Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas

Tudo que você precisa saber

Quando pensamos em viajar pra fazer o Vale do Pati na Chapada da Diamantina, surgiram muitas dúvidas de como fazer, onde ficar, logística, ônibus, guias, cidades. Muita coisa pra pesquisar e decidir , não é fácil.

Mas, de cara, já sabíamos que queríamos fazer esse trekking, uma das muitas atrações e passeios pra se fazer na Chapada. Como gostamos de trekking e estamos acostumadas, fizemos essa opção. Tudo que conseguiríamos encaixar antes ou depois do Vale do Pati, seria lucro pros poucos dias que tínhamos. 4 dias eram o total que conseguíamos para esse passeio.

O grupo: Zé, Deinha, Emerson, Sá, Barbara e Isa.

Entramos em contato com alguns guias, todos por indicação. Alguns muito atenciosos, por sinal. A maioria deles saia da cidade de Lençóis, que é a cidade mais turística, mais cheia, mais cara e mais fácil de chegar de ônibus. De qualquer jeito quando você fecha o guia, está incluso o transporte até o início da trilha e resgate no fim, podendo ficar em qualquer cidade, dependendo da onde está o guia ou empresa escolhida.

Tinha apenas um guia que saía de Mucugê, o Zé. Zé tinha guiado o grupo da minha irmã em 2015, não faltavam elogios à ele. Ele demorou pra me passar o preço para 5 pessoas, mas no fim achamos que valia a pena ir com ele. O único problema: chegar em Mucugê. Com as passagens já compradas, não era possível chegar de ônibus até Mucugê, porque tinha apenas 1 horário de ida  (Empresa Cidade do Sol). Então, resolvemos alugar um carro, já que valia muito a pena, mesmo o carro parado 4 dias. Mesmo se desse de ônibus, teríamos alugado um carro, porque conseguimos incluir a Cachoeira do Buracão, no nosso dia, só porque estávamos de carro, fora que a passagem de ônibus de todo mundo custaria quase o mesmo preço do aluguel.  Pronto, decidido!

Zé, nosso guia no Vale!

roteiro

Tínhamos 6 dias no total. 1 dia pra chegar e 1 dia pra ir embora e 4 de passeio. A Chapada é bem longe de Salvador (aproximadamente 8-9 horas de ônibus, se der tudo certo e 6h-7h de carro), vai depender da cidade que você vai ficar.

Se você decidir essa viagem bem antes, procure por passagens de avião direto pra Lençóis. No nosso caso, as passagens estavam muito caras.

DIA 14/11 – 23H, CHEGADA EM SALVADOR

Alugamos um carro no aeroporto e dormimos na cidade.

DIA 15/11 – 1º DIA DE CHAPADA -> CACHOEIRA DO BURACÃO E MUCUGÊ

Saída de Salvador em direção à Ibicoara (7 horas dirigindo ) para fazer a Cachoeira do Buracão. Iniciamos já eram 14h a trilha e terminamos ela no escuro. Na maioria dos blogs diz pra se fazer o Buracão no fim da viagem, porque ela é muito impressionante e isso ofuscaria os outros passeios. Eu fiz o Buracão no primeiro dia de Chapada, realmente uma das coisas mais impressionantes que já ví, mas isso de forma alguma tirou o brilho do Vale do Pati, não se preocupe com isso. Terminando o Buracão fomos pra Mucugê, pois iniciaríamos o trekking do Vale do Pati, no dia seguinte bem cedo. SIM, A CACHOEIRA DO BURACÃO É PASSEIO OBRIGATÓRIO, É MARAVILHOSO!

Cachoeira do Buracão, por cima!

O que levar para cachoeira do buracão

Mochila pequena de 10l – nos trocamos no banheiro do parque (roupa de banho), onde o carro fica estacionado, levamos toalha, água e celular pra tirar foto. Tem um ponto que você deixa tudo e só vai de roupa de banho, a Isa levou a GoPro amarrada no punho e fez vídeos iradíssimos.

DIA 16/11 – 2º DIA DE CHAPADA -> DIA 1, NO VALE DO PATI

Trilha iniciando em Guiné, pela Serra do Esbarrancado, subindo pelo Morro do Beco, segue pelos Gerais do Rio Preto até o Mirante do Pati (visão ampla dos seus próximos dias), continua pelos Gerais em direção à vista de cima do Cachoeirão em dois mirantes. Segue em direção à casa da Dna. Raquel para pernoite.

Cachoeirão- Impressioante cachoeira de 270m com várias quedas d’água (se tiver em época de chuvas). A 4ª mais alta do Brasil.

Total: 22kms

Mirante do Pati

Mirante do Cachoeirão

DIA 17/11 – 3º DIA DE CHAPADA -> DIA 2, NO VALE DO PATI

Da Dna. Raquel fomos para o Morro do Castelo pela Serra da Lapinha, numa subida bem íngreme de 3kms, onde entramos em 1 gruta e apreciamos 2 mirantes. Desce pelo mesmo caminho e segue para a Cachoeira dos Funis passando pela Cachoeira do Lagedo. Voltamos para a casa da Dna. Raquel para pernoite.

Total: 13kms

Morro do Castelo

Gruta do Morro do Castelo

Cachoeira dos Funis

DIA 18/11 – 4º DIA DE CHAPADA -> DIA 3, NO VALE DO PATI

Saindo da Dna. Raquel já com saudades, seguimos a travessia margeando o Rio Pati até o Poço da Árvore para aproveitar, dar um mergulho e relaxar. Seguimos para casa do Seu Eduardo. Nosso roteiro inicial desse dia, era só isso. Porém,  como andávamos muito bem e não estávamos cansados, nosso guia adicionou o Cachoeirão por baixo, após deixarmos as coisas no Seu Eduardo. Foi um bônus incrível.

Total: 16kms

Poço da Árvore ou Poção

Cachoeirão por baixo

DIA 19/11 – 5º DIA DE CHAPADA -> DIA 4, NO VALE DO PATI

Último dia de trekking, dia de despedida do Vale. Dia difícil, a vontade era ficar. Saímos emocionados da casa do Seu Eduardo. Pegamos a Ladeira do Império, uma subidona calçada por pedras, andamos bastante no sol. Nesse trecho costuma esquentar muito, pois já estamos mais próximos da cidade de Andaraí onde o clima é mais quente em relação ao Vale.

Total: 15kms

Ladeira do Império

Chegando em Andaraí

Fim! Cidade de Andaraí

Após chegar em Andaraí, nossa van ainda nos levou até o Poço Azul que fica na cidade de Nova Redenção. Chegamos bem em cima da hora pra fechar.

Poço Azul, fomos muito tarde, já não tinha raios de luz

Total 4 dias no Pati: aproximadamente 66kms.

DIA 20/11 – Volta pra casa

O QUE LEVAR para o vale do pati

Tamanho da mochila: No nosso grupo tinha mochila de 15l a 60l. Ou seja, teve gente que foi minimalista, teve gente que exagerou. Rola uma pegada minimalista se você tiver afim disso mesmo, lavar roupa ou usar suja, levar tudo do menor possível. Mas, não rola exagerar. Não faça isso, o peso pode te custar um melhor desempenho, uma caminhada mais tranquila. Ou fazer diferença caso fique doente, como aconteceu com a Isa, são muitos kms de caminhada. Dica: não se ilude em pegar uma mochila de 60l e dizer que vai levar vazia, pega logo uma bem menor e se vira (30 a 40 litros).

Nossas mochilas

Tênis ou Bota para trilha – Não compre um tênis novo e vá para o Vale, isso pode custar seu passeio inteiro, tendo que sair do Vale de mula, com os pés cheios de bolhas. Também, não vá com o tênis mais velho. Vá com tênis ou bota apropriada para trilha (solado com gripe), que esteja amaciado. Esse é o problema mais comum dos caminhantes, cuidar dos pés é de extrema importância. 1 tênis e 1 chinelo/papete (levei chinelo pra ocupar menos espaço).

Roupa leve ou esportiva – Levei roupa esportiva porque elas ficam bem pequenas, não ocupam tanto espaço e secam rápido. Aliás, as meias. Procure levar meias sem algodão, quanto mais algodão mais difícil de secar, tanto na caminhada, como de um dia pro outro.

Sugestão: 5 pares de meia, 2 camisetas de manga longa (protege do sol) e 2 de manga curta (uma delas usava pra dormir e usei ela no último dia de trekking), 1 shorts, 1 calça, 1 top e 1 biquini (usei a parte de cima como top também), e roupa íntima.

