via dos Bombeiros ali no Costão de Itacoatiara com o Taffarel me guiando. Foi bem tranquila e uma boa alternativa pra primeira vez.

Via dos Bombeiros

Mas, como o pessoal é bruto, ainda fomos pra mais uma: Via Emil Mesquita, no morro do Telégrafo com rapel. Fiz um crux (parte mais difícil da via) em V na segunda escalada da vida, mais feliz, impossível.

Na Emil Mesquita, logo antes do crux, meu freio caiu no abismo. Sim, fiquei sem o freio, como ia descer no rapel? Fiquei muita tensa, mas o Ary me deu o dele e ele desceu no nó UIAA. Aprendi a fazer esse nó, mas sinceramente só de pensar em descer no UIAA já me dava um nó na garganta. Decidi que no meu kit eu iria comprar dois freios, se um cair tenho outro na mochila e pronto.

Via Emil Mesquita

Aula 11 (teórica) (Prevenção de Acidentes)

Procedimentos de segurança, procedimentos, procedimentos, tem que saber.

Aula 12 (Prática) – Via com Rapel

Fomos pra Via Golpe do Cartão, também tranquila, mas uma delícia de fazer, tirando o rapel. hahaha

Via Golpe do Cartão

Aula 13 (Prática) – Via longa

Fomos pro Rio, na Urca, fazer nossa última aula. Via Heineken, fui com virose mesmo, porque perder aula não era opção. Via tranquila, último lance dela foi mais difícil e foi ótimo. Gosto quando é mais difícil mesmo, gosto de me sentir desafiada.

Via Heineken

encerramento do curso

E assim o curso se encerra, uma pena, queria curso todo fim de semana. Mas, a vida segue. Comprei meu kit básico de escalada e tenho ido pras vias quando me chamam. Ainda me sinto insegura de ir com alguém que não conheço, que nunca escalei. Mas, cada dia, é um novo desafio, cada dia vou melhorando a técnica, cada via tem sua peculiaridade e vou aumentando meu repertório aos poucos.

O encerramento do curso foi com uma invasão ao Costão e formatura na sede com direito à churrasco.

Invasão ao Costão, via Uma Mão Lava a Outra

Eu não posso deixar de agradecer cada um que fez e faz parte disso tudo.

Todos os guias: Leandro, Ary, Marcos Velhinho, Taffarel, Leo, Marcelo e Vinicius.

Toda galera gente boa do clube, todos da turma que fizeram o curso comigo, todo mundo que conheci por causa da escalada.

Meu muito obrigada!

impressões sobre o curso

Pra mim, não poderia ter sido mais importante fazer esse curso. Eu tenho outros olhos ao subir em uma rocha, me sinto mais confiante e a escalada é um esporte fascinante, eu realmente queria escalar quando me inscrevi no curso.

Outros aprendizes talvez, não tivessem como objetivo principal escalar em si, acho que cada pessoa tem sua própria motivação ao se inscrever no curso, e isso é bem legal, também. Alguns procuram pra superar um medo de altura, que pode até não acontecer, outros porque precisam fazer algo novo na vida, outros pra distrair, outros porque querem aprender mais, enfim…

E aí o curso acaba e alguns pouco continuam escalando, por diversos motivos, um deles é que o perigo em escalar é real. E se você não correr atrás pra se manter escalando, você não vai mais escalar, isso inclui comprar seu próprio material, chamar guias pra escalar, se envolver nos eventos do clube, se envolver com as pessoas, conhecer gente, criar relações. Então, tem que gostar mesmo!

 A escalada tem cada vez mais se popularizado e a procura pelos cursos cresceu muito, acho isso muito incrível. Mas, quero acrescentar que mesmo você tentando fazer tudo certo, minimizando todos os riscos, o esporte tem seu risco, muita coisa pode acontecer sim e os acidentes não são poucos. Quando você escala, você assume esse risco, e se manter sempre revisando os procedimentos são coisas muito importantes, afinal é a sua vida e a vida do guia que estão em risco.

