Mt. Fuji – Gotemba Trail

Nossa amiga Mariana Matuo está morando no Japão, e nós sempre falamos que, quando ela fosse ao Mt. Fuji iríamos querer um post. A seguir ela compartilha todos os detalhes da sua aventura incrível. Nosso muito obrigada Mari, adoramos!

Mt.fuji – Gotemba trail

Por Mariana Matuo

Estava em um restaurante aqui no Japão com meu pai e um amigo dele na segunda-feira passada (17) quando definimos: vamos subir o Fuji-san no sábado a noite (22) para ver o nascer do sol.

Foi assim que começou essa aventura. Em cima da hora e sem planejamento e conhecimento algum, apenas decididos a chegar no topo.

Nas poucas pesquisas que fizemos antes (veja o site http://www.fujisan-climb.jp/en/trails/index.html), sabíamos apenas que:
– tem quatro trilhas que levam até o topo (Fujinomiya, Gotemba, Subashiri e Yoshida);
– algumas trilhas ficam muito cheias, a ponto de formar fila indiana;
– as trilhas começam na 5ª estação do vulcão;
– nem todas as 5ª estações são abertas para carro na temporada de escalada;
– nessa época do ano (verão) faz 5ºC no topo.

No sábado (22) de manhã comecei a preparar minha mochila e foi muito estranho preparar roupas para frio estando em um calor de 30ºC, todos os casacos que eu pegava, eu pensava “Não, esse é muito quente, é exagero, não deve ser tão frio assim, estamos no verão”.

Com tudo pronto, saímos de carro de Nagoya por volta das 14h. Somente nesse momento, quando tínhamos que programar o GPS para um destino, que decidimos que a trilha de Gotemba era a melhor, porque era mais vazia e poderíamos deixar o carro estacionado na 5ª estação.

Já deveríamos imaginar que a trilha de Gotemba era a mais vazia por ser a mais difícil, afinal ela começa em 1400m de altitude enquanto as outras começas entre os 2000~2400m de altitude.
Chegamos na 5ª estação de Gotemba por volta das 17h40 e lá estava o Fuji-san, encoberto por nuvens, mantendo um certo mistério.

O tempo de subida é estimado em 7 horas via Gotemba. Calculamos que o ideal seria começar as 20h para chegar no topo com folga para ver o nascer do sol (que é por volta das 04h30). Fizemos um reconhecimento de terreno e como ainda tínhamos um tempinho, aproveitamos para ir comprar água e comer em um 7-eleven (loja de conveniência) que fica a uns 15 minutos da 5ª estação. Logo depois do estacionamento tem banheiros, um ponto de informações e o portal de início da trilha. Não pagamos nada para deixar o carro no estacionamento e nem para entrar na trilha.

Começamos exatamente às 20h, saindo em 1400m de altitude. Logo no início tem uma estrutura com mesas e cadeiras e algumas comidas e bebidas à venda. O preço é bem inflacionado! Por exemplo, a água era ¥300 (um pouco menos de 3 dólares), 3x mais do que costuma ser nas lojas de conveniência!

Depois de mais ou menos 3km atingimos 2000m de altitude. Todo esse trecho era de cascalho, em alguns pontos o solo ficava fofo e o pé deslizava, fomos tentando procurar as partes mais firmes para pisar.

Com 5km paramos 10 minutos para descansar, estávamos em 2.400m de altitude. Logo à frente chegamos na Nova 6ª estação. A antiga 6ª estação foi fechada por causa de um deslizamento.

Nessas estações tem uns containers, chamados de cabanas. Algumas pessoas alugam para passar a noite e fazem a trilha em vários dias. Um pouco depois da antiga 6ª estação o terreno começou a mudar, as pedras estavam ficando cada vez maiores e deu para perceber que não estávamos mais subindo em linha reta e sim em zig zag.

No km 7 atingimos 3000m de altitude e logo em seguida chegamos na 7ª estação. Lá vimos que tinha Estação 7.4; 7.5 e 7.9.

Os trechos entre essas estações não rendia, parecia que estávamos subindo muito, mas a altimetria não mudava quase nada. Também nesse trecho, começou a cair algo do céu, não sei dizer se era garoa ou neve, mas durou bem pouco. Paramos para descansar e nos agasalhar mais na Estação 7.9 e dali até a 8ª estação eram só 400m, mas muito duros, não chegava nunca!

Sinceramente, depois da 8ª estação eu não lembro de muita coisa, estava cansada, sentia que podia ter câimbras nas pernas a qualquer momento, só consegui me concentrar em dar um passo de cada vez. Tive que parar algumas vezes só para dar uma respirada bem lenta e profunda, o ar rarefeito castiga.

Na última vez que falei “preciso parar para respirar”, vi um portal e eu até esqueci que precisava respirar, fui correndo procurar uma placa escrito 9ª estação, mas não achei e tinham dois caminhos para seguir. E agora?

Depois de uns 10 minutos tentando entender para onde tínhamos que ir, encontramos umas pessoas que disseram que tinham vindo da trilha de Fujinomiya, ou seja, chegamos ao topo e fomos os primeiros!

no cume

10,5km – 6 horas – 2.200m de ganho de altimetria – 3.600m de altitude.

Na hora não foi nem um pouco emocionante, nem comemoramos. Afinal, fomos muito rapidinhos e chegamos 2h antes do nascer do sol.

Sentamos em umas pedras e de lá dava para ver a fila de head lamps subindo a trilha de Yoshida, tentamos dormir um pouco, mas foi impossível, estava muito frio, de tremer e bater os dentes.
Quando paramos de sentir os dedos do pé decidimos que seria melhor ficar andando para esquentar. A essa altura já tinham chegado mais pessoas e era hora de escolher o lugar perfeito para ver o sol nascer. Às 4h o sol começou a dar as caras e aos poucos todo o esforço ganhou um sentido.

Como se não bastasse o sol pondo-se presente, quando virei de costas pude ver o quão perto eu estava da cratera do vulcão, que imensidão!

Mas não se enganem! É lotado lá em cima!

Só quando cheguei na trilha para descer que consegui ter uma noção do que enfrentamos de noite.

A descida é na mesma trilha da subida até a 7ª estação, depois desce por outro caminho. É um caminho de cascalho que eles chamam de “Corrida sobre areia”, bem gostoso de correr, quase sem impacto. Fizemos os 8km de descida em 2h30.

É isso, pessoal! Valeu MUITO a pena!

E, claro, não poderia deixar de agradecer minhas queridas amigas, Isa e Sassa, por me convidarem para compartilhar minha experiência aqui no blog! Minha paixão por montanhas começou com elas ❤️

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