Remédios e itens pessoais – Cuidado com os exageros. Não levei cartela inteira de nenhum remédio. Diminua tudo que puder, coisas pequenas juntas, também ocupam espaço. Quanto menor levar, melhor. O básico: pra dor/febre, anti alergico, curativos. O guia não pode medicar, você tem que levar isso. Levei uma pomada B-Pantol, caso tivesse algum problema na pele, foi super eficiente pra rachadura aberta no meu pé. Opte por produtos naturais e biodegradáveis (shampoo, sabonete, pasta de dente etc) importante porque a água vai pra terra direto e leve tudo pequeno. A Deinha nossa amiga minimalista, levou um sabão de coco pra lavar tudo e pasta de dente em pó. Nas cidades da Chapada é possível encontrar esse tipo de cosmético.

Toalha – daquelas fininhas de secagem rápida. Eu comprei a minha na decathlon. Nas casas dos nativos tinha toalha, usei a minha só para cachoeiras.

Repelente/Protetor solar/Chapéu/Boné – Muito sol, se proteja. Deixe o protetor sempre em bolso acessível. Não tivemos problemas com mosquitos no Vale, só em Mucugê.

Garrafa de água/Cantil/Reservatório de água – Na minha mochila tinha saída paro o cano de reservatório de água. Levei um reservatório de 2 litros e foi suficiente. É legal levar uma garrafa de água para usar nos dias que você não sai com a mochila grande. Se não for levar reservatório, leve duas garrafas de 600ml, sempre vai ter água pelo caminho.

Celular/Câmera – Celular só serve pra tirar foto mesmo, não pega em nenhum lugar, nas cidades mesmo o 3G é bem difícil. Na casa dos nativos tem energia solar pra carregar, porém ela pode acabar. A Isa levou uma câmera bem legal, mas foi aquele peso extra, mas temos hoje fotos lindas.

Mochila pequena extra – Fizemos dois passeios no Vale que voltamos pro mesmo lugar. Pra nao ter que levar uma mochila pequena de ataque, dentro da grande (custa espaço), levei duas mochilinhas dobráveis que comprei na decathlon. Elas ficam minúsculas. Uma de 10l e uma de 20l, elas foram suficiente para nós.

Mochila de 10l

Mochila de 20l

Lanterna – De preferência de cabeça com pilha extra. No Morro do Castelo tem uma gruta que precisa de lanterna e pra fazer as coisas à noite. Coloque a lanterna na mochila em todos os passeios, pois tiveram muitas trilhas que terminamos à noite, passei um certo sufoco por preguiça de pegar da mochila grande.

Capa de chuva/Anorak e Corta Vento – Leve um casaco tipo anorak (impermeável), além de proteger da chuva, vai te proteger do friozinho que faz à noite. Sim, faz frio, mesmo no verão, acredite. Aí você não precisa levar um agasalho a mais para as noites. Capa de chuva também para a mochila. Além disso, levei vários sacos tipo ziploc para colocar minhas roupas caso chovesse forte. Não queria de jeito nenhum, roupas molhadas. Um casaco corta vento, caso esteja muito vento, mas não esteja chovendo nem frio.

Esse é o básico. Levei uns mini mosquetões pra pendurar coisas na mochila: roupas pra secar, chapéu quando não queria usar, toalha molhada depois da cachoeira..etc.

guiamento

Cachoeira do Buracão (Não faz parte do Vale do Pati) – Só guias locais estão autorizados a entrar no parque, não é possível entrar sem guia. Contratei o Noábio da Extreme South. Ele foi fantástico, ele é bem aventureiro e vai deixar seu passeio bem mais legal.

Extreme South em Ibicoara- (77) 9151 6431

Com nosso guia, Noábio

Vale do Pati – José  Antônio, ou Zé. Eu poderia aqui passar linhas agradecendo a essa pessoa. Ele fez toda a diferença no nosso passeio. Não pense duas vezes, contrate um guia, principalmente se você está com os dias contados. Além disso, um guia local enriquecesse sua experiência, o Zé, em especial, foi essencial pra tudo ter se tornado tão especial.

O Zé fazia nosso lanche da forma que eu nunca na vida imaginei ter, uma pessoa muito calma, com uma vibe incrível, prestava atenção em tudo, ia na frente olhando tudo que podia dar errado, ele foi essencial, se tornou um amigo pra gente. Curtiu tanto quanto a gente, fez o passeio de coração aberto assim como a gente. Contrataria ele todas as vezes que eu fosse pra lá. Ele tem uma pizzaria em Mucugê, chama Capim Rosa Chá, uma pizza Chapati assada na pedra.

Zé – (75) 8241 5856

Cuidado ao contratar empresas, elas querem vender. E às vezes o roteiro que você compra não está adequado ao seu nível de condicionamento, trazendo problemas dentro da trilha, onde resgate é muito muito complicado. Tenha certeza que o roteiro escolhido está adequado.

Ao contratar o Zé no valor que ele passou estava incluso: Guiamento, traslado até o início da trilha, traslado do fim da trilha ao Poço Azul e de lá pra Mucugê, pernoites na casa dos nativos, café da manhã e jantar na casa dos nativos e lanche na trilha (super lanche).

dicas

– Não vai fazer o Vale do Pati? Sugiro ir para a cidade do Capão, onde você consegue fazer vários passeios a pé, além da cidade ser pouco turística.

-Eu alugaria carro se fosse novamente. Alugamos no aeroporto de Salvador. Só em Lencóis tem como alugar carro e é carérrimo.  Um passeio de Lençóis ou Capão para a Cachoeira do Buração custa em torno de R$ 500,00 se tiver em duas pessoas por ex. Se tiver em mais pessoas o preço abaixa. Como estávamos com carro, pagamos um valor muito pequeno pra esse passeio (R$50,00) fora a nossa mobilidade de ir e chegar mais rápido, podendo aproveitar mais. No geral, se todas nós pagássemos passagens de ônibus, passeios sem carro, gastaríamos a mesma coisa.

-Em Mucugê, alugamos um espaço com quarto, sala e cozinha. Chama: O Pouso Condomínio (booking ou airbnb). Foi excelente, muito limpo e equipado. Não tem café da manhã, mas tomamos fora sem problemas e bem barato, também.

-Economize na mochila, leve o essencial. Coisas supérfluas deixe em casa. Ficamos sem lavar o cabelo três dias, mesmo levando shampoo e foi tudo bem.

-Água gelada, banho gelado.

-É possível carregar os celulares na casa dos nativos, se não tiver muita gente. Porque a energia pode acabar.

-Não vá em feriados prolongados como fim de ano, carnaval. É muita gente na casa dos nativos, os nativos vão estar super ocupados com tanta gente e talvez  você não consiga bater um papo legal com eles, fora a confusão de gente querendo tomar banho, comer. O feriado do dia 15 de novembro foi perfeito, pois não é um feriado nacional.

-Na casa dos nativos tinha lençol, coberta, toalhas.

Nosso quarto na Dna. Raquel. Claro, bem bagunçado!

Bar do João, filho da Dna. Raquel. Tivemos uma noite incrível no Bar da Alegria

Café da manhã delicioso no Seu Eduardo

-Não passamos fome em nenhum momento. Não leve comida. Todas as refeições muito fartas.

Lanche que o Zé preparava todas as tardes. Sensacional!

-Avisar se for vegetariano ou vegano. O Zé fez o kit especialmente pra Isa.

-Vá de coração aberto, curta a experiência, esqueça futilidades, converse com os nativos, entenda a história da região, ouça histórias, mesmo cansado, faça um esforço para aproveitar o momento que você tem com eles.

-Pra quem passar pela casa do Seu Eduardo, deixe sua contribuição para a caixinha do Helicóptero. Seu Eduardo vai amar visitar sua terra já que ele teve que se mudar pra cidade e não consegue visitar andando, nem de mula devido à sua idade.

-Leve todo seu lixo de volta na mochila. Os nativos retiram o lixo através das mulas, que levam tudo pra cidade. Ou seja, se todo mundo deixar o seu lixo, imagina.

-E o mais importante, divirta-se! Que seja tão especial quanto à nossa foi!

Casa do Seu Eduardo, nossa eterna gratidão.