Eu acho válido aprender coisa nova! Se você gosta, se é montanhista, acho muito válido, até porque existem as vias com pouca graduação que oferecem pouco risco e a cultura de tudo que envolve a escalada e escaladores é bem interessante. Acho uma atividade ainda bem old school, bem raíz …ahha

Vias concluídas até a data de hoje:

1) Via dos Bombeiros: 2º III E2 200m, guia Taffarel

2) Via Emil Mesquita: 3º V E2 D2, guia Ary. Fui mais uma vez com o Léo e paramos antes do Crux.

3) Via Golpe do Cartão: 3º III E2 D1, guia Marcos Velhinho

4) Via Heineken: 2º III, guia Vinicius

5) Via Luiz Arnaud: 2º III, guia Marcos Velhinho

6) Via Novos Horizontes: 3º IV E2 D1 110 m, guia Vander

7) Via Entre Quatro Paredes: 3º IV E2 D1 150m, guia Velhinho

8) Via Paredão Alan Marra: 3º IIIsup A0/IV 300m, guia Velhinho

9) Via Uma Mão Lava a Outra: 4º V E2 D1 200m, guia Ary

10) Via Paredão Leila Diniz: 2ºIII E2 D1, guia Velhinho

11) Via Velha Faladeira: IV E1, guia Velhinho

12) Via Quarto Escuro: IV E2, guia Velhinho

13) Via Paredão Zezão na Agulha Guarischi: 3º V E2 D2 250m, guia Ary

14) Via Olha Lá: 3º IVsup E4 D1, guia Ary

15) Via Mabelle Reis: 4° IVsup E2 D1, guia Ary

-Clube Niteroiense de Montanhismoinformações

informações

-Clube Niteroiense de Montanhismo

Rua Siqueira Campos, 77 – Santa Rosa, Niterói – RJ

-Você ganha 6 meses de associação ao clube se fizer algum curso. O valor para ser sócio é super acessível mesmo.

-O ambiente do clube é muito legal, tem parede de escalada, tem palestras, tem oficinas, tem uma galera muito legal, tem churrasco, tem cerveja.

-Em Niterói, tem um ginásio de escalada ótimo para treinar, no Rio Cricket, chama 2Hand

-Cuidado com os cursos de escalada por aí, procure ver o cronograma de aulas, a estrutura, os profissionais. Fale com outros escaladores. Desconfie de cursos de fim de semana!

Transmantiqueira Day 2 – Travessia Serra Fina

Continuando a nossa saga pela Mantiqueira…

Treino para o UTMB – CCC

Após fazer a Travessia Marins-Itaguaré no sábado (link aqui), domingo foi o dia de fazer a desafiadora Travessia da Serra Fina em apenas um dia. Para quem não conhece, essa travessia é considerada a mais difícil do Brasil, com 32kms de distância e acumulando 2810mts de desnível positivo, saindo da toca do Lobo em Passa Quatro e chegando em Itamonte, na rodovia próximo ao Hostel Picus. O terreno é extremamente técnico, com subidas em cordas, descidas íngremes e muito capim amarelo na altura da cabeça. Então pega a caneca de café, coloca pra tocar a playlist do filme Into to the Wild e senta que lá vem história.

começa a brincadeira

Acordamos às 3h da madrugada e 3h30 da manhã o café estava na mesa. Marissol nós te amamos!! Saímos de Itanhandu rumo à Passa Quatro às 4h30 da manhã e 5h30 já estávamos na Toca do Lobo. Começamos a subida ainda estava escuro, e mais uma vez vimos o sol nascer na Serra Fina: espetáculo!

O caminho é incrível, e já devo ter subido no Capim Amarelo umas dez vezes, e eu nunca me canso do visual incrível do quartzito.

Chegamos ao cume do Capim Amarelo com 2h30 de travessia. Céu limpo, sem nenhuma nuvem no céu!! Nunca tinha visto o Capim Amarelo tão aberto. O vento estava judiando, então comemos bem rápido e seguimos a travessia rumo à Pedra da Mina.