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 3
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 4
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

Vale do Pati, Chapada Diamantina – Dia 4

Do seu eduardo à andaraí

No nosso quarto e último dia de trekking acordamos com o coração apertado. Já estava acabando uma das experiências mais incríveis das nossas vidas. Zé nos tirou da cama cedo, pois tínhamos que chegar em Andaraí até as 14h, pois ainda visitaríamos o Poço Azul. Tomamos o delicioso café do Vitor, e quando nos despedimos ficamos muito emocionadas. Agradecemos por tudo, e o Vitor na hora da despedida nos disse: “Obrigado por trazer felicidade.” Nós que te agradecemos Vitor, por nos mostrar que a felicidade está na essência das coisas mais simples. ❤️

ladeira do império

O último dia de Trekking é considerado o mais difícil no quesito altimetria. A Ladeira do Império é uma escadaria de pedra que era utilizada para a saída do café que era produzido no Vale antigamente. E olha, era uma senhora ladeira de respeito. Eu acordei beeeeem gripada, com aquelas gripes que você só quer ficar deitada… mas a realidade era bem diferente, eu tinha que subir quase 700mts de altimetria em 2km, percorrer os 18km restantes com um sol bem quente e a minha mochila que estava bem pesada. Não foi fácil.

No meio da subida comecei a me sentir bem mal, suando frio. Pedi para parar umas três vezes, o que atrasou um pouco. A subida parecia inacabável. Foi com muito esforço, mas consegui. Paramos para nosso último lanche na trilha, e o Zé sempre surpreendendo, dessa vez tinha até Bis e geleia caseira hahahah ❤️

Depois do lanche, por volta de meio dia, o sol ficou mais forte, o que dificultou mais ainda minha vida. Foi muuuito sofrido a chegada até Andaraí. Todo mundo super ajudando da maneira que podiam. Mas eu já não tinha mais forças, a gripe estava me minando. Finalmente por volta das 15h chegamos no centro da cidade e fomos direto para a sorveteria onde a nossa Van nos esperava. Deitei no chão e pedi uma coca. Fiquei uma meia hora assim. Que sofrido.

partiu poço azul

Recuperamos as energias com um belo sorvete e seguimos para o Poço Azul já super atrasados. Quando chegamos lá, eles praticamente já estavam fechados, mas como chegamos bem em cima da hora, deixaram a gente entrar. Só tinha a gente.

Que lugar único. Nunca tinha visto uma água tão transparente. Ficamos lá flutuando naquela paz por uns 15 min, que é o tempo máximo permitido. Uma pena que o sol já estava muito baixo para que víssemos o azul do Poço. Tivemos que nos apressar, ainda tínhamos que atravessar um rio de barco para retornarmos para a Van.

Chegamos de volta em Mucugê eram umas 20h, tomamos banho e fomos comer pois estávamos famintos (novidade).

O coração já estava apertado. Dia seguinte retornaríamos para Salvador e chegava ao fim um dos trekkings mais lindos das nossas vidas. Quanto aprendizado e amor estávamos levando na bagagem. A vontade era ficar ali na Chapada por mais um mês… Obrigada Chapada Diamantina por nos proporcionar tudo isso!!

No próximo post, passaremos todas as informações úteis, gastos e indicações.

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 3
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

Vale do Pati, Chapada Diamantina – Dia 3

Da dna. raquel ao seu eduardo

No post anterior, contamos como foi a Trilha para o Morro do Castelo, para a Cachoeira dos Funis e sobre como foi incrível o forró na casa da D. Raquel (link aqui).

Acordamos com uma certa dificuldade hahahaha (pq será né?), tomamos aquele café da manhã incrível, com aquele bolo de tapioca que jamais vou esquecer. Arrumamos nossas coisas, e saímos para o nosso terceiro dia de trekking.

O roteiro era seguir até o Poço da Árvore ou Poção, tomar um banho de cachoeira, relaxar e depois seguir para a casa do Seu Eduardo. Mas, o Zé tinha falado que se estivéssemos bem, poderíamos chegar no Seu Eduardo e ainda ir para o Cachoeirão por baixo.

poço da árvore

Chegamos no Poção e ficamos um bom tempo ali e aí seguimos em direção à casa do Seu Eduardo para deixar as nossas mochilas e fazer um belo lanche. Quem gentilmente nos recebeu foi o Vitor, neto dele, que é quem cuida de tudo por ali. O Seu Eduardo não pode morar mais lá devido suas condições de saúde atual e também pela idade avançada. Depois que caiu de mula, não pode mais montar e a família achou melhor levar ele pra cidade.

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Poção

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ou Poço da Árvore

Amigos pela trilha

cachoeirão por baixo

Após o lanche, seguimos então para a trilha do Cachoeirão por Baixo. Na minha opinião foi a trilha mais difícil de todo o Vale do Pati. Muitas pedras escorregadias, muitos troncos soltos, quase uma escalaminhada em alguns pontos. Dura, mas incrível, a sensação era de que toda aquela natureza te abraçava e você simplesmente fazia parte de tudo aquilo.

Depois de quase uma hora de caminhada chegamos ao primeiro poço. Aquela água cor de cobre linda e gelada. Optamos por não entrar e seguir, pois o José queria nos levar até o poço do coração. A trilha ficou ainda mais difícil. Neste momento tomei o tombo mais feio de toda a trilha, fiquei um pouco assustada. Tínhamos que subir pelas pedras lisas, todos quietos, prestando muita atenção.

Chegamos em um determinado ponto da trilha, já lá em cima, em que o Zé começou a achar que não estava mais seguro, pois dali a gente teria que descer pelas pedras, mais lisas ainda. Então ele achou melhor seguirmos por outro caminho, mantendo assim todos em segurança. E então logo avistamos o poço do coração.

A natureza é perfeita e linda. Chegamos ao poço, eu e a Sasa não animamos entrar naquela água gelada. O sol jé estava se pondo, e eu já percebia alguns sintomas de uma possível gripe. Ba, Emerson e Deinha entraram. Ficamos por ali contemplando tamanha beleza. Não dá pra explicar em fotos. O Cachoeirão é a segunda maior cachoeira da Chapada com seus 270mts de altura. No primeiro dia fizemos ele por cima (link aqui).

Na trilha

Primeira cachoeira do Cachoeirão

tá td bem Ba?

Muitas pedras

Pausa pra água

A cor dessa água

Poço do coração

Zé faz uma selfie!

casa do seu eduardo

Não ficamos muito tempo, pois não teríamos muito tempo de luz, e aquela trilha durante a noite não seria legal. Mesmo ficando pouco, ainda assim, pegamos um bom trecho no escuro. Eu e Sassa não levamos lanterna (erro grave, não façam isso, saiam sempre com lanterna). Consegui usar a do celular, o que facilitou mas não é o ideal. Chegamos na casa do Seu Eduardo já eram quase 19h e a janta estava quase pronta. O Vitor falou que estaria servida em meia hora.  Tomamos banho e fomos fazer o que mais gostamos, comer! E que jantar delicioso.

Casa do Seu Eduardo

Vitor nos contou que há algum tempo atrás uma emissora de TV fez uma matéria com o Seu Eduardo e levaram ele de helicóptero para visitar seu lar. Disseram que ele deu uma voltinha de mula pra relembrar os velhos tempos e ele caiu em lágrimas de felicidade, que foi muito emocionante.

Foi assim que durante o jantar, Deinha e Barbara tiveram a brilhante ideia de fazer uma caixinha de doações para arrecadar fundos para levar de helicóptero o Seu Eduardo para visitar sua casa no Vale. Ele não pode mais montar nas mulas e muito menos ir andando, e esses são os únicos meios de chegar até o Vale do Pati. Então se algum dia você passar por lá, ajude o Seu Eduardo a ter mais esse momento de felicidade,  todos também no Pati ficarão muito felizes em tê-lo por lá.

Fomos dormir cedo, pois estávamos mais cansados e ainda tinha uma gripe vindo com força total. E o último dia nos reservava ainda uma caminhada dura…

Continua…

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 4
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2

Morro do Castelo, cachoeira dos funis e Forró

No post anterior contamos como foi nosso primeiro dia no Vale do Pati, nossa caminhada de Guiné à casa da Dna. Raquel, passando pelo Mirante do Pati e Cachoeirão por cima (clique aqui). Neste agora, vou contar como foi o segundo dia no Pati: Morro do Castelo, Cachoeira do Funil e a incrível noite na Dna Raquel com direito à cachaça, fogueira e forró!

Cachoeirão por cima, do post anterior.

Também contei sobre o meu pé que a rachadura abriu levemente, e isso me preocupou, mas eu cuidei mesmo do pé, tomei banho, passei um óleo da Barbara que ajuda na cicatrização e na hora de dormir passei B-Pantol Derma. No outro dia, tcharaaaaam, inacreditável, não tinha mais nada, nenhuma lesão no pé. Calcei o tênis e nadinha de dor, mas que felicidade!

Hora do café da manhã, que hora mais feliz, muita coisa boa. Acabou que a gente se enrolou de novo comendo e saímos mais tarde que o esperado, mas compensamos na caminhada na trilha.

Sassa, Ba e Isa <3

Morro do castelo

A trilha pro Morro do Castelo é um subidão, bem íngreme, mas não é comprida, o que torna esse dia difícil se você estiver cansado do primeiro dia, se não, é tranquilo. Subimos numa boa! Fizemos uma parada pra pegar água, tomar um banho e bora pra cima.

Chegamos em uma gruta, usamos a lanterna para poder enxergar e sair lá do outro lado. No meio da gruta, o Zé pediu que desligássemos as luzes, breu total, e ficássemos em silêncio pra escutar o barulho dali, da natureza, do que estava à nossa volta . Foi uma paz imensa, foi um momento de se sentir parte do meio.

Chegamos no primeiro mirante, tiramos 1 milhão de fotos, era lindo. Algumas coisas, faltam palavras pra poder descrever, faltam fotos pra poder mostrar. Nós tentamos! As fotos conseguem transmitir uma parte da beleza da Chapada, porque o que a compõem é tudo que está ao seu redor, em todos os lados, em todos os sentidos, em todos os ângulos, é o conjunto de tudo e nenhuma foto consegue mostrar tudo isso junto.

Hora do lanche, que hora mais feliz. Zé nos surpreendendo novamente. Vou mostrar a foto que é melhor.

Próximo mirante, que paisagem! Um cenário à nossa frente deslumbrante, parecia uma pintura ou parecia que estávamos num filme, tipo Jurassic Park.

cachoeira dos funis

Descemos o Castelo e fomos margeando o rio em direção à Cachoeira dos Funis, passamos por um pessoal fazendo ritual, não sei exatamente qual, mas eles estavam sob efeito do chá, foi um pouco estranho passar ali por eles, mas continuamos e chegamos numa Cachoeira deliciosa, gelada, né, mas uma maravilha. Tomamos banho de cachoeira, comemos de novo, somos bons nisso e voltamos pra Dna. Raquel, chegamos já no escuro. A parte linda de chegar no escuro são os vagalumes que vem nos saudar com sua magia. Vagalumes ?

Tomar banho gelado à noite não é tarefa fácil, faz um friozinho à noite, tomamos então um banho de leve né, pra que lavar o cabelo se o Zé disse que a água da Cachoeira é ótima pra ele.

noitada na dna. raquel

Jantar, que hora mais feliz! O povo do mantra já tinha ido embora, estavam menos pessoas na Dna. Raquel! Avisaram que ia ter fogueira e violão lá em cima, perto dos outros quartos e do bar/vendinha. Como estávamos nos sentido bem, dava pra curtir a noite, estávamos todos animados. Fomos na Vendinha comprar algo e conhecemos o João, filho da Dna. Raquel, descobrimos a Cachaça de Gengibre (com mel e limão), que coisa boa, não deixe de provar.

Conversa de bar

 

 

Bebe cachaça, dança forró, olha as estrelas! Precisa de mais alguma coisa? Não! Mas, de repente, João começa a tocar sanfona, sério? Isso é sério? Filhos da Dna. Raquel tocando forró pra gente? Aquilo era muito especial e merecia mais cachaça e mais cachaça! ahaha Alguém se preocupava com o outro dia? Nãaaaaaao!

chora sanfona, bebe cachaça

João tocou um pouco e foi lá pra dentro do bar, eu e a Deinha fomos atrás pra tirar foto com ele. Ele confessou que colocaram na internet que ele toca sanfona e todo turista que chega lá fica insistindo pra ele tocar, mas como ele disse: “tem dias que o instrumento não está em você”, não vai. E aquele dia era um dia desses, ele não queria mais tocar. Por favor, respeitem! Tiramos uma foto, conversa vai, conversa vem, ele resolve dar um chorinho só pra finalizar, dentro do bar pequeno, a sanfona ecoava, o som ficava ainda mais bonito.

João começa a tocar ensandecidamente, toca como se fosse a coisa mais importante naquele momento, ele canta, canta alto, todo mundo canta, muito alto, as pessoas lá fora na fogueira, foram pra ver o que acontecia ali dentro. Eu não sei explicar o que aconteceu, só aconteceu, o forró mais bonito da vida toda, aquele que vem do coração, o instrumento estava agora dentro dele. Todo mundo dançou com todo mundo. Foi lindo! Zé repetia que aquilo era muito especial, muito emocionante e que não acontecia com frequência, deveríamos aproveitar o momento e no outro dia a gente via. Obrigada João por esse momento lindo e pela dança! Turistas, por favor não insistam, se ele sentir no coração, ele vai tocar!

Zé (guia), Sassa, João (filho da Dna. Raquel) e Deinha

 

João tocou e dançou!Aos poucos as pessoas foram indo embora e fui ficando, eu a Isa e Zé e mais algumas pessoas. Eu queria ficar até o final, aquilo era especial, poxa. Isadora ficou também, ficamos lá batendo papo na fogueira, vendo estrelas, que lindo! Isa foi dormir, falei que ia ficar, mas depois de 5 minutos me dei conta que tinha outro dia de caminhada e fui atrás dela. kkk Agradeci, agradeci e agradeci ao momento maravilhoso que tivemos.

Bora dormir com a água do lado!

No próximo post, contaremos como foi nossa despedida da casa da Dna. Raquel, a parada no Poço da Árvore, a casa do Seu Eduardo, e a tensa ida ao Cachoeirão por baixo (não fazia parte do roteiro inicial, mas o Zé levou a gente).

Despedida desse lugar incrível!

 

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 3
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 4
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1

Do Guiné à Dona Raquel

No post anterior conto como foi nossa decisão sobre o roteiro do Vale do Pati e o passeio incrível à Cachoeira do Buracão, sim ela é mesmo imperdível!

Clique aqui – Cachoeira do Buracão

Continuando..

No dia 16/11 acordamos cedo, tomamos café da manhã em Mucugê já com nosso querido guia José Antônio. Zé deixou tudo preparado com uma moradora para que ela fizesse o café bem cedo, porque na nossa pousada não tinha. Comendo ali, quase esquecemos que tínhamos que ir, estava tão bom o café da manhã. A parte da comida eram momentos especiais pra gente! Kkkk

O Zé entregou nosso kit lanche (muita comida) com um suco congelado feito por ele pra gente colocar na mochila. Pegamos a Van que ele reservou e partimos sentido Vila do Guiné. Nosso roteiro era de Guiné a Andaraí por dentro do Vale, totalizando 4 dia e 3 noites.

Partiu Vale do Pati

Eu (Sassa), Isa, Bárbara, Deinha e Emerson adotamos já de início um bom ritmo, a trilha já começa subindo. Pedimos o maior roteiro possível pra 4 dias, então no primeiro dia andamos 22kms.

Felicidade por estar ali!

Passamos por descampados, por zonas alagadas (tinha chovido antes), por rios, por todo tipo de vegetação, seguimos pelos Gerais do Rio Preto. Fiz algum esforço para não molhar os pés em todo o percurso, tem uma infinidade de relatos de pessoas que se deram mal já no primeiro dia por causa de bolhas, machucados nos pés.

E chegamos no Mirante do Pati. Dali era possível ver nosso roteiro dentro do Vale, nossos próximos dias estavam ali bem diante dos nossos olhos. Ansiedade tomava conta! Tiramos muitas fotos, aproveitamos bem o visual.

Mirante do Pati

Continuamos seguindo pelos Gerais do Rio Preto chegando ao Cachoeirão por cima.

Da esq. pra dir.: Isa, Sassa, Deinha, Emerson e Ba! Zé, tirando a foto!

Primeiro mirante do Cachoeirão era impressionante, apesar de não ter tantas quedas como em época de cheia, estar à beira do abismo é tenso e ao mesmo tempo maravilhoso, pela paisagem que ele proporciona. Foi uma sensação única, de querer ficar ali deitada à beira do abismo olhando, olhando, olhando, quase uma hipnose. Como se não bastasse toda aquela vista, vimos um arco íris, formando uma cena única.

Cachoeirão por cima.

Com direito à arco-íris.

Próximo mirante do Cachoeirão é onde as pessoas corajosas tiram fotos bem na pontinha da pedra, eu sinceramente, acho desnecessário. Haahha.

Aliás, o Zé era extremamente cauteloso e respeitoso com a natureza. Ele fica um pouco tenso nos momentos dos abismos, porque as pessoas às vezes são mto ansiosas e vão com mta sede ao pote, querendo tirar fotos malucas, colocando suas vidas em risco. Ele era muito calmo, nos passava calma, porque afinal, o que mais importa ali é o que podemos sentir diante da paisagem impressionante, e não a foto! Sua atenção era enorme, pedia pra gente ficar em silêncio (tarefa difícil) pra que ouvíssemos os sons. Enfim, a viagem começava a tomar forma, ali senti que ela seria especial e não teria chance de não ser.