DO CAPIM AMARELO À pEDRA DA MINA

Do Capim Amarelo até a Pedra da Mina é uma bela pernada, sobe e desce vale, e em várias partes é possível se perder. Como estávamos com guia, foi muito tranquilo. Paramos para “almoçar” antes de atacar o cume da Pedra da Mina. Recuperar as energias pq a subida ali judia muito! Chegamos no cume da Pedra da Mina, o 4º ponto mais alto do Brasil em 7h. Fiquei bem feliz com o nosso tempo, pois da última vez levei 8h até lá…

Quando chegamos lá, encontramos o casal mais querido do perrengue: Se Ela Corre eu Corro – Gabriel e Cris! É sempre muito bom encontrar com esses queridos!! Eles fizeram um bate e volta de SP até Passa Quatro, subiram e desceram via Paiolinho… Se tivéssemos combinado não daria tão certo esse encontro.

DA PEDRA DA MINA ATÉ O PICO DOS TRÊS ESTADOS

Ficamos pouco tempo por ali, e seguimos, pois ainda tinha muito chão. Descemos a Pedra da Mina sentido Vale do Ruah. Dali em diante era caminho desconhecido para mim. O Vale do Ruah, é tipo um brejo, só que com Capim Amarelo passando da cabeça durante uns dois kms. Um labirinto de Capim atolando os pés na lama: maravilhoso!!

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Passando o Ruah, começamos a subida rumo ao Pico dos Três Estados. Recebe esse nome devido ao fato de ser o ponto de divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O caminho até lá é com bastante sobe e desce em cristas e com um visual incrível. Paramos para comer no bambuzal, um pouco antes de atacar o cume. Mais um ponto que é bem fácil de se perder. Fiquem sempre atentos.

Iniciamos a subida do Três Estados já batia 17h, e começava mais um espetáculo da natureza. Nunca tinha visto um por do sol tão maravilhoso. Foi mágico. À esquerda o por do sol, à direita a luz refletia no Pico das Agulhas Negras e Prateleiras. Só agradecer por estar viva, com saúde e poder desfrutar de momentos tão incríveis.

DO PICO DOS TRÊS ESTADOS AO FINAL DA TRAVESSIA

Curtimos um pouco o pôr do sol e seguimos rumo ao Alto dos Ivos, o último pico da travessia, pois dali pra frente seria mais difícil pois o cansaço já batia, e com a noite tudo se torna mais difícil. Chegamos no Alto dos Ivos já eram umas 19h e pausa rápida para comer pois quase congelamos. Céu estrelado, sem nenhuma nuvem no céu. Outro espetáculo. Apagamos as lanternas e por alguns instantes ficamos em silêncio no absoluto breu, apenas vendo a magnitude do céu. Uau! Nunca vi nada parecido, pena que a câmera do celular não consegue captar as estrelas.

Iniciamos a descida com o frio já judiando. Sensação de que não acabaria nunca. Víamos as luzes da cidade ao longe, e quanto mais a gente descia, mais longe elas ficavam. Eu já estava no piloto automático. Pés doendo, fome de comida, e um pequeno mau humor batendo. Respirei fundo e tentei não pensar.

Já batia 15 horas de travessia e já não tínhamos mais pernas para correr nem na descida. Finalmente chegamos ao hotel do Pierre, um hotel desativado (antes o resgate podia ir até ali). Faltavam só mais 2km para chegar até a rodovia. E finalmente depois de 16h chegamos!! Gabriel nos esperava com cerveja. Completamos o 2º dia!! Cansativo mas extremamente recompensador!! Voltamos para o hostel, comemos e fomos dormir sem saber se iríamos ou não para o terceiro dia…

Resumo

Travessia Serra Fina

Saída: Toca do Lobo – Passa Quatro

Chegada: Itamonte

Distância: 32km

Tempo: 16h26min

Desnível Positivo: 2795mts

Desnível Negativo: 2795mts

Altitude Máxima: 2738mts (Pedra da Mina)

Transmantiqueira Dia 1 -Travessia Marins-Itaguaré

treino para utmb – ccc

Tudo começou há um mês atrás, quando eu estava estudando minha periodização para a CCC (corrida de 101km que farei em agosto), e precisa encaixar um treino de muitas horas, e fazer um bom volume de altimetria.