Cachoeirão por cima de outro anglo.

Momento mais esperado do primeiro dia, aliás em todos os dias, o momento mais esperado era o da comida! Hah Hora de abrir o kit lanche, que felicidade. Babem, o kit lanche tinha frutas (banana, goiaba,manga) , uns 4 sanduíches, chocolate, barra de cereal, biscoito salgado, broa de milho, ovo cozido, Jose tira da mala dele, azeite, sal, temperos, estou esquecendo de mais coisas aí, era muita comida, uma delicinha. A Isa, vegetariana, também tinha seu kit montado especialmente pra ela.

Nessa hora Zé percebeu que a gente comia de verdade e que ninguém ali se preocupava muito em chegar tarde no destino, ninguém tinha muita pressa. Andávamos rápido, mas quando parava, a gente parava de verdade. Isso foi comum durante toda a viagem. Até pra ver as mulas passarem a gente parou!

Esperando as mulas passarem.

Anda, anda, anda, anda, parece que vai chegar, mas anda mais e mais. Nessa hora percebi que algo estranho acontecia no meu pé: sabe aquelas linhas digitais? Elas davam indícios de estarem muito profundas, e meu medo era que elas rachassem, formando uma fissura. Mas, estávamos quase lá, quando pisei numa pedra mais pontuda e senti que fez uma abertura nessa linha digital.

Pronto, era eu me dando mal já no primeiro dia, pensei! Mas, ali chegando na Dna. Raquel, disse pra mim mesma que aquilo não me venceria, que ia cuidar direito do pé e que se fosse pra fazer a trilha com o pé todo estrupiado, eu ia fazer, não ia usar o e-mule (piada interna), quis dizer não ia sair do Vale do Pati de mula.

Chegamos, entramos no nosso quarto, Deinha e Emerson ficaram em quarto de casal e tomamos aquele banho gelado.

Casa da Dna. Raquel

A casa da Dna. Raquel é grande, tem quartos na parte de cima e de baixo, mesmo assim estava cheio quando chegamos, tem uma mini vendinha junto com o bar, dois mirantes, três banheiros em baixo e em cima. Infelizmente, não conhecemos a Dna. Raquel que mora hoje em dia na cidade, e vai somente visitar, conhecemos os filhos que tomam conta.

Aquela hora mais esperada chegava..eee hora boa, o jantar. A mesa do lado cantava Mantras, a gente comendo igual uns desesperados, Zé contando histórias. Conheci um outro guia que tinha ido também pro Vale com a minha irmã, anos atrás, o Henrique, batemos muito papo com ele, mais uma pessoa ali que se tornava especial em menos de 4 horas de convívio. Comemos mais um pouco e mais e tomamos café e mais café e hora de dormir. Café da manhã seria servido às 7h, amém!

Próximo post, vamos falar do segundo dia no Pati: Morro do Castelo, Cachoeira do Funil e a incrível noite na Dna Raquel com direito à cachaça, fogueira e forró!

Até mais!

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 2
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 3
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 4
Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas
Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

Cachoeira do Buracão – Chapada da Diamantina

Dia 1 – Chegando na Bahia e Buracão

Há 2 meses a Isadora, nossa querida blogger do Te Levo, falou que estava pensando em ir pra Chapada da Diamantina no feriado do dia 15 de novembro (quarta-feira) com a Barbara, se eu queria ir também. Era um feriadão, do dia 15 ao dia 20. Eu tinha umas folgas no trabalho pra tirar, então, logo decidimos e organizamos tudo.

Inicialmente fechamos o trekking de 4 dias no Vale do Pati (16, 17, 18, 19/11) com o Guia José Antônio, que foi super bem recomendado pela minha irmã. Dia 15 seria o dia só pra chegar à Chapada e dia 20 só pra ir embora. Chegar lá não é tarefa simples, leva quase 1 dia inteiro. Nesse meio tempo, conversando com uma amiga da facul, ela e o namorado resolveram ir com a gente para o Pati, Deinha e Emerson!

Mas, como boas trilheiras que somos não estávamos contentes em ir até lá e fazer “só” o Vale do Pati. Acabou que por uma questão de logística, pelo pouco tempo que tínhamos e por compensar muito mais, alugamos um carro no aeroporto e decidimos chegar à chapada dirigindo. Isso nos daria um dia a mais de passeio. Conversando com pessoas, visitar à Cachoeira do Buracão era passeio obrigatório, então fechei com um guia local, o Noábio, pelo Facebook mesmo.

Valeu Clarinha, experiência única!

Terça à noite (14) pegamos um voo para Salvador, a Clara, prima, nos deu abrigo (Valeu Clarinha). Dormimos às 2h e às 5h acordamos, tomamos café e fomos direto pra Ibicoara. Chegamos lá já umas 13h20, almoçamos em 10 minutos, encontramos o Noábio e partimos com o nosso carro para a Cachoeira (isso deixa o passeio beeeem mais barato).

CHEGANDO NO BURACÃO

Seguimos por uma estrada de terra, percurso tem 29kms de terra. Estrada tranquila, carro 1.0 vai bem. O Noábio já tinha deixado claro que tinha chovido 3 dias seguidos e que havia um trecho de Rio que teríamos que cruzar de carro, se não desse pra atravessar, deixaríamos ele estacionado antes e iríamos a pé, o percurso aumentaria em mais 3 kms.

Passamos pela portaria do Parque Municipal do Espalhado (R$ 6,00), só entra com guia local, continua pela estrada, até chegar a parte que cruza o Rio. Não tive coragem de atravessar, mesmo o guia falando que dava, a quantidade de água era imensa e o carro era 1.0. Deixei o carro na mão do guia né, ele sabe muito melhor que eu como passar por ali nas pedras.

Cruzamos, estacionamos, levamos o principal em 1 mochilinha. 3kms de trilha tranquila, com visuais lindos e chegamos. Encontramos a Deinha e o Emerson voltando do passeio, eles já estavam na Chapada há alguns dias. O visual é impressionante, passamos por 1 Cachoeira linda e logo ali na frente uma paisagem maravilhosa de cânions, tipo surreal. Só de roupa de banho, cada um pega um colete, fica disponível ali mesmo, porque para ver a Cachoeira do Buracão ainda tem muita aventura.

Nesse momento, por causa do volume imenso de água, já estávamos molhadas do spray da Cachoeira. Margeando pela encosta do cânion, a gente atravessa por uma ponte (com volume menor é possível atravessar a nado) e continua margeando ele, se segurando nas paredes, indo em direção contrária à correnteza, que por sinal estava muito muito forte, além das pedras estarem super lisas, tivemos dúvidas se estávamos fazendo algo seguro. Mas, nosso guia, foi enfático de que ali ele nasceu, que sabia o que estava fazendo e que ia valer a pena.

Chegamos próximas à Cachoeira do Buracão, um volume de água impressionante, como jamais ví na vida. O spray deixava a gente sem ar, a força da água formava ondas, bem diferente dos vídeos que tinha visto, das pessoas tranquilinhas tomando banho de cachoeira, dava um certo medo.

se joga

Chegava a hora de se jogar pela correnteza e aproveitar o tobogã pelos cânions. Oi? Se jogar na correnteza? Vou bater nas pedras Noábio! Não vai, te garanto que não existe a menor possibilidade disso acontecer. Enfim, temos que confiar na pessoa que nasceu indo na Cachoeira, ele passava confiança e fomos.

Bárbara primeiro que ela é mais xovem, mais corajosa, hahaah. Segundo eu, que já fui corajosa e hoje sou médio e em terceiro Isadora medrosinha. Kkk Bárbara foi, afundou na primeira queda maior, atenção, vamos ver se ela volta, voltou. Blza tranquilo, minha vez, me preparei pra queda, afundei, voltei, velocidade vai diminuindo, aproveita a paisagem, encontra com a Barbara esperando na bóia, espera a Isa. Isa chega, a gente resenha, dá muita risada e chega à conclusão que foi uma das coisas mais legais que já fizemos, além do visual ser ridiculamente absurdo de lindo.

Bárbara como boa aventureira quis pular da ponte, “Noábio, posso pular da ponte?”. Pode! Aeeee pulamos da ponte, todo mundo.

Nos despedimos da Cachoeira, paramos ainda pra ver o Buracão por cima e terminamos a trilha no escuro. Ainda tínhamos que dirigir até Mucugê, de onde sairíamos com o Zé Antônio para o Vale do Pati no outro dia super cedo.

Noábio, você foi o guia perfeito para o passeio, valeu mesmo!

Chegando em Mucugê, que delícia de lugar, fomos direto pra pizzaria que estava aberta, encontramos com a Deinha e Emerson, acertamos o horário com o Zé e fomos pra pousada, tínhamos que arrumar a mala só com as coisas do trekking e deixar no carro tudo que não iríamos usar nos 4 dias. Hora de dormir!

No próximo post vamos falar sobre o primeiro dia do Vale do Pati. Lí em alguns blogs que o ideal é deixar o Buracão pro último dia, porque ele é muito impressionante e poderia ofuscar o resto da viagem. Mas, eu garanto, garanto de verdade, que fazer o buracão no primeiro dia, não tira do Vale do Pati a magia que ele tem e nada ofuscaria isso.

Até o próximo post!

Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Dia 1
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Vale do Pati, Chapada da Diamantina – Informações e Dicas

Parque Nacional de Itatiaia – Quase Asa de Hermes

2º dia (domingo)

No post anterior, contei como foi o sábado: nossa entrada no Parque, a tentativa frustrada de conseguir senha para subir o Agulhas Negras e nossa Travessia Morro do Couto x Base das Prateleiras. Nesse vou contar como foi tentar chegar na Asa de Hermes.

Para acessar o post do 1º dia: http://televopratrilha.com/parque-nacional-de-itatiaia/

Início da trilha.

No jantar do sábado tínhamos decidido que no domingo iríamos acordar mais tarde, tomar café da manhã na pousada e partir para o parque para subir a Asa de Hermes. Desistimos de tentar  subir o Agulhas Negras, visto que poderíamos acordar super cedo e novamente não conseguir senha e alguns integrantes do grupo já estavam muito cansados para fazer o pico mais alto do Parque no segundo dia.

Jantar de sábado foi bom! Pousada dos Lobos.

Foi isso que fizemos, acordamos com tranquilidade, tomamos um maravilhoso café e quando íamos sair, um dos carros não pegou. Antônio, um dos nossos, não tinha colocado gasolina no reservatório de partida do carro, com o frio lascado que estava fazendo, o carro não pegava de jeito nenhum. O jeito foi enfiar quem coubesse no carro do Leo da Pitbull Aventura e o Antônio ficou na pousada até o dia esquentar e ele conseguir sair com o carro, encontraria a gente depois.

Saímos então, em direção ao parque, estacionamos e começamos a trilha. Novamente pegamos a estrada de 3kms, em direção ao abrigo Rebouças. A trilha começa ali no abrigo, atravessamos a ponte e trilha que segue. Mesma trilha que vai pra Agulhas Negras, na trifurcação pegar à esquerda para “Asa de Hermes”. Seguindo pelo caminho, a vista de Agulhas é impressionante, lindo mesmo. A trilha chega de frente pro vale entre Agulhas Negras e Asa de Hermes, a trilha segue por esse vale.

Visão de Agulhas Negras na trilha para Asa de Hermes.

Asa de Hermes, trilha segue por esse vale, no meio.

O sol começou a ficar quente já no começo da trilha, em poucos minutos, estava um calor desgraçado. Um dos integrantes desistiu e resolveu voltar pro abrigo Rebouças, como ainda estávamos no início, o Leo deixou ele voltar sozinho. Eu, Cristopher e Kelly estávamos com um ritmo bom e o Leo, deixou a gente seguir o caminho, 12h (meio-dia) se não estivéssemos no cume, era pra voltar. Ele já estava tomando a decisão de voltar com uma outra integrante da equipe que estava num ritmo mais lento.

Seguimos então na frente, chegando de frente ao Vale, entre os dois maciços (Agulhas e Asa), a trilha desaparece e então inicia o trepa pedra. Pulando de pedra em pedra em direção ao Vale, seria quase impossível saber por onde ir sem os totens e sem a informação das pessoas que estavam ali. Pronto, já estava com medo, pular de pedra em pedra, com fendas bem profundas, me fez ter medo, medo de escorregar, sei lá. Cristopher me incentivou e só porque ele me encorajou que eu continuei. Kelly, nesse momento, desistiu e voltou para o abrigo Rebouças, onde deviam estar os outros. Logo no início tem que passar por um túnel de pedras que não passa uma pessoa com mochila, bem apertado, pra poder sair lá do outro lado. Só conseguimos saber por onde ir, porque as pessoas indicaram a entrada.

Continuamos seguindo os totens, pula pedra, tenta por um caminho, não consegue, volta, vai por outro, perde o totem, volta, acerta, vê outro totem, tenta chegar nele, não consegue, volta, vai de novo pelo outro lado. Enfim, só nessa brincadeira de achar totens perdemos um tempão precioso.

Em vários momentos quis desistir e voltar. Achamos o último totem, lá no fim do vale. Em algum lugar agora a gente tinha que subir perto desse totem, tenta subir aqui, ali, lá do outro lado, tenta pela trilha meio fechada, tenta escalar, tenta de tudo. Eu digo: “Cris, já é mais de meio dia, temos que voltar”, Cris diz: “Samantha, olha a Asa ali, não dá pra desistir agora”. Cris encasquetou que tínhamos que subir por umas pedras, que ali daria no cume, mas eu disse que por ali eu não iria, não teria condições técnicas para ir por aquele caminho em segurança.

Mais algumas tentativas frustradas, às 13h: “Cris, eu vou voltar, você vai comigo ou vai subir sozinho?”, com muita cara de decepção, Cris disse: ” Não é seguro você voltar sozinha e nem eu subir sozinho, volto também.”

Voltando, procura totem, vai, tenta por ali, por lá, acerta, erra, volta, tenta de novo e o tempo passando. Encontramos duas meninas na base da Asa de Hermes, bem no meio do vale. Elas disseram que a subida era por ali (bem na metade do vale entre os dois maciços). Dali avistamos um grupo quase no cume. Não dava pra acreditar que a gente foi até o fim do Vale seguindo os totens e a entrada pra subida era logo ali. Vontade de subir, mas não dava, havia muito tempo que o grupo todo estava lá esperando a gente. Chegamos no túnel, a gente não achava a entrada de jeito nenhum pra voltar, tenta por um lado, tenta por outro, achamos, mas perdemos muito muito tempo. A essa altura eu morria de preocupação com todo o grupo esperando.

Ufa, chegamos novamente na estrada de 3kms pra voltar ao estacionamento. Imaginava que todo mundo já estivesse nos carros, de roupa trocada, comendo. Não passou pela nossa cabeça que eles poderiam ainda estar esperando a gente no abrigo Rebouças. Só seguimos em direção ao estacionamento.

Chegando lá, ninguém, só os carros. Pra completar, a chave do carro do Léo, estava na minha mochila, ou seja, não daria pra ninguém se trocar se eu estava com a chave. Obviamente, ainda estavam no abrigo Rebouças. Estava saindo com o carro para buscá-los quando eles chegaram no estacionamento, imaginando que já devíamos ter voltado. Foi mal pessoal pela demora!

Asa de Hermes, me aguarde, eu ainda vou chegar em você!

os totens – as pedrinhas que deveriam sinalizar o caminho correto

Problema sério: os totens. Os totens não eram pra trazer problemas, servem para ajudar a não errar o caminho, certo? Certo! Mas, em vários lugares isso não é usado com boas intenções. Propositalmente totens são colocados em lugares errados, para que as pessoas se percam e se sintam obrigadas a contratar um guia. Fico extremamente triste que isso aconteça em vários lugares, pior ainda quando falamos de um Parque Nacional, que deveria ser, no mínimo, bem sinalizado. Seguimos os totens e não achamos o caminho certo, fiquem ligados!

Dicas:

-o sistema de entrada no parque para Agulhas Negras e Prateleiras mudou: http://televopratrilha.com/parque-nacional-de-itatiaia/

-É recomendado uso de corda para subir a Asa de Hermes, mas não é obrigatório. Não subi, então não sei o grau de dificuldade.

-a Subida da Asa é exatamente no meio do Vale entre Asa de Hermes e Agulhas Negras, tem um totem na entrada da subida. NÃO SIGA TOTENS APÓS O MEIO DO VALE.

-Pessoas com medo de altura podem travar nos trepa pedras, as fendas são bem profundas entre uma pedra e outra. Não é uma trilha fácil.

-No parque não tem sinal de celular, nem nos arredores.

-Ficamos na Pousada dos Lobos, super perto do Parque, mas recomendo para quem tem carro 4×4 ou um carro mais potente. 1.0 não deveria se arriscar. A pousada é uma delícia.