E esse volume alto encaixaria bem na semana do feriado de 9 de julho. Liguei para o guia (@viniciustrek), para saber se ele tinha a data estava disponível. Expliquei pra ele que precisava fazer um bom volume, e então ele me sugeriu que fizéssemos o que eles chamam de Transmantiqueira: Travessia Marins-Itaguaré, Travessia Serra Fina, e Travessia Rebouças-Rancho Caído no Parque Nacional do Itatiaia. Tudo isso em três dias. Quem conhece a região e já fez alguma dessas travessias, sabe o quanto é difícil.

Com a data definida e as travessias, convidei os meus amigos Fernando e Diego para me acompanhar. Eles de cara toparam (eu sou louca, mas tem gente que abraça minhas loucuras hahahah), e então organizamos a logística.

Ps: amigos trilheiros, não fiquem chateados comigo, convidei pouca gente, pois a minha intenção era treinar um pouco mais focado, e quando se forma um grupo grande a logística é mais difícil e fica tudo mais lento.

Nos hospedamos no Refúgio Rosetal em Itanhandu. Um hostel simples, porém muito bem estruturado e extremamente flexível em questão de horários. A Marissol, proprietária do refúgio é simplesmente a pessoa mais adorável e prestativa. Além de servir café da manhã na hora que você precisa, 3h, 4h da manhã, não importa, ela está lá sorridente e assando um pão de queijo quentinho. Tem como não amar?

Saímos de SP na sexta, por volta de 18h e 22h30 estávamos chegando em Itanhandu. Organizamos nossas mochilas, acertamos o horário de saída com o Vini e capotamos, pois 4h30 da manhã estaríamos de pé.

travessia marins-itaguaré

Saímos de Itanhandu rumo à base do Marins às 6h da manhã. O caminho para chegar lá é por estrada de terra, então é um pouco demorado. Chegamos na base às 7h30 e partimos rumo à nossa primeira travessia do fim de semana.

Em 2016 havíamos tentado fazer, mas uma tempestade nos impediu de continuar (relato aqui). E sábado eu entendi porque não poderíamos ter continuado mesmo, essa travessia é extremamente exposta, muuuuita pedra, ascensões bem escorregadias e inclinadas.

Iniciamos em um bom ritmo, e em 2h20 chegamos ao Pico dos Marins, nosso primeiro cume do dia. O dia estava simplesmente maravilhoso, céu azul, nenhuma nuvem no céu e o visual estava de encher os olhos. Fizemos nosso primeiro lanche ali no cume e então seguimos rumo ao Marinzinho.

A partir dali, o terreno começava a ficar mais técnico e os galhos e capins típicos da mantiqueira começaram a judiar das pernas.

Chegamos ao cume do Marinzinho com 3h40 de travessia, paramos ali por pouco tempo e seguimos em direção à Pedra Redonda.

O visual a partir dali consegue ficar mais lindo ainda. A vista da Pedra Redonda com o Itaguaré ao fundo é incrível.

Passando a Pedra Redonda, as escalaminhadas começam a ficar mais puxadas. A sensação que dava é que não chegaríamos nunca ao Itaguaré. Quando estávamos quase chegando ao cume, precisamos tomar bastante cuidado, pois tivemos que pular pedras com vãos de 100mts (medo), me senti bem menininha nessas horas hahahah. Chegamos ao cume com 7h50, felicidade sem tamanho. Ficamos pouco tempo no cume, pois o vento estava gelado.

Iniciamos a descida, e conseguimos correr um pouco nesse trecho, pois o terreno era um pouco menos travado.

Fechamos a travessia com 9h43, felizes por completar mais um desafio e colocar mais um ✅ em lugares que gostaríamos de conhecer. Terminamos bem inteiros e ainda no final fizemos amizade com a Dona Ruth, uma senhora gracinha que ainda nos deu uma cerveja para comemorar o sucesso do nosso primeiro dia.

Resumo

Travessia Marins-Itaguaré

Saída: Acampamento Base do Marins

Chegada: Acampamento Base do Itaguaré

Distância: 18km

Tempo: 9h43

Desnível positivo: 1811mts

Desnível negativo: 1830mts

Altitude máxima: 2391mts

Altitude mínima: 1527mts