-Guiamento: Leo, da Pitbull Aventura: http://pitbullaventura.blogspot.com.br/  ou https://www.facebook.com/pitbullaventura/

-De manhã e à noite fez muito frio, 0º.

-Levar: água (1.5 l no mínimo), lanche, anorak, protetor solar, chapéu/boné, manga comprida (protege do sol ou do frio), calça, tênis para trilha, kit de primeiros socorros, lanterna, saco para lixo, papel ou lenços umedecidos para necessidades fisiológicas.

Zermatt Parte 2 – Gornergrat e Basecamp Matterhorn

Para ver o primeiro Post: Zermatt – Parte 1 – Matterhorn Trail

Continuando…

No meu segundo dia de trilha em Zermatt, eu queria explorar o máximo que eu conseguisse. Para isso acordei bem cedo e parti no primeiro trem rumo ao Gornergrat. Esse passeio não custa barato, sem o Swiss Pass custou 95 francos, porém se você estiver com tempo você pode subir via trilha. Como o meu tempo era curto, subi de trem e de lá saí explorando as trilhas. O visual era incrível. Como já haviam me contado é a vista mais bonita do Matterhorn.

Na subida de trem você pode parar em todas as estações e explorar todas as trilhas que quiser. O Gornergrat fica a 3100mts de altitude. Até então o mais alto que eu já tinha subido. Chegando lá em cima optei por seguir a trilha Alpina rumo ao Base Camp do Monte Rosa. Essa montanha feia da foto abaixo.

A trilha era incrível, quanto mais descia, mais próxima das geleiras eu chegava. No caminho encontrei vários escaladores que iam para o Base Camp para escalar o Monte Rosa. Cheguei até um ponto que a trilha ficava bem difícil. Então tive que tomar a decisão, ou seguia até o Base Camp ou voltava. Se eu seguisse não conseguiria fazer a trilha para o Base Camp do Matterhorn a tarde, que era o segundo objetivo do dia. Então optei por voltar.

Optei por não subir de volta para o Gornergrat e sim seguir em direção à estação Rotenboden, estação logo abaixo do Gornergrat. E a trilha rumo à Rotenboden era de tirar o fôlego.

Depois de quase uma hora de caminhada cheguei à Rotenboden. Essa estação dá acesso à trilha que leva ao lago Riffelsee, na minha opinião um dos pontos mais bonitos da região.

No total caminhei durante umas 3 horas, não sei exatamente a distância pois acabei esquecendo de ligar o GPS.

Retornei à estação e voltei para Zermatt, reabasteci minha mochila e segui para o outro lado da cidade para pegar o teleférico rumo à Schwarzsee, a estação que dá acesso à trilha para o Base Camp do Matterhorn.

Iniciei a trilha por volta das 15h e já estava bem vazia. Encontrei algumas pessoas descendo, mas depois de algum tempo eu estava completamente sozinha.

Quanto mais subia, mais a dificuldade da trilha aumentava, muitas pedras soltas, cordas, e pontes de metal que dava aquele frio na barriga para passar.

As marcações são todas muito bem feitas, e a marcação em azul significa trilha Alpina, de alta dificuldade.

Quanto mais perto chegava do Matterhorn, mais imponente ele ficava.

Depois de 4km de uma subida bem técnica e inclinada, cheguei ao Hörnlihütte, o Base Camp do Matterhorn, à 3260mts de altitude.

À partir deste ponto só escalando.

Iniciei a descida um pouco antes das 17h, e quando cheguei de volta à estação do teleférico para minha surpresa, ela já estava fechada… então tive que voltar andando mais 8km, até Zermatt. ?? O que também não foi ruim, pois as paisagens eram lindas, e como era verão, as 20h ainda era dia, então eu tinha tempo.

Eu não tenho dúvida que estas foram as trilhas mais incríveis que fiz na minha vida. Sozinha, porém completamente imersa na grandiosidade da natureza, e aproveitando cada segundo dessa experiência única.

Pra ficar guardada pra sempre na memória e no coração.

#televopratrilha

Zermatt – Parte 1 – Matterhorn Trail

Zermatt – Parte 1

Quando comecei programar minha viagem para o UTMB em Chamonix, eu ainda não sabia direito para onde ir antes e depois. Comecei a pesquisar sobre a Suíça, e na primeira pesquisa já encontrei Zermatt.

Uma pequena vila localizada ao pé do Matterhorn, umas das montanhas mais famosas (e mais fotografadas) do mundo.

Destino mais que perfeito para uma apaixonada por montanha. A cidade respira esporte e tem muitas, muitas, muitas trilhas. Todas extremamente bem marcadas e sinalizadas, afinal o esporte favorito do suíço é o Hiking. Uma das coisas que mais me impressionou foi a quantidade de senhores e senhoras com mais de 60 anos e famílias com crianças pequenas, desde bebês até adolescentes, em todas as trilhas. Eram quase que maioria. Vi mães com bebês no sling em trilhas difíceis. Coisa mais linda de se ver. Incentivo desde cedo para curtir o que de mais belo a natureza oferece.

Cheguei em Zermatt sexta (25/08) tarde da noite. Me hospedei no Hotel Banhof, que além de hotel é hostel. Quando fiz a reserva vi que o check in só poderia ser feito até as 20h. Como eu sabia que chegaria após as 23h, enviei um e-mail perguntando se seria possível. Eles prontamente me responderam dizendo que seria possível e me enviaram a senha da porta (igualzinho no Brasil). Quando cheguei, a chave do meu quarto estava na recepção e minha cama reservada. Deixei minhas coisas e saí em busca de um restaurante aberto. Aqui tudo fecha bem cedo. As lojas fecham as 8h, e os restaurantes, maioria às 11h. Encontrei um único lugar, pedi uma comida de verdade, pois não aguentava mais comer comida de avião. E tomei uma cerveja local chamada Zermatt Beer, uma delícia, diga-se de passagem.

Minha mala não chegou em Genebra, pois minha conexão em Frankfurt foi apenas de uma hora (não comprem voos com conexão curta via Frankfurt, você vai viver a maior correria da sua vida, porque o aeroporto é gigantesco). Eu consegui chegar a tempo, mas a mala não. No dia seguinte na hora do almoço minha mala chegou no hotel (obrigada Suíça!).

Devido à falta da mala, passei uns perrenguinhos na sexta… eu tinha roupas na minha mala de mão, mas minha necessaire estava na mala, então fiquei sem sabonete, toalha. Mas tudo controlado.

Voltando à Zermatt… aqui não entra carros. Os únicos carros existentes aqui são elétricos e os táxis. Ou seja, ar puro! Igual São Paulo hahahahahhaha… Mas também nem precisa de carro. Você anda de ponta a ponta da cidade em 10 minutos.

A única maneira de chegar até aqui é de trem ou se você for príncipe ou herdeiro você pode também vir de helicóptero.

Se você for viajar por mais tempo pela Suíça vale a pena comprar o Swiss Travel Card. Como eu só viria pra cá, e depois já iria direto para Chamonix não valia tanto a pena. Na verdade saiu quase a mesma coisa. Digo isso porque, com o travel card você tem 50% de desconto em todos os trens e teleféricos aqui em Zermatt. Então acaba valendo a pena dependendo da sua viagem.

Viajar pra Suíça custa caro. Inclusive as passagens de trem. O Swiss Travel Card custa a partir de 248 CF (para 3 dias). Os passeios de trem aqui também não são baratos. Se você estiver com tempo curto e quiser conhecer os principais lugares acabará tendo que usar os trens ou teleféricos. Agora se você estiver com tempo e disposição, dá pra fazer tudo por trilha. Exatamente tudo. Ou seja, o paraíso!

No sábado 26/08, acabei perdendo a manhã, pois estava sem mala, então tive que sair para comprar algumas coisas, e também acordei um pouco mais tarde, estava bem cansada da longa viagem (14 horas, SP – Genebra + 2 horas no aeroporto resolvendo as coisas da mala, + 4 horas de trem de Genebra até Zermatt).

Depois de tudo resolvido, tomei um café da manhã num lugarzinho incrível chamado Home Made Coffee e então segui para minha primeira trilha.

Sai meio sem rumo e sem mapa (esqueci de pegar no hotel), e escolhi na entrada da trilha. Tinham muitas opções, mas como eu não sabia muito sobre nenhuma, escolhi aleatório e optei pela trilha 29, Matterhorn Trail (você encontra sobre todas as trilhas possíveis aqui e no mapa a abaixo você consegue visualizar também.

Não preciso nem dizer que fiquei encantada com a beleza de cada cantinho da trilha. Todo mundo sabe que os Alpes são lindos, eu também sabia, mas me surpreendi muito com tudo. Você se sente pequenininha perto da grandeza das montanhas, uma sensação indescritível.

Estava acontecendo em Zermatt no sábado a Matterhorn Ultraks, uma corrida do circuito Sky Runner, com distâncias de 16km, 30km e 46km (QUE RAIVA QUE EU NÃO VI QUE TERIA ESSA PROVA). Eu poderia ter feito a distância de 16km… Durante a trilha eu encontrei o tempo todo os corredores. Na verdade, pelo que eu entendi, a prova seguia a Matterhorn Trail.

Nesta trilha você vê o tempo todo o Matterhorn, mas a face Sul dele, não a clássica, que vemos em todos os lugares. Mas no caminho você encontra muitos pontos incríveis. Como essa cachoeira com o Matterhorn ao fundo.

Andei 22km, um pouco mais da distância que daria a trilha oficial ida e volta 20km), pois em um momento fiz um desvio errado em outro sentido.

Quando estava retornando pra Zermatt, faltando uns 5km, encontrei uma senhora Suíça, chamada Emanuelle… fomos conversando sobre as trilhas, ela me contou sobre suas aventuras, sobre sua vida, me deu várias dicas de trilhas. Uma graça de pessoa. Ia pedir pra tirar uma foto com ela, mas fiquei tímida hahahaha.

Outro detalhe, os suíços são extremamente simpáticos e gentis. Se não falam inglês bem, se desdobram pra te entender e te ajudar. Sempre com um super sorriso estampado.

Retornei para o hotel já passava das 19h. Tomei banho, agora com todas as minhas coisas. Quando fui sair pra jantar, estava chovendo, então optei por jantar no restaurante ao lado do hotel. E nada melhor que um foundue, para ser bem clichê. Quando terminei o jantar a chuva já tinha passado e então fui andando pela vila e encontrei um Pub tocando um som bem legal. Pensei, pq não entrar? Sentei no balcão pedi uma cerveja local (Valaissane Beer Pale Ale, bem gostosa). Fiz mais uma amizade, uma americana gente boa, chamada Melanie. Ela estava há três semanas em Zermatt, então já conhecia tudo e me deu ótimas dicas, que acabou sendo meu roteiro do domingo. Que contarei no próximo Post porque senão você vai parar de ler agora tamanho o textão. Hahaha

Continua…

UTMB 2017 – Como foi!

sobre o utmb

Quem me conhece de perto sabe o quanto eu queria participar desta prova. Era um dos meus maiores sonhos. Para quem não é do mundo das corridas, vou explicar melhor. A Ultra Trail Du Mont Blanc (UTMB) é considerada a copa do mundo das corridas de montanha. Este ano reuniu toda a elite do Trail Running mundial e levou para Chamonix, na França, 8000 atletas de todo o mundo.

A UTMB é formada por 5 provas distintas, com largadas e percursos em 3 cidades diferentes. Passando pela Itália, Suíça e França. Para participar não basta apenas se inscrever. Primeiro você precisa fazer os pontos necessários para cada prova. Precisa correr alguma prova credenciada pela ITRA (International Trail Running Association – itra.run). Hoje no Brasil temos diversas provas que concedem pontos. No caso, a prova que eu participei, a OCC, eram necessários 4 pontos. E além dos pontos, você precisa ser sorteado. Eu não fui sorteada dois anos seguidos, e quando isso acontece, no terceiro ano, a sua vaga está garantida.

As provas do UTMB:

PTL (Petite Trotte à Léon) – 290km – 26500mts de altimetria. A prova mais longa do circuito é totalmente auto-suficiente e só pode ser feita em equipes de dois a três participantes. Largou na segunda às 9h em Chamonix e teve um tempo máximo para conclusão de 151h30min.

TDS – 119km – 7200mts de altimetria. Considerada uma das provas mais duras, teve sua largada na quarta as 6h, em Courmayeur na Itália e chegada em Chamonix. Tempo máximo para conclusão: 33h.

CCC – 101km – 6100mts de altimetria. Com largada também em Courmayeur na Itália, passou por Champex Lac na Suíça e chegou em Chamonix. Com tempo máximo para conclusão de 26h30.

OCC – 56km – 3500mts de altimetria. A filha caçula do UTMB, é a prova mais concorrida, pois tem apenas 1200 vagas e é a mais “acessível” para os mortais. Largamos na quinta em Orsières na Suíça e chegamos em Chamonix. Tempo máximo para conclusão: 14h30.

UTMB – 171km – 10000mts de altimetria. A grande estrela, a prova mãe de todas, a mais almejada pelos malucos do trail running. Com largada em Chamonix na sexta as 18h30, reuniu os maiores nomes do Trail, e foi castigada pela chuva e pela neve, que levou muitos bons atletas à desistência. Com chegada em Chamonix o tempo máximo para conclusão era de 46h30.

A minha prova (OCC):

Fazia tempo que eu não tinha frio na barriga com uma prova. Depois de três anos de espera finalmente eu estava ali. Confesso que quando cheguei em Chamonix na segunda-feira e vi pela primeira vez o pórtico de chegada, não contive a emoção. Chorei de felicidade de poder estar ali vivendo aquele momento. A grandiosidade do evento é inexplicável. Só quem já esteve lá consegue entender. Chamonix respira a prova, por onde você anda você vê algum detalhe da prova. E a organização é um elemento à parte. É um evento único e vale cada centavo investido.

Deixei tudo pronto no hotel, roupas e comidinhas e a noite antes de jantar fui assistir às chegadas do TDS. Jantei uma massa simples e tentei ir dormir cedo, mas a ansiedade não deixou, principalmente porque eu estava com bastante medo de perder a hora. Celular tocou as 4 da madruga e as 5h eu já estava na fila do ônibus rumo à Suíça onde seria a largada.

O tempo não estava dos mais favoráveis e a previsão era de chuva. Quando chegamos em Orsières não chovia. Deixamos nossas coisas no guarda volumes e seguimos pra largada. Faltando alguns minutos para a largada a chuva começou e não parou mais.

Largamos, e pelas ruas da cidade mesmo debaixo de muita chuva, muitas pessoas estavam lá com seus sininhos aplaudindo e dando força. Muitas crianças e muitos senhores tocando instrumentos debaixo de chuva. Jamais esquecerei a magia daquele lugar.

Assim que saímos da cidade já começava a primeira subida. E logo ali já percebi que o Trekking Pole faria falta. A maioria dos corredores usavam. E nas subidas com aquela inclinação fazia toda diferença. Eu não gosto de usar normalmente, mas estou começando a repensar para provas mais técnicas. Nas descidas eu tentava recuperar o tempo perdido nas subidas. Como as trilhas eram bem abertas consegui desenvolver bem em todas as descidas mesmo com chuva. E a chuva castigou, em alguns momentos o frio e o vento judiaram também. Nos PCs uma infinidade de comida, desta vez não fiz pausas longas, era o tempo de abastecer a mochila comer algo e sair.

Correr pelos Alpes é mágico, parece que você está em um filme antigo, com as vaquinhas tilintando os sinos, aquele visual de tirar o fôlego. Mesmo a chuva, não tirou a magia de correr a prova que eu mais queria na vida. Aproveitei cada segundo de cada momento, me senti bem, com a cabeça forte a prova inteira. Mas o momento mais incrível foi nos últimos 8kms. Eram 8kms de uma decida deliciosa de correr. E eu pensava, quanto mais rápido eu correr mais rápido eu vou chegar. E desci como nunca desci antes. Ultrapassei muita gente, 60 pessoas para ser mais exata hahahah…

E finalmente cheguei em Chamonix… as ruas lotadas de gente te aplaudindo e te incentivando e logo depois estava ele, o tão sonhado pórtico. Bandeira do Brasil na mão, encontrei a Isabela esposa do Danilo que fez um vídeo lindo e cruzou comigo a linha de chegada. Que momento! Três anos esperando por esse dia!

melhor colocada brasileira na prova

9h46min, 84º lugar geral feminino e 1ª Brasileira na prova. Foi muito melhor do que eu esperava. Foi maravilhooooso!

Gostaria de agradecer todo mundo que torceu, vibrou e acompanhou. Cada boa sorte e cada parabéns ficou guardado no coração. Família, amigos, alunos, muito obrigada por sempre acreditar e me apoiar vocês são fundamentais na minha vida.

Danilo mesmo voltando de lesão conseguiu completar bem e fechou em 10h30min. Parabéns!!!

Uma certeza: eu volto! Hahahah

E que venham as próximas